O quê?

sunshine

Eu gosto desses programas em que as pessoas cozinham. Mais dos que não são competição, mas reconheço que algumas competições são divertidas. Gosto até mesmo daqueles em que as comidas não são exatamente as minhas prediletas (Bela Gil, aquele abraço!). Enfim, perco um pouco de tempo em frente da tevê, sempre que dá, vendo coisas assim. Entre programas sobre o Alasca e, ultimamente, coisas como um construtor de casas na árvore, babo pelos pratos dos infinitos programas de culinária. No mínimo, têm função terapêutica: distraem.
Mas nem com distração temos dado sorte por aqui: ontem passava, tarde da noite, uma versão infantil do MasterChef. Assisti a dois blocos e, mesmo pescando de sono, fiquei espantado. Talvez porque as crianças (entre 9 e 12 anos, se não me engano) tremiam de nervoso; talvez porque algumas choravam ao errar (em pratos que pouquíssimos adultos têm habilidade para fazer); talvez porque os pais e mães num mezzanino ao lado ficavam pressionando aquelas crianças como numa briga de galos; talvez porque o discurso “profissional” das crianças tenha me assustado; talvez porque, ao final de cada bloco, os jurados davam a notícia dura de que para algumas crianças “a prova terminou ali”; talvez porque o prêmio, depois de tudo isso, será uma viagem pra Disney – e esse prêmio talvez seja uma tentativa (em que não acredito) de reinfantilizar justamente aquela criança que, durante a competição, mais terá sido… “adulta”. Ou seja: aquela que mais terá deixado de ser criança e suportado as cobranças, as decepções, as inseguranças, os holofotes, tudo aquilo que vai cercá-la naquela arena e, creio eu, marcá-la para sempre.
Pais e mães cometem erros tentando acertar, muitos já disseram e têm sua parcela de razão, ou mesmo porque simplesmente erram, até pelo excesso de empolgação com os talentos que vêem nos filhos. Mas isso jamais pode ser usado para justificar que sua torcida se converta numa cobrança violenta de “resultados”, de “performance”, enfim, de vitória. Aliás, aproveito a ocasião para o “mea culpa” de pai de jogador mirim que, à beira da quadra, já confundiu o grito de apoio com o de cobrança (e agradeço ao programa de ontem por permitir, com seus exemplos, que eu percebesse um pouco mais como não devo e não quero e não posso ser).
Pois bem, se o que vi ontem já tinha todos os temperos (ai!) para me assustar e fazer refletir, qual não foi minha surpresa ao abrir essa geringonça e descobrir que vários marmanjos estavam assistindo ao mesmo programa e fazendo comentários pedófilos no twitter a respeito de uma das “concorrentes”, que tem apenas 12 anos? Não vou arriscar aqui nenhuma relação entre as diversas formas de violência psicológica que pude observar no programa e a abjeta violência dos pedófilos, mas temos que reconhecer que, no mínimo, tais problemas nos colocam diante da necessidade incontornável de fazer uma pergunta sincera e radical:
– o que está acontecendo conosco?

PS 1: a propósito: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.ybof2vk0c

PS 2: E a coisa só piora: descubro agora que, além da turma da pedofilia, também havia a da homofobia – ou quem sabe sejam a mesma: http://entretenimento.r7.com/blogs/alvaro-leme/o-masterchef-junior-e-as-criancas-viadas-20151021/

PS 3: eu acho que é justamente por isso que é tão chocante: tinha tudo pra ser legal, ver crianças que têm tanto talento pra cozinhar, mas isso fica sob a lógica da competição. Não estão “cozinhando por cozinhar”, mas para ganhar, para se destacar, para resolver logo seu futuro (e o presente dos pais, às vezes). E não é algo desse programa, é um tipo de exploração da infância muito comum no futebol, na música, na moda etc., mas que é quase irresistível quando pensamos apenas nos que “deram certo”, nos que venceram, nos Neymares… Mas o efeito sobre a infância como um todo me parece terrível, porque sabemos que competição demais é péssimo até para os mais estruturados dos adultos, imagina pra quem está se (de)formando…

PS 4: Aliás, acabo de lembrar de um filme lindo, definitivo, sobre essa coisa de padrões, competições, crianças, famílias, que assisti pela quarta ou quinta vez alguns dias atrás: Pequena Miss Sunshine. https://www.youtube.com/watch?v=D7i_HNxQIm0

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Classe

(1) Lembro da professora que ameaçava com cascudos. Lembro do professor que marcava infinitos pontinhos negativos no diário. Lembro de um que nunca foi meu professor em sala, mas trabalhava na biblioteca e soube dessa minha coisa com livros e letras. Lembro bem da professora que dizia que daquela escola jamais sairia algo que prestasse. Lembro dos amigos, dos afetos, dos desafetos. Lembro da educação física, pão com molho, fila da cantina, inspetores, gargarejo com flúor, cuspir no balde, filas e filas, hino disso, hino daquilo, os cadernos fofos, os cadernos rotos, bic quatro cores, rodinhas de briga na porta, rachar pizzas, batida de uva. Lembro dos anos todos que começaram com o verbo “to be”. Lembro dos que falavam muito alto, dos que falavam muito baixo, dos que quase não falavam, dos que tinham algo a falar, dos que não sei se tinham. De alguma maneira, sou cada um deles, um pouco desse, outro daquele. Nunca vou ser mais do que um reflexo disso tudo – das aulas e de tudo que estava ao redor delas. E sou bem feliz assim. Jamais imaginaria, naqueles tempos, que passaria tantos outros anos dentro de escolas, querendo passar, na verdade, todos os outros que puder. Culpa-mérito deles. Grato, muito grato.

(2) Alguém me disse um dia, e lamento não saber exatamente quem foi (suspeito muito que foi o Eduardo), que ser professor era ler tudo o que puder, tomar notas e discutir os livros e suas notas com outras pessoas que também leram os mesmos livros e tomaram notas de suas leituras. Ainda acho que é algo por aí – ou, ao menos, que esta seria a situação ideal, ao menos para áreas em que os livros – textos e mais textos – são tão essenciais como aquelas em que tenho feito o papel de professor. Não sei se estou certo, mas é interessante imaginar a si próprio como uma espécie de homem-livro, um desses personagens que Bradbury imaginou em seu indispensável “Fahrenheit 451” (que Truffaut levou com perfeição para as telas), que decoravam livros para salvá-los do fogo até o momento em que suas palavras pudessem voltar a morar no papel. Esse misto de desafio ao “sistema” (e ao esquecimento/apagamento) e esperança num tempo melhor talvez já seja um bom motivo para comemorar hoje, mesmo em meio a tantas razões para concordar com as manifestações mais pessimistas. Que salas de aula sejam o lugar em que os livros – e tudo que eles representam – podem escapar da morte é um imenso estímulo a continuar por perto delas.

Sobre viventes

Coisa do nosso tempo: um abrigo subterrâneo, com salas de cinema, ginástica etc., em que 34 famílias poderão se proteger de armas químicas, tsunamis, “social anarchy” ou, quem sabe, o fim dos tempos. Se tiver interesse, entre aqui: terravivos.com.
É de se pensar qual seria o maior problema: TER ou NÃO TER milhões de dólares para se esconder enquanto uma catástrofe atinge o ~resto~ da humanidade?
Pode ser apenas a cópia para o mundo real daquilo que o cinema americano tantas vezes já simulou (tanto a destruição da terra quanto a sobrevivência a ela) ou mesmo a versão extremada dos condomínios fechados que encontramos em cada esquina, ou outra forma de dizer “vou pra Miami” ou nossa mania de Arca de Noé, mas é assustador demais pensar o momento em que – finda a catástrofe, afastada a ameaça – essas 34 famílias voltarão para a superfície e começarão a decidir como vai ser feito um novo mundo.
Este é o nó: que mundo será pensado por aqueles que podiam pagar milhões de dólares para sobreviver à destruição de outro mundo de que eles tiraram o fruto mais cobiçado? Suspeito que a resposta que daríamos hoje não se confirmará depois de uma imensa catástrofe, mas talvez ajude a entender nossas tantas catástrofes cotidianas.

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3123296/The-ultimate-doomsday-escape-California-entrepreneur-builds-1billion-luxury-underground-bunker-tiny-German-village-millionaires-event-apocalypse-survivors-live-year-without-leaving.html

Devagar com o andor

Por essas liminares, podemos acreditar que o STF está disposto a fazer valer um certo conjunto de regras que a oposição tem apoiado Cunha, O Bárbaro, a romper, uma vez que seus principais expoentes não vêm limite para a vontade de reverter, na marra, os resultados das urnas. Com isso, o STF (ou parte dele) não está interferindo no processo político contra a Presidenta – que pode vir a existir e atingir seja lá qual for o resultado -, mas dizendo que o jogo tem regras e que elas são importantes, não apenas para este momento, mas principalmente para o que pode vir a acontecer no país no futuro. À sua maneira, o que os ministros estão dizendo (e tomara que todos sigam assim) é que admitir que Cunha faça gato e sapato dos procedimentos que deveria respeitar pode custar muito mais caro ao país do que as crises atuais. Não precisamos falar dos efeitos colaterais de um golpe nem do fato de estar nas mãos de alguém como Cunha uma decisão de tamanha relevância (não apenas para um governo e alguns partidos, mas para o país), mas nas citadas liminares já se pode ver um alerta inconfundível: o caminho escolhido pela oposição para chegar ao poder não é um daqueles que nossa Constituição legitima. E mesmo quem quer ver Dilma cair deve ter a sensatez de reconhecer que é um preço alto demais fazer cair, com ela, a Constituição, o STF, a legalidade, a vontade popular, tudo isso que, a duras penas, tentamos fomentar por aqui. Em suma: a vitória de Cunha contra Dilma pode ser o seu sonho de consumo, mas ela vai ser bem mais do que a derrota de uma Presidenta. Ou alguém tem dúvida de que o preço do serviço prestado por Cunha envolve a manutenção das condições em que ele se tornou o que hoje é – um gângster?

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/10/13/stf-defere-queixa-de-paulo-teixeira-e-reforca-barreira-a-rito-de-impeachment.htm

Um PS: Publico um pequeno texto sobre a importância jurídica e política das decisões do STF quanto ao rito do impeachment. Saio um pouco e, quando volto, me deparo com comentários que, sem cerimônia, falam em desinformação, burrice e desonestidade. Mar revolto, sinal dos tempos. Não há espaço para ponderações democráticas, que nos últimos meses passaram logo de necessárias a suspeitas e, pior, de suspeitas a criminosas. Sem apelação. Nessa ótica, chamar a Presidenta por qualquer palavra que não seja um palavrão já é prova de um governismo que merece reprimenda. E tudo nos leva a calar ou a gritar também, devolvendo a violência já nem tão sutil daqueles que decidem vir até suas publicações para atacar um alvo que eles mesmos inventam. Mas, enquanto der, vou continuar tentando pensar as coisas com a calma possível – para mim e para aqueles que tenho visto que estão dispostos a entender, pensar e comentar o caos do noticiário com alguma serenidade. Reitero: enquanto der.

Resgates do facebook

[23/9] PENSE. O vídeo dos “revoltados” hostilizando João Pedro Stédile no aeroporto de Fortaleza (não vou postar aqui) é muito triste e preocupante. Não dá para menosprezar. Não dá para ignorar. Não dá para ironizar. Não é “normal” o nível de raiva que transparece nos gritos daquele grupo de pessoas: ao lado do refrão “MST, vai pra Cuba com o PT”, os xingamentos “comunista”, “assassino” e outros saem rasgando da garganta. É até estranho que não tenham chegado a agressões físicas, dada a forma como os “revoltados” fizeram o cerco e a (providencial) ausência completa de segurança. Gente queimando bandeiras é bem mais do que uma metáfora para a disposição que podem ter para queimar gente. Podemos elencar uma infinidade de razões para a revolta dos brasileiros, mas teríamos também que colocar ao lado duas colunas com (1) a forma como ela tem sido canalizada e (2) no proveito de quem. Será que alguém leva a sério a ideia de que algo assim – como os arrastões antiarrastão no RJ – pode ser a solução para nossos problemas? O que estamos vendo é apenas os problemas mudarem de grau, somando-se a outros e outros e outros. Cada um de nós tem o dever de ser responsável com a temperatura que esse caldeirão pode atingir. Se ele transbordar, apenas uma pequena escória (o pior de nós, os piores entre nós, o que já deveríamos ter superado) pode tirar proveito, porque ela se alimenta justamente dessa barbárie. Vou repetir meu bordão dos últimos tempos: a continuar assim, não tem como terminar bem. Não. Tem. Como. Terminar. Bem. Não tem.

[24/9] Cada morte violenta é um fio a menos no trapo que um dia chamamos de “tecido social”. Chegou a vez do Herinaldo. Ou Vinicius, como os amigos o chamavam até que um tiro da polícia interrompeu sua corrida a uma lojinha em que compraria um brinquedo. Ele tinha 80 centavos no bolso e ainda teve tempo de dizer a frase mais humana de que somos capazes: “eu quero a minha mãe”. Vocês também conseguem ouvir?

http://extra.globo.com/casos-de-policia/ele-estava-indo-comprar-uma-bolinha-de-pingue-pongue-diz-amiga-de-menino-morto-no-caju-rv1-1-17586088.html

[26/9] Horas e horas passeando por livros que apresentam soluções para alguns dos nossos maiores problemas (como devem funcionar as instituições, como devemos agir, como punir quem não age corretamente, como ajudar os outros, como tornar nossas relações mais humanas) e é quase inevitável sair da tarefa com fome e uma pergunta jurídico-gastronômica latejando na cabeça: com tanta receita boa, tantos ingredientes de primeira, tantos cozinheiros qualificados, por que o prato é quase sempre intragável?

[28/9] Deixemos Marte em paz, isto é, sem nós.

[28/9] Genial a organização do Roda Viva de hoje. Merece aplausos. Colocaram ao lado do Bicudo uma “militante” tão destemperada que, por contraste, faz com que ele pareça menos ressentido e golpista do que realmente é. Estão de parabéns. Hélio é um poço de serenidade ao lado da Janaína. Quase me enganaram.

[30/9] Quando chegar a vez do último sair ainda vai ter luz para apagar?

[2/10] Coitado do Cunha. Cinco milhões de dólares bloqueados na Suíça, bem agora que o dólar está quatro reais. Vingança do câmbio?

[3/10] De tanta insistência da minha tl, entrei no link para a “crítica” pretenso-demolidora dos livros selecionados para a semifinal de um concurso. Primeiro, não entendo por que gente tão radical se deixa pautar por concursos literários, por que têm tanto prazer em atacar selecionados para concursos, festivais etc., por que aparecem sempre nesses momentos. Segundo, desconfio sempre de leituras tão assertivas quanto ao que está selecionado, principalmente quando são assertivas também em indicar o que deveria ter sido selecionado e, inadmissivelmente (segundo seus critérios), não foi. Terceiro, por que repercute tanto, apoiada ou refutada, a violência do crítico? Júris são júris, representam uma entre as possíveis leituras que os livros todos merecem – não são a última, não são a única, tentam ser a melhor dentro do que podem fazer. Ingenuidade minha? Não, digo pela minha experiência. É claro que pode haver picaretagem aí, como em todo canto, mas isso exige demonstração, não uma acusação genérica a partir do que eu considero ser a (falta de) qualidade dos selecionados. Posso dizer que li os livros todos comentados ali, gosto mais de uns que de outros, vejo “problemas” aqui e ali, mas jamais vou entender que tais problemas justificariam o nível de condenação a que o crítico chega. Selecionar é sempre selecionar segundo critérios e, quando se trata de poesia, critérios são dificílimos, por exemplo, os critérios do referido crítico não são os meus e por aí vai. Temos que passar dessa fase. É deprimente demais que o momento em que a crítica literária (tratemos assim) mais nos chame atenção seja justamente o momento em que ela mais se afasta daquilo que poderia justificar sua existência – ser uma leitura mais completa e profunda que as dos simples apaixonados, sejam eles entusiastas ou detratores.

[5/10] Para nossa sorte, entre os bandidos, não deve chegar a 50% o índice daqueles que pensam que “vítima boa é vítima morta”. Alguém tem que ser sensato.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1690176-metade-do-pais-acha-que-bandido-bom-e-bandido-morto-aponta-pesquisa.shtml?mobile

[6/10] “Eu sou de um tempo em que a gente xingava políticos em hospitais e velórios” – espero contar isso para meus netos. E eles estranharem como já fomos bárbaros.

[7/10] À MESA. Inquietas, na mesa ao lado, três gerações da família comem alface, tomate, cebola e xingam Dilma. Mastigam arroz, crise, vinagrete e inflação. Cada garfada no filé carrega alho, farofa e ninguém-aguenta-mais. A mais novinha só come fritas. E a mesma boca que lhe pergunta se está “go-to-so” é a que chama Dilma de vaca. As bocas todas sorriem, mordem, grunhem. (O garçom, de passagem pela mesa, manda um tá-feia-a-coisa. Concordo.

Garotinho

osmar

Dias atrás, num shopping em SP, chegando tarde para um lançamento, saí do elevador e quase tropecei num senhor de cadeira de rodas. Olhei para me desculpar e vi um rosto muito conhecido: Osmar Santos. Sim, o Pai da Matéria. Engraçado dar de cara com alguém que não se conhece, mas de quem você se sente quase íntimo, pelo tanto que já conviveu com sua voz, seu rosto, sua história, tudo. Num tropeço, eu era o garotinho diante do cara que, narrando, conseguia converter qualquer fanático torcedor em um pouco também fã da sua voz, não apenas dos lances a que ela dava mais vida. Talvez isso explique o fato de eu ter automaticamente estendido a mão para cumprimentá-lo e, vupt, soltar a frase:
– “Ô, seu Osmar, obrigado pelo Gol Rita Lee!”
Ele riu, talvez porque deve ouvir, todos os dias, uma chuva de obrigados e referências às suas narrações incríveis. Talvez tenha ficado feliz ao ver mais um fã que interrompe seu caminho por esse mundo que, já há mais de 20 anos, ele não pode narrar. Pensando no sorriso de Osmar e na ironia que foi ele ter perdido justamente a voz – A Voz – num acidente estúpido, tenho ruminado desde então a estrofe inicial do “Poema de los dones”, em que o leitor J. L. Borges, cego entre livros, adverte:

“Nadie rebaje a lágrima o reproche
esta declaración de la maestria
de Dios, que con magnífica ironia
me dio a la vez los libros y la noche”.

Sem esforço, com alegria, a cada esquina desses versos que falam de “olhos sem luz”, reencontro um senhor que passeia sem voz pelo mundo – e é quase como se pudesse ouvi-lo.

Gol Rita Lee, aqui, a partir de 2m35: https://www.youtube.com/watch?v=loETYX2dkvo

O poema de Borges: http://antoniocicero.blogspot.com.br/2010/12/jorge-luis-borges-poema-de-los-dones.html

O documentário: https://www.youtube.com/watch?v=2TZjHvPUoHA