Creeley, para além da moda

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O Brasil – ou a “cultura brasileira” – é um campo imprevisível. Talvez todos os países, todas as culturas sejam. Mas por aqui acontecem coisas realmente desencaixadas de qualquer tradição. Lembro-me disso ao ser forçado a uma espécie de retorno autobiográfico pela leitura de alguns poemas de Robert Creeley (1926-2005): já houve por aqui, no final dos anos 1990, uma “moda Creeley”. Autobiográfico, sim, porque digo isso como alguém que participou mais ou menos intensamente dela. Uma moda: poetas e mais poetas, de diversas gerações, que se encantaram com a poesia de Creeley, que pingava em traduções que foram se avolumando em pouco tempo (até a coletânea A um: poemas, lançada pela Ateliê em 1997, de R. Bonvicino), e começaram a reproduzir o seu estilo entrecortado, a sua fala fotográfica, minuciosa, até o ponto de saturar sua forma, de desgastar suas imagens, de fazer parecer um cacoete estilístico aquilo que em Creeley era pura força. Ou pior: de fazer com que a leitura de Creeley – do próprio Creeley – por aqui fosse sempre vinculada ao que dele vinham fazendo seus “seguidores”. Perdão, Bob! Não foi a primeira vez nem deve ser a última que isso acontece aqui (na verdade, na verdade, sei que não é tão imprevisível assim que um autor consiga chegar por aqui desse modo desastroso), mas é muito triste que isso tenha ocorrido com Creeley. De toda forma, essa breve introdução é apenas para comemorar o fato de que jovens tradutores estejam voltando a Creeley (como se pode ler nos links abaixo) e trazendo outros de seus incríveis poemas ao português, dando nova chance a um dos maiores poetas do século 20 de ser lido por aqui como se deve, para além de qualquer moda, para além de qualquer apropriação enviesada. Quem sabe assim, com nosso mínimo apoio, não chega por aqui uma antologia mais ampla da poesia desse gigante.

 

Creeley por André Caramuru Aubert (no Rascunho)

http://rascunho.gazetadopovo.com.br/robert-creeley/

 

Creeley por Guilherme Gontijo Flores (no Escamandro)

http://escamandro.wordpress.com/2012/09/10/o-amor-segundo-robert-creeley/

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