Antonio Cisneros: um poema e uma foto

cisneros bici

NATUREZA MORTA EM INNSBRUCKER STRASSE

Eles são (por excelência) trintões e têm fé no futuro. Muita fé.
Pelo menos é o que se deduz por suas compras (caras e a crédito).
Casaco de camurça (natural), Mercedes esporte dourado.
Para cúmulo (de meus males) deram agora para ser eternos.
Correm todas as manhãs (sob as tílias) pela pista do parque
e ingerem coisas saudáveis. Quer dizer, legumes crus e sem sal, arroz integral, águas minerais.
Depois de consumirem todo o oxigênio do bairro (o seu e o meu)
passam por minha porta (belos e bronzeados).
Olham-me (se é que me vêem) como a um morto com o último cigarro entre os lábios.

Antonio Cisneros (Peru, 1942-2012)

Poema do livro Monólogo da Casta Susana (1986)
Traduzido por Carlito Azevedo e Aníbal Cristobo
em Sete Pragas Depois (Cosac/7Letras, 2003)

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