Índio, preto, branco

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No disco novo do Emicida há faixas, muitas, absolutamente magistrais. Letra e música unidas para demolir nossa indiferença. Há dias um de seus versos, da música “8”, me martela: “o sangue índio, o suor preto e as igrejas brancas”. Uma espécie de resumo da formação do Brasil – violência e mais violência para impor uma “ordem” que interessa a uma pequena parcela da sociedade. Nosso passado, nosso mais-que-presente. E hoje ouvi aqui uma frase que ele disse na tevê e me parece rasgar um pouco mais os trapos com que tentamos esconder aquela verdade: o Brasil que se formou e desenvolveu daquela maneira, hoje é o país em que “um táxi não pára para você (negro), mas a viatura pára”. No osso da questão, coisa de grande artista. Coloque essa frase ao lado das notícias sobre o massacre dos índios que resistem no Brasil e sobre os grupos do asfalto atacando ônibus que vão para o subúrbio do Rio (porque acham que a polícia deveria fazê-lo, para manter essa gente indesejada longe das suas zonas de privilégio social), e você terá um retrato preciso da nossa dificuldade de ser melhor que isso – e das razões pelas quais não podemos duvidar que ainda temos chance de ser pior que isso.

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