Dilmar

O segundo turno já começou e é hora de tomar partido. A forma como os candidatos chegaram até aqui é, a meu ver, a mais perigosa: de um lado, alguém que chega mais frágil do que se imaginaria; de outro, alguém que chega mais forte do que se poderia esperar. Num ambiente assim, tanto um quanto o outro normalmente estão vulneráveis a todo tipo de acordo, de chantagem, de “virada” em troca de apoio. Em outras palavras, não estão em condições de oferecer resistência a todas aquelas forças destrutivas de que nossa sociedade é pródiga. É a hora em que são feitos os acertos, de um lado e de outro, para que, ganhe quem ganhar, o país perca, a sociedade perca, o povo perca. Mais explicitamente: os trabalhadores percam. É para isso que devemos ficar mais atentos ou, de certa maneira, já começar a lamentar. Há pouco o que fazer nesse campo. Considerando a forma como têm sido as relações entre forças econômicas e políticas no Brasil, nas próximas semanas, por baixo das disputas sobre quem é mais isso ou mais aquilo, serão forjados os compromissos que garantirão que o vencedor do segundo turno chegará ao mandato amarrado com cordas praticamente idênticas às do candidato derrotado. Pra onde correr? Um bom caminho é o de escolher os “seus” temas relevantes, estudá-los e tentar entender, a fundo, qual posição o partido e os aliados de seu candidato têm a respeito deles. O quadro será assustador, mas, no meu caso, em qualquer dos temas que considero vitais (distribuição de renda, moradia, saúde, emprego, educação, cultura etc.), o PT leva ainda uma boa vantagem sobre o que foi feito pelo PSDB nas oportunidades em que governou. O ideal seria estarmos agora vivendo um momento em que a polarização (empobrecedora) entre dois partidos não existisse, mas não foi essa a vontade dos eleitores ontem: estamos de volta ao mesmo embate que caracterizou a maior parte das eleições presidenciais do Brasil pós-ditadura. E é justamente observando o que cada um desses partidos fez neste período que, segundo meus critérios, não consigo simplesmente dizer que os dois são iguais (e anular) ou que o PSDB merece outra chance. Não sou afeito ao tanto-faz, nem ao tucanato. Vou dilmar.

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