Reclamar no espelho

Ontem foi mesmo um dia triste, como diz o Prof. Jorge neste primeiro vídeo de uma série que certamente será fundamental para continuar lutando contra o PL da terceirização. ASSISTAM E DIVULGUEM, POR FAVOR. Dia triste porque, na véspera, foi aprovado o tal PL e, também, porque nos diversos lugares pelos quais passei a conversa com as pessoas deixou muito claro que grande parte da sociedade, mesmo aquela parcela que costuma ser a mais “esclarecida”, não tem sequer ideia do alcance destrutivo desse projeto. Alguns até estranham “tanto barulho” a respeito do PL, porque afinal já há terceirização por todos os lados. A estes, tenho que dizer: para o terceirizado que você já conhece (que vai dos serviços de limpeza e segurança até médicos, advogados, jornalistas e “consultores” de todo tipo), o PL significa não poder mais lutar contra sua situação precária. Mas o que está em jogo é muito mais grave, vai muito mais além de legalizar a situação precária dos já terceirizados. O foco do PL agora é possibilitar a TERCEIRIZAÇÃO AMPLA, GERAL E IRRESTRITA, para toda e qualquer função, o que significa, na prática, tornar uma imensa parcela dos trabalhadores em PATRÕES DE SI MESMOS. Há aí uma estratégia admirável: Eduardo Cunha e sua turma sabem que custaria muito caro politicamente ir até a Constituição e destruir os fundamentos do Direito do Trabalho que lá se encontram, para depois atacar, de morte, a CLT. Então fizeram um atalho: criaram uma lei que vai permitir a compra e venda de mão-de-obra COMO SE TRABALHO NÃO FOSSE, ou seja, passando ao largo da proteção do Direito do Trabalho. Isso mesmo: na impossibilidade de matar o Direito do Trabalho, deram um jeito de colocá-lo de lado para a maior parte dos trabalhadores, que provavelmente vão ser convertidos em pessoas jurídicas para realizar as mesmas funções que sempre realizaram como empregados. Por isso é que é tão fácil para nossos governantes continuarem dizendo que “ninguém vai mexer nos direitos dos trabalhadores”. Sim, os “direitos dos trabalhadores” podem ficar intactos, mas o que passaremos a considerar legalmente como “trabalhadores” será um grupo cada vez menor, normalmente aqueles que já são terceirizados hoje pelos serviços de limpeza e segurança, que ainda continuarão tendo um “patrão”. De resto, a terceirização – em especial na modalidade da “pejotização” – vai criar uma nação de “autopatrões”, de trabalhadores que são intermediários de sua própria mão-de-obra, não mais protegidos pela legislação trabalhista, mas apenas pelo contrato que “livremente” firmarem com outra pessoa jurídica. Daí em diante, se quiserem ser “reclamantes”, vai ser apenas em frente ao espelho.

O vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=J-o3CZNIsSw&feature=youtu.be

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s