Sete a um

Uma década de discussões com amigos sobre o que chamavam, nada carinhosamente, de Bolsa Esmola ou Bolsa Cabresto. E nada que eu dissesse era suficiente para fazê-los rever a condenação ao Bolsa Família – condenação econômica, política e moral, entre outras. Econômica: “é imposto de quem trabalha indo para quem não trabalha”. Política: “é compra de voto”. Moral: “é dar o peixe, quando deveria ensinar a pescar”. Pois bem, o abismo era grande mesmo: sempre achei que os impostos devem ser usados para distribuição de renda, que o voto das pessoas está ligado ao atendimento das necessidades que julgam urgentes (suas ou dos outros) e que peixes e aulas de pesca são coisas totalmente diversas. Dias atrás voltou o assunto e o abismo novamente se abriu: eles não votam no PT por causa disso e eu, se ainda voto, é por causa disso e de outros programas igualmente… irritantes. Seguiremos assim.
Em regra, eles votam no PSDB, não apenas agora, mas desde muito antes. Pois fico imaginando com que ânimo assistem agora aos esforços do Aécio para dizer, não apenas que vai manter, mas que vai ampliar o Bolsa Família. Sim, ampliar! E mais ainda: reivindica a paternidade (e a maternidade) do programa para FHC (e D. Ruth). Que coisa! Até a capa da revista em que piamente acreditam destacou, ao lado do rosto de Aécio, uma promessa relativa à continuidade do Bolsa Família. Desespero? Talvez nunca me digam como se sentem. Mas, no fundo, creio que eles já perceberam que o que estão chamando de PSDB não é mais a mesma coisa. Talvez, no íntimo, digam que vale tudo para bater o PT, inclusive mentir e vestir o disfarce incômodo de… petista. Deve ser dolorido.
Mais ou menos como se a seleção brasileira, depois de tomar 5 gols no primeiro tempo, voltasse para o jogo com o uniforme da seleção alemã tentando confundir a torcida e, principalmente, dificultar o passeio do adversário. Se o árbitro dessa partida fosse a nossa grande imprensa, não haveria problema algum nisso: seria bem possível sairmos convencidos de que o Brasil sempre usou uniforme vermelho, preto, tanto faz.
Talvez a estratégia funcione – e vai ser estranho (e triste) vê-los comemorando a vitória com o uniforme da outra seleção. Se não funcionar, vai ser ainda mais estranho (mas não tão triste) vê-los procurando o uniforme antigo, surrado, quando voltarem para o outro lado do abismo.

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Um comentário sobre “Sete a um

  1. Michele Viviane Vasconcelos 16 de outubro de 2014 / 22:31

    É Tarso, vivemos dias tenebrosos. .. a única certeza que eu tenho é que esse demônios do preto e vermelho tem que sair do poder. Entao, já que não tem tu, vai tu mesmo. Que vença o “menos pior de ruim…” abs

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