Resumo da dispersão

Quase um mês de silêncio neste blog, logo aqui, sob este título, tudo porque me deixo levar pela velocidade lá do fb, espalho lá meus ruídos e acabo esquecendo de passar por aqui. Vou recolher abaixo um pouco do que publiquei lá, só pra não perder:

[15/junho] Ruminação do dia: como é que a gente convence alguém do erro e da covardia que é a redução da maioridade penal quando, no fundo, o que muitas pessoas querem mesmo – e já aceitam no cotidiano brasileiro – é a pena de morte, mesmo sem julgamento, inclusive para menores? Difícil, né?

[19/junho] BABUINEMO-NOS! É crente tacando pedra em quem é da umbanda, é militonto pixando a porta da casa de jornalista porque entrevistou a presidenta, é senador de oposição fazendo diligência na Venezuela para criar mal-estar pro governo, é estupro coletivo entre adolescentes dentro de escola, é católico ameaçando quem faz “mau uso” da cruz, é a “família brasileira” boicotando perfumaria porque aparecem gays no comercial de tevê, é fiscal incomodado com uma carta de 1928 em que um escritor fala para outro de sua homossexualidade, é professor constrangendo criança porque seus pais votaram na Dilma, é o Congresso disposto a desmanchar o sistema de direitos fundamentais, é arrocho, é ajuste, é austeridade, mas, ao que parece, nem tudo está perdido num eventual futuro:

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/06/1644815-bandos-de-babuinos-tomam-decisoes-democraticamente.shtml

[24/junho] Lógica

– Laura, nunca deixei pra fazer lição em cima da hora, não sou como você.

– Então, Henrique, já que você não é ‘como migo’, pega pra mim esse lápis que caiu no chão, porque eu não pegaria para você.

[24/junho] É a presente para GRITAR para vocês que acaba de virar e-book a belezura de livro em homenagem ao gigante Donizete Galvão, que nos deixou (mas não nos deixa e não deixamos que nos deixe) no início de 2014, que tive o prazer de organizar com Reynaldo e Ruy, reunindo 75 poetas para uma conversa multiplicadora com a poesia do Doni. Nem pensem em perder:

http://blog.e-galaxia.com.br/outras-ruminacoes-75-poetas-e-a-poesia-de-donizete-galvao/

[26/junho] Duas coisas para uma sexta colorida:

1) tem gente dizendo que essa onda colorida é besta porque a decisão é lá dos EUA e não muda nada para os brasileiros: muda, muda sim, muda mesmo, porque a força cultural (ideológica, poderia dizer) das decisões de um tribunal relevante como sempre foi a Suprema Corte americana tem todas as condições de influenciar futuras decisões dos juízes pelo mundo, inclusive nesta parte tão reacionária do mundo em que temos vivido, basta ver como é recorrente, nos grandes julgados em matéria constitucional (do STF e de cortes constitucionais pelo mundo), a meditação sobre os fundamentos de decisões que a Suprema Corte tomou historicamente. Que assim seja também agora!

2) enquanto a gente está aqui, com todo gosto, comemorando a decisão dos norte-americanos, vem o Dunga, com a truculência daquilo que no futebol se chama de “cavalo”, e diz “Eu até acho que eu sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar”, mostrando que a turma da CBF tem muito mais defeitos do que costumamos lembrar. Cartão vermelho nele. Já. Entenderam porque a gente tem que comemorar tanto uma decisão que eleva, um pouco que seja, o nível da represa do respeito?

A dunguice: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2015/06/26/dunga-defende-geracao-atual-e-lembra-jejum-de-40-anos-sem-copa-america.htm

[29/junho] PENÚLTIMO é um filme que André Zacchi fez com leituras de poemas do livro “Quando todos os acidentes acontecem”, de Manoel Ricardo de Lima. Tem ali a voz do próprio Mané, a de Davi, Eduardo, Flávia, Ricardo, Carlito, Heitor, Alexandre, Júlia, Marília, a minha e a de mais gente que entrou nesse abraço de pronúncias num livro e tanto:

https://www.youtube.com/watch?v=NLzGZ4Ij-Y0

[2/julho] Não foi na noite de ontem que descobrimos que Eduardo Cunha está disposto a tudo para fazer passar SUAS leis, seus interesses e os de seus patrocinadores. E tenho certeza de que fará ainda pior na votação em segundo turno, porque ele tem mesmo essa postura de trator contra tudo e contra todos. Com gente assim, só temos alguma chance se nos dispusermos a usar armas mais ou menos parecidas com as que ele usa. Porque ele ri das regras em que desesperadamente nos seguramos. Porque dentro das regras do jogo ele tem vantagens imensas e, se tais vantagens não bastarem, ele não hesita em quebrar as regras para alcançar seus objetivos. Por isso, é muito difícil acreditar em saída institucional e pacífica para uma encruzilhada tão grave como esta a que chegamos. Até porque é muito provável que a lista de desejos sórdidos de Eduardo Cunha ainda esteja longe de terminar, ou seja, não vai haver notícia boa enquanto a casa dele não cair.

PS: pode até parecer um erro – ou “injustiça” – colocar todo o peso do que estamos assistindo nas costas individuais de Eduardo Cunha, porque há a decisiva participação e conivência de muitos outros políticos, mas não tenho dúvida de que ele encarna pessoalmente alguns dos nossos males mais profundos. E faz questão, como poucos, de colocá-los em prática. Só isso já justifica que seu nome seja colocado em primeiro plano nas nossas pragas.

[3/julho] CASO MAJU. Faço questão de sujar meu perfil, o seu, o de todo mundo com essa imagem (o print das postagens racistas), com as palavras que estão escritas nela. Todos nós somos culpados por elas. Claro, os autores merecem ser responsabilizados pessoalmente, mas nós todos temos o dever de perguntar: O QUE DEIXAMOS DE FAZER DIARIAMENTE PARA QUE GENTE ASSIM SE SINTA À VONTADE PARA SE MANIFESTAR DESSA FORMA? Porque isso só pode acontecer numa sociedade que tolera – ora em ambientes restritos, ora como “piada” ou “deslize” – manifestações de racismo. Quem se indigna ao ler as palavras dessa imagem não pode deixar passar uma oportunidade de chamar um RACISTA de RACISTA, nem que ele seja seu vô, seu amigo, seu amor. Nem que vá azedar o happy-hour ou o almoço de domingo. Nem que a relação de vocês vá terminar ali. Ou na delegacia.

[6/julho] ETERNO RETORNO E cá estamos novamente forçados pelos golpistas de sempre a tomar a defesa do (in)defensável, não por ele, mas por nós?

[8/julho] TCHAU. Vou dormir. E meu sonho vai ser acordar e não ter mais nenhum “amigo” capaz de procurar um argumentinho sequer para relativizar o linchamento que hoje circula por aqui. Só isso. Se você, por algum instante, cogitou “entender” que alguém seja amarrado num poste e morto a chutes, vamos deixar essa conversa por aqui. Um simples clique em “desfazer amizade” – é o que peço.

[11/julho] A gente pode chegar até aqui lendo livros vermelhos, escritos por homens barbudos do século XIX em diante, mas, se preferirem ir pela Bíblia, sigam a instrução desse argentino:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/07/1653938-em-discurso-anticapitalista-francisco-prega-mudanca-de-estruturas.shtml

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