O rolezinho e o contratinho antissocial

Jim carrey

O rolezinho no shopping é, talvez, um dos atos políticos mais importantes dos últimos tempos no Brasil. Por meio deles, por exemplo, os jovens da periferia já conseguiram obrigar os shoppings a confessarem que a noção de “espaço público” com que concordam está sujeita a severas restrições e, de quebra, têm obrigado também as autoridades públicas a revelarem que tipo de “ordem” estão vocacionadas a proteger.

Muitas das coisas que antes fazíamos nas ruas migraram – e, com elas, nós – para dentro de shoppings. Livrarias, por exemplo, estão cada vez mais guardadas nos shoppings e marcadas pela mesma lógica: imensas lojas de “conveniências” em que os livros são uma parte muitas vezes inexpressiva. Bares e restaurantes estão migrando para os shoppings. Lojas de tudo, a quase todo preço, também se trancaram nos shoppings. Com elas, nós também nos trancamos.

No entanto, se você que estiver lendo este texto tiver as características e os hábitos daqueles para quem os shoppings são feitos (e há uma visível estratificação mesmo entre os públicos consumidores dos diversos shoppings, dos mais “populares” aos “exclusivos”), talvez não tenha ainda se dado conta de que não costuma cruzar, no shopping, com aqueles que fizeram concretamente o shopping (tudo bem, ouça aqui o eco de “tá vendo aquele edifício, moço, fui eu que construí…”), muito menos com aqueles todos contra quem o shopping foi feito.

É disso que se trata: o shopping, ao se apresentar como sendo feito para alguns, é fundamentalmente um lugar contra todos os outros, contra todos aqueles que não se enquadrem nos padrões de aparência e consumo com que o shopping espera contar. Quem corresponde a tais padrões, por sua vez, faz parte da decoração do shopping e alimenta a expectativa de andar pelo shopping cercado por seus “iguais”. É, em suma, um lugar antissocial, por ser a negação consciente da panela de pressão que a cidade é de sua porta para fora, cheia de riscos, variantes, diferenças e toda sorte de coisas incontroláveis.

Numa cidade marcada pela violência, pela desigualdade, pela mendicância, pelo abandono, o shopping se apresenta como uma espécie de bunker. Nosso particular “mundo de Andy”, em que vamos alimentando a ilusão de segurança que tanto gostaríamos que o mundo todo oferecesse. Ou não.

Mas isso tudo dependia de um certo acordo entre os que podem e os que não podem entrar no shopping: “perceba que você não é daqui – nem entre”. E, contra todas as lições da lógica formal, parte gigantesca da sociedade aprendeu a conviver com uma verdade incômoda: a porta está aberta, mas está fechada. O convite para vir está feito, mas não venha!

O que o rolezinho coloca em evidência é que há uma parcela significativa de nossa juventude que não quer fingir que concorda com esse “contratinho antissocial” e está proclamando um “vamos invadir” que ninguém, no silêncio dos shoppings, gostaria de ouvir. Ninguém, ninguém mesmo, nem aquele consumidor – digamos – assemelhado visualmente aos praticantes do rolezinho, ainda mais agora que alguns shoppings estão conseguindo liminares contra os “eventos” e a polícia, com sua habitual sensibilidade, será responsável por identificar quem chega ao shopping como ameaça… Poucos estarão a salvo – e vocês sabem quem.

O medo que boa parte da sociedade revela diante disso, nas conversas que tenho ouvido aqui e ali, é que os shoppings, como únicos lugares em que aquela falsa segurança ainda é oferecida a preços variados, também tranquem suas portas, cobrem “consumação mínima” dos frequentadores, exijam a apresentação de credenciais na entrada, e por aí vai, deixando ainda mais claro quem pode e quem não pode participar do “clube”.

Num shopping aqui de SBC, chamou minha atenção recentemente a presença de uma capela aberta aos frequentadores, bem pertinho dos banheiros. Faz todo sentido o lugar em que ela está, porque provavelmente são os únicos ambientes – a capela e os banheiros – daquele prédio que estão mais ou menos livres da maquininha da Cielo. Será?

Anúncios

38 comentários sobre “O rolezinho e o contratinho antissocial

  1. Fabricio 13 de janeiro de 2014 / 11:04

    Impecável expressão do que é uma sociendade hipócrita e ao mesmo tempo burra! Parabéns!

  2. Junkyard Dog 13 de janeiro de 2014 / 12:30

    Impressionante é pensar que, caso tivéssemos educação pública de qualidade, o abismo representado pelo rolezinho seria inexistente, ou dramaticamente menor. E pensar que a responsabilidade por esse défcit vem do desinteresse de políticos por ter um povo capaz de refletir. O desejo de inclusão e de participação por parte dos jovens da periferia está sendo cuidadosamente manipulado para se tornar mais um ingrediente na receita das massas de manobra.

  3. Anônimo 13 de janeiro de 2014 / 13:37

    acho q errou na referencia de filme, Tarso

    • tarsodemelo 14 de janeiro de 2014 / 15:33

      Verdade! Comi bola: troquei Truman por Andy (ambos feitos pelo Jim Carrey). Obrigado por avisar, para que eu desconfie mais da memória nas próximas vezes…

  4. Daniela 13 de janeiro de 2014 / 15:02

    Oi Tarso, li todo o texto e me senti confusa por não compartilhar desta visão. É até bonito falar que o rolezinho é uma até político, mas acho que são todos criminosos que por causa da Lei, estão protegidos sendo eles todos menores de idade. Quando vão a um lugar cometer crimes independente do lugar não são bem-vindos. O bem estar de outras pessoas estão em risco, acho um absurdo na minha opinião.

    • Spmoa 13 de janeiro de 2014 / 15:30

      Concordo com vc, Daniela… Afinal, quem definiu ser um ato político? Penso que seja político somente por ser uma decisão de grupo em uma cidade… Só que, decidir entrar para tumultuar um espaço público com fins bem claros (vender e oferecer mais segurança e conforto que as ruas) deveria se comportar com respeito a esse espaço público… Isso pra dizer o mínimo… O comércio dentro de shopping é mais oneroso ao comerciante, em troca de serviços e está regulado por leis… Entrar como “excursão”, sem a autorização devida é descumprir a lei… Quanto ao restante da discussão… Vivemos, sim, em uma sociedade de classes… ok…

      • Alex Domingues 14 de janeiro de 2014 / 11:50

        Também concordo! Porque não vão fazer “rolezinho”, nos parques públicos, em museus, em zoos, em lugares de esporte e lazer? É lógico que todos sabemos, que onde aconteceram esses “atos”, ocorreram furtos, roubos, tumultos e desrespeito… Agora vem diversas pessoas a defenderem o movimento. Convide-os a tuas casas.
        Sou Professor e testemunhei por várias vezes, alguns alunos marcando de se encontrarem em movimentos como esses apenas para beber e zoar. Sou contra e ponto.

  5. Anônimo 13 de janeiro de 2014 / 16:12

    ?

    • Alves 13 de janeiro de 2014 / 21:58

      asudsuad isso ai mesmo.
      ???
      de onde ele tirou isso? da segurança do escritório dele? que inclusive usaram uma máquina da Cielo pra construir?
      ausdhasuhd
      É TANTO NEGO METIDO A INTELECTUAL QUE OS DE VERDADE JÁ NAO VALEM NADA.

  6. Anônimo 13 de janeiro de 2014 / 16:26

    Me desculpem se não entendi o texto, ou se estou “fora do mundo”, mas acho que vemos o tal “rolezinho” ou “rolezaum” de uma forma muito “romântica”…
    Shopping é um local particular, destinado ao consumo.
    Qualquer ideia diferente disto tirará sua real natureza: a de shopping center (ou centro de compras).
    Se os espaços estão sumindo, isto é devido à outros fatores, como violência (falta de Estado) ou mesmo à mudanças culturais, comodismo, etc.
    Mas, concordar com tais atitudes é ser conivente com a balburdia e a total falta de respeito com as pessoas e o patrimônio alheio.

    No mais, precisamos acabar com esta dicotomia (divisão) entre brancos/negros, pobres/ricos, classes, etc. TODOS hoje tem acesso à shoppings: todos podem lá ir e ficar, e comprar, e passear…
    Em relação à roupas e aparência, o sujeito pode se sentir mal no shopping, na rua 25 de Março ou no metrô, isso é algo do indivíduo, é individual, e está relacionado a como ele entende que os outros o veem, sem qualquer relação com discriminação, opressão ou impedimentos.
    Obrigado pela oportunidade de expor minhas idéias.
    Abraços,
    Alexandre.

  7. Anônimo 13 de janeiro de 2014 / 18:57

    Apenas lembrando para quem redigiu os últimos comentários. Em um Estado de Direito todos são inocentes até prova em contrário. Não se produziu NENHUMA prova de conspiração criminosa, quadrilha etc no caso dos rolezinhos. Shoppings são intensamente seletivos: aqueles destinados ao público de classe A cerceiam mesmo quem destoa (mas esse tipo de segregação nunca sai na mídia). Estabelecimentos comerciais são proibidos de selecionar consumidores: é lei. Liminar preventiva e porrada de PM é incompatível com o Estado de Direito. Criminalizar populações de periferia é preconceito puro e simples. Se for pra adotar visão preconceituosa criminalizadora de alguma classe social no BR, que se dirija o preconceito aos maiores criminosos: estão todos nas classes altas. O respeito ao patrimônio não pode ser um valor jurídico supremo: e os direitos de ir e vir, de ocupar os espaços públicos? Isso é só vontade de apartheid. A propriedade privada não pode ser propriedade privadora pura e simplesmente. Não se trata de romantismo: apenas de bom senso e justiça.

  8. lucas 13 de janeiro de 2014 / 21:55

    uma única e simples pergunta:
    eai qual sua proposta de solução??

  9. lucas 13 de janeiro de 2014 / 21:56

    essa parcela da juventude que nao concorda com o “contratinho” kkkkkkkkkkkk
    seriam os que vão lá para fazer arruaça?

    vlw intelecutal! ta estudando isso da segurançã do seu escritório ou vc ja morou em favela?

    • Isabella 14 de janeiro de 2014 / 12:14

      Não seja ignorante e faça deles os culpados. Olhe ao seu redor e veja em que sociedade você vive. Saia do seu mundinho e compreenda a situação. E voce morou em favela por acaso? Então não seja hipócrita pra usar esse argumento sem também ter vivido.

  10. Breno Luna Meira 13 de janeiro de 2014 / 22:55

    O mais irônico é que poucos (realmente poucos) têm a mínima sensibilidade de cruzar esse tema com a sociedade em que estamos imersos. Desde as manifestações de julho, nunca vi tanto playboyzinho otariamente fútil, que não sabe nada da vida, preocupado com o patrimonio público ou privado (este último é óbvio, claro, pois seu i30 ou a vidraça do banco que guarda sua poupança, quando apedrejados, faz com que estes sejam acometidos por uma indignação que não é sentida jamais, tampouco no que diz respeito às segregações socias, culturais e financeiras do país).
    pior que ser metido a ser intelectual é ser ignorante assim. não tem a menor capacidade argumentativa. Não tem um discurso sequer claro, objetivo e construtivo, e ainda vem com jargãozinho e discursinho pronto?
    Se de um lado há os arruaceiros, vândalos, vagabundos, ralés; de outro lado há, na mesma proporção, a corja dos ignorantes que tiveram tudo para ser um pouquinho menos tapados.

    • Anônimo 14 de janeiro de 2014 / 15:34

      Breno, na verdade não é bem isso não.
      Separar o tema entre ricos e pobres é uma forma de facilitar o assunto, alienar aqueles que estão debatendo, e encobrir (mesmo que inconscientemente) o real problema.
      No meu ver, o que está em jogo é o seguinte: nunca as pessoas tiveram tanta liberdade e facilidade para se expressar como hoje, seja por conta da nossa Constituição Federal que traz inúmeras garantias, seja por conta das facilidades da internet (este blog e os comentários são um bom exemplo).
      Ocorre que a LIBERDADE deve, necessariamente, ser acompanhada de RESPONSABILIDADE.
      Quando a liberdade está sem a responsabilidade ela se transforma em outra coisa: LIBERTINAGEM.
      E é exatamente isso que vemos: todos acham que tem direitos, todos querem se expressar, todos querem se manifestar, com toda a liberdade possível, mas e a responsabilidade, onde fica?, e os deveres onde ficam?
      Só liberdade, sem responsabilidade????; só direitos, sem dever????
      Algo está errado, e algo dever ser mudado!

  11. Breno Luna Meira 13 de janeiro de 2014 / 23:00

    E, parabéns Tarso. Sempre sensível e coerente não só naquilo que se refere à literatura e ao direito, mas com um grande olhar clínico a respeito do mundo em que vivemos. Parabéns!

  12. Anônimo 13 de janeiro de 2014 / 23:11

    Excelente texto! Incompreensível para muitos pois consiste numa análise crítica que vai muito além do que nos é noticiado; que busca atingir o sentido de nossa sociedade, de alienação e estratificação social legalizada. Parabéns!

    • Breno Luna Meira 13 de janeiro de 2014 / 23:19

      exato. sair do senso comum é um comportamento desviante que é difícil de tolerar….

    • Anônimo 14 de janeiro de 2014 / 12:20

      Isso que vc. escreveu é tão coerente quanto aqueles alienados que culpam o “sistema” ou “eles” ou “aqueles” por tudo o que acontece.
      Sem qq. sentido!

  13. Virgínia Albuquerque 14 de janeiro de 2014 / 09:18

    Se o rolezinho é ato político, o que dizer se também participam dele os mesmos que assaltam lojas em bairros, em ônibus, em bancos, em residências? Não é uma pergunta retórica.

  14. Anônimo 14 de janeiro de 2014 / 09:27

    Shoppings nasceram como CENTRO DE COMPRAS e nao sao espaços PUBLICOS… Todos que vao FAZER COMPRAS… COMPRAR….GASTAR:::
    devem ter o direito de entrar… Parece que agora o espaço foi apropriado abusivamente para outro uso do qual nao foi inicialmente projetado… reunioes de jovens… que em qualquer outro lugar civilizado do mundo tem que ter autorizaçao de prefeitura, bombeiros, policia , etc… tudo isto para a propria proteçao dos participantes do eventos… Dificil de entender????

    • Anônimo 14 de janeiro de 2014 / 10:42

      Ora, partindo do ideia do que foi projetado pra ser e do que definitivamente é, as cidades, por si só, deveriam ser um espaço de paz, segurança e todo o romantismo, e não são.

      Não acho que a proposta inicial do shopping tenha qualquer relevância… vale o que ele é e representa nessa sociedade desigual.

      Agora fazendo a ponderação: colocar todos os lojistas no mesmo balde é sacanagem. Infelizmente, o povo do rolezinho não chega a ser instruído a ponto de canalizar a ação, mas penso que deveriam focar o ato “pacífico” nas lojas que possuem trabalho escravo em sua rede (e pra isso tem até app de celular que mostra quais são), lojas que possuem altos índices de reclamação no PROCON, e assim vai.

      Espero que o movimento evolua pra algo político, pois o que vi foi uma massa de adolescente disposta a aterrorizar (sim, eles foram/são excluídos da sociedade, mas nem todo mundo que está no shopping é responsável e concorda com esse sistema imbecil).

  15. Alan 14 de janeiro de 2014 / 12:07

    Bando de adolescentes arruaceiros que acham que tudo podem, e se utilizam das redes sociais para afrontar a ordem pública.

  16. Anônimo 14 de janeiro de 2014 / 12:12

    Para aqueles que estão concordando com o tal “rolezinho”, expliquem uma coisa: para que ele serve????
    Mesmo que nenhum crime seja cometido (nenhum hein!), um monte de jovens gritando e bagunçando cria algo?
    Algo será mudado?
    Isso respeita o direito de ir, vir e permanecer dos demais consumidores (que podem ser ricos ou pobres etc)?

    Me parece que estes jovens são alienados e perdidos, sem ter o que fazer e o que reivindicar, e que só querem causar tumulto sem qualquer sentido ou razão.
    Abraços,
    Alexandre.

  17. Danilo 14 de janeiro de 2014 / 13:36

    Um ponto de vista muito bem pensado e argumentado!
    Mas acredito que o shopping não seja um local Público, é antes um local Privado aberto ao Público. Contém um proposito, e não digo apenas do consumo, mas também do entretenimento. Hoje um casal de namorados não pode ir ao cinema, seja eles da classe A, B, C, D ou Z, pois rolezinho põe em risco a integridade física de ambos causando insegurança.
    Então me diz, de que modo isso ajuda para uma manifestação social se prejudica a todas as classes?

    Até então todos sempre puderam ir ao Shopping independente da classe social, fato é que existem shoppings tanto em periferias como em regiões de luxo. Não pelo fato das classes não se misturarem, mas para abrir a oportunidade para todos.

    Mas tenho eu que me parecer com aqueles que fazem o rolezinho? Pois sinceramente, eu me sentiria estranho no meio deles- algo do tipo “você não é daqui”.
    Ou teriam eles que se parecer comigo pra frequentar um shopping?? Nem um nem outro… Tanto que até hoje todos puderam ir e vir em todos os shoppings, seja na periferia seja numa região de luxo. Seja pra comprar um sapato de 3k ou comprar o sofá da casa no crediário em 30x sem analise de credito em uma loja do varejo.

    Agora se há discrepância da classe social no mundo, e mais ainda no Brasil, isso sim é um assunto pra ser tratado. Porém, não vejo essa ideologia no pessoal do rolezinho. Eles querem apenas se divertir e mostrar que estão no mundo. Parabéns conseguiram! Esse ponto de vista de que são contra o consumismo ou estão reivindicando alguma coisa, esse quem diz são alguns bem de vida, estudados e com ideologias, que provavelmente nem vão ao shopping pois fazem compras pela internet e assistem aos seriados da Tv a cabo.
    E se a invasão fosse no quintal da sua casa, que é Privada e também tem seus propósitos, vocês também apoiariam?

  18. Valdir Lima 14 de janeiro de 2014 / 17:13

    “A minha insiginifcante visão sobre o tema”. Na verdade, o que falta em todos os aspectos da sociedade, mas principalmente entre os jovens, é gente que “pense” e “trabalhe” para constituir algo. Hoje o “moleque” quer: Video-Game, Roupas de marcas famosas, motocicletas, carros, perfumes caros, frequentar as melhores baladas e centros de compras de luxo, e até casa, sem poder, porque não querem trabalhar para dar valor ao suor. Eles são o retrato da inércia. Não querem pegar no pesado, não querem estudar, não querem responsabilidades. O motivo principal está na maneira como eles foram concebidos. Grande parte vieram ao mundo sem planejamento familiar, evoluído ao longo do tempo pela falta de investimentos públicos sobre as necessidades elementáres do ser humano e mais recentemente com a onda das bolsas e cotas. Estão ai sem saber ao certo o porquê estão neste mundo. No mundo contemporânio, mais precisamente, nas décadas de 60, 70 e 80 os jovens usavam a música para PROTESTAR contra os governo, os poderes e aproximar pessoas por uma causa. Hoje a música não tem letra, não tem nada de nada. Tudo é eco produzido pelo efeito do nada sobre o nada. Os protestos produzidos por estes “jovens” são para, olhem só: CONSUMIR. #pareideescrever

  19. Anderson 14 de janeiro de 2014 / 22:57

    Veja bem, muitos destes participantes do “Rolezinho” estão com tenis de marca, Nike, Adidas, óculos de marcas caras, smartphones, bonés de grife, então dizer que o Shopping esta de portas abertas e fechada?! O comercio ele segue uma regra vender! Eu mesmo já fui muitas vezes ao Shopping sem nenhum tênis de marca ou roupas como muitos jovens bem vestidos estavam ali no tal “Rolezinho” a questão que muitos fingem não ver é a bagunça, o caos, a baderna, o pânico e até furto por parte de alguns destes que participaram ou até mesmo que se aproveitaram do tumulto gerado, tenho certeza que se algum destes for no shopping sem estar acompanhado de seus 680 amigos cantando FUNK ( ou seja lá o que for) causando tumulto e pânico nas pessoas do local vão poder fazer suas compras, assistir ao cinema, jogar boliche, olhar as lojas ou apenas passear tranquilamente, é muito errado essa comparação racial e social pois é claro que após esses “Rolezinhos” com toda confusão gerada nenhuma providência fosse tomada por parte das autoridades afinal todos temos direitos, inclusive as pessoas de poderem não se sentirem ameaçadas com os “Rolezinhos”

    • Diego Ferraz 16 de janeiro de 2014 / 01:14

      Concordo com cada palavra. Dizer que são coitadinhos injustiçados pela sociedade todos querem, mas levar pra casa…

  20. Diego Ferraz 16 de janeiro de 2014 / 01:17

    Discordo da sua opinião. Moro na periferia de São Paulo e aqui a realidade é bem diferente do que estão tentando passar. Estes garotos arruaceiros não são coitadinhos, são uns belos vagabundos. Coitado sou eu, que fui criado nas mesmas condições que estes pestes, mas insisti na vida honesta, me formei, me espremo todo dia no metrô e mesmo assim não tenho dinheiro para sair por aí “ostentando” um par de tênis de R$1000.

  21. Anônimo 19 de janeiro de 2014 / 09:42

    sou da periferia tem que senta o pau nessa molecada do rolezinho

  22. marcos 20 de janeiro de 2014 / 11:31

    Eu ri na parte que fala “O rolezinho no shopping é, talvez, um dos atos políticos mais importantes dos últimos tempos no Brasil.”

    hahahaaha… Gente. Isso não é ato político, cultural, nem coisa nenhuma… simplesmente adolescentes estão de férias, sem nada de útil para fazer e querem se encontrar para fazer bagunça.

    FIM.

    Qualquer discussão além disso é bla bla bla.

  23. Carol 20 de janeiro de 2014 / 17:04

    Aconselho ao autor pesquisar o assunto antes de se manifestar sobre ele, conheça a periferia antes de analisar os atos dos moradores dessas áreas. E pra te ajudar, segua a opinião de quem mora e sempre morou na periferia:

    Tive vontade de não ler o texto logo na primeira frase, mas prossegui até o fim. Consciente ou inconscientemente, o rolezinho não é um ato político.

    “se você que estiver lendo este texto tiver as características e os hábitos daqueles para quem os shoppings são feitos, talvez não tenha ainda se dado conta de que não costuma cruzar, no shopping, com aqueles que fizeram concretamente o shopping”

    Um dos shoppings que tem fechado suas portas para impedir o acontecimento desses encontros é o Shopping Campo Limpo, shopping esse que eu frequento e em dias normais vejo o mesmo público que “em dia de rolezinho”. Não é uma questão de não se enquadrar nos padrões do shopping, e sim de “finalidade do local”. Tenho certeza que muitos dos que foram barrados no Shopping Campo Limpo nos ultimos dias, ja entraram la diversas vezes, fizeram suas compras, foram ao cinema e se sentiram super acolhidos.
    E além do Shopping Campo Limpo, eu, moradora da periferia, que acorda todo sábado com o funk do bar ao lado, frequento também outro shopping que tem controlado a entrada de pessoas: o Shopping JK Iguatemi. Normalmente a porta está aberta, e está aberta mesmo. Assim como as lojas que vendem tênis de mil reais para os rapazes do rolezinho, eles aceitam com todo prazer o pouquinho que eu deixo na TopShop e no cinema, e recebo o mesmo tratamento que os que la entram pra gastar em apenas um vestido o valor do meu carro. Creio que se o mesmo público que vejo no shopping JK resolvesse aparecer as centenas, correndo e gritando, o caos seria o mesmo, não?

    E só pra acrescentar: não discordo inteiramente do seu texto, São Paulo é sim uma cidade cheia de desigualdade, e é claro que eu, que frequento lugares tão opostos, sou capaz de perceber isso. Porém não creio que essas sejam as pessoas oprimidas em busca de igualdade. São pessoas conformadas com a posição na qual se encontram, que anseiam sim, assim como eu, pelas regalias dos que tem condições financeiras melhores, porém, enquanto eu decido buscar por esse mesmo nível social investindo numa faculdade, essas pessoas decidem tentar se igualar gastando com roupas e tênis caríssimos. Não são pessoas lutando por direitos, são pessoas que querem “causar” e “beijar muito”.

    E principalmente, com tanta gente que vive em condições precárias, acho um absurdo toda a atenção que tem sido dada em defender a atitude dessas pessoas, que assim como eu, levam uma vida confortável.

  24. Lucas Mofati 14 de fevereiro de 2014 / 09:24

    No meu primeiro dia de aula de Português na faculdade, eu tive o desprazer de ler o seu texto. Você distorceu fatos e omitiu outros que não lhe convém. Isso mostra uma clara intenção de manipular a informação para apoiar seu deturpado ponto de vista. Um exemplo de desonestidade intelectual tão grande, que quando eu li o seu texto me deu até gastrite. Mas se eu só falar da minha opinião querendo te convencer, eu vou acabar sendo igual a você, então vamos lá:

    O “Rolezinho no Shopping” não começou e nem é um movimento político, e nunca possuiu um ideal; começou como a materialização de uma “trollagen “coletiva, nada mais que isso, não importa quais características o você queria arbitrariamente atribuir a ele. Não se trata de uma rebeldia contra um sistema social, se trata em fazer bagunça do lado de fora do Shopping por puro prazer de bagunçar, além de criar um situação propícia para acontecer saques nas lojas.
    O Shopping não é feito para alguns, o shopping é feito para se entrar nele, e consumir, afinal de contas, ninguém investe milhões em um prédio, apenas para ver gente passeando nele. O que acontece é que com o tempo os Shoppings passaram informalmente a ter outras finalidades, como um simples lugar de encontro e passeio, porém com a segurança de um lugar fechado, se tornando uma espécie de “praça privada”.
    Existe um certo padrão nas pessoas que frequentam o Shopping, mas não é de classe, e sim de estética; Fica-se subentendido, que é um lugar para se ir mais “arrumado”, porém ninguém (exceto os maltrapilhos) é impedido de entrar por não estar bem vestido ; e quando digo “bem vestido”, não me refiro a estar com as roupas das melhores marcas, mas sim, um certo padrão, algo parecido com “as roupas mais novas do guarda- roupas”, porém independente de preço. Isso não é segregação, é um saudável acordo tácito de finalidade e lugar, afinal, além de compras, o shopping passou a ser um lugar para diversão em família, amigos, “happy hour” e paquera.
    O que não se pode ignorar é que existe uma certa exclusão, mas não é exclusiva de Shoppings, mas sim da sociedade; e não é referente as pessoas da periferia ou favela, mas sim com uma parcela menor e mais específica, que são os miseráveis e maltrapilhos, que algumas vezes não só são impedidos de entrar no Shoppings, mas também em muitos estabelecimentos comerciais ou repartições públicas, porém, isso é um problema a parte, que não esta relacionado com os “Rolezinhos”, tendo em vista que os próprios “Rolezeiros”, ostentam as mais caras roupas de marca e os mais modernos Smartphones.
    O que o “Rolezinho” coloca em evidência, não é uma segregação de público no shopping, que aliás,é ínfima e não é direcionada eles, o que o “Rolezinho” coloca em evidência é que os jovens de hoje em dia, estão se tornando cada vez mais irresponsáveis e fúteis, o que pode ser observado nos próprios “rolezeiros”, que anda abarrotados de marcas famosas (e bem caras) da cabeça aos pés, numa nova cultura de ostentação, em que quem não estiver com essas determinadas marcas no corpo, esta fora do grupo, ou seja, uma completa hipocrisia, para aqueles que dizem que isso se trata de um movimento de excluídos.
    Mas na verdade, o “Rolezinho” deixa em evidência um problema muito maior e mais grave do que uma suposta divisão de classes no shopping: O “Rolezinho” coloca em evidência esse novo “Zeitgeist” que veio se espalhando aos poucos e hoje predomina em todo o Brasil:
    O escudo da discriminação e injustiça social. Hoje o Brasil vive uma cultura de demagogia e do politicamente correto, onde qualquer pessoa ou grupo faz-se valer de acusações de discriminação, como uma defesa legal para atos ilícitos ou imorais, acusando o oprimido de opressor; o que retrata exatamente a situação atual em que os “Shoppings Centers” enfrentam hoje: ao impedirem que o “Rolezinho” vá para dentro dos “Shoppings”, estes são acusados de discriminação, dando assim, uma defesa para que esses jovens continuem a praticar esse ato; e para piorar, passam a ter apoio da mídia e de pseudo intelectuais, que atribuem externamente um ideal social ao um ato de puro e simples, vandalismo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s