Resgates do facebook

[23/9] PENSE. O vídeo dos “revoltados” hostilizando João Pedro Stédile no aeroporto de Fortaleza (não vou postar aqui) é muito triste e preocupante. Não dá para menosprezar. Não dá para ignorar. Não dá para ironizar. Não é “normal” o nível de raiva que transparece nos gritos daquele grupo de pessoas: ao lado do refrão “MST, vai pra Cuba com o PT”, os xingamentos “comunista”, “assassino” e outros saem rasgando da garganta. É até estranho que não tenham chegado a agressões físicas, dada a forma como os “revoltados” fizeram o cerco e a (providencial) ausência completa de segurança. Gente queimando bandeiras é bem mais do que uma metáfora para a disposição que podem ter para queimar gente. Podemos elencar uma infinidade de razões para a revolta dos brasileiros, mas teríamos também que colocar ao lado duas colunas com (1) a forma como ela tem sido canalizada e (2) no proveito de quem. Será que alguém leva a sério a ideia de que algo assim – como os arrastões antiarrastão no RJ – pode ser a solução para nossos problemas? O que estamos vendo é apenas os problemas mudarem de grau, somando-se a outros e outros e outros. Cada um de nós tem o dever de ser responsável com a temperatura que esse caldeirão pode atingir. Se ele transbordar, apenas uma pequena escória (o pior de nós, os piores entre nós, o que já deveríamos ter superado) pode tirar proveito, porque ela se alimenta justamente dessa barbárie. Vou repetir meu bordão dos últimos tempos: a continuar assim, não tem como terminar bem. Não. Tem. Como. Terminar. Bem. Não tem.

[24/9] Cada morte violenta é um fio a menos no trapo que um dia chamamos de “tecido social”. Chegou a vez do Herinaldo. Ou Vinicius, como os amigos o chamavam até que um tiro da polícia interrompeu sua corrida a uma lojinha em que compraria um brinquedo. Ele tinha 80 centavos no bolso e ainda teve tempo de dizer a frase mais humana de que somos capazes: “eu quero a minha mãe”. Vocês também conseguem ouvir?

http://extra.globo.com/casos-de-policia/ele-estava-indo-comprar-uma-bolinha-de-pingue-pongue-diz-amiga-de-menino-morto-no-caju-rv1-1-17586088.html

[26/9] Horas e horas passeando por livros que apresentam soluções para alguns dos nossos maiores problemas (como devem funcionar as instituições, como devemos agir, como punir quem não age corretamente, como ajudar os outros, como tornar nossas relações mais humanas) e é quase inevitável sair da tarefa com fome e uma pergunta jurídico-gastronômica latejando na cabeça: com tanta receita boa, tantos ingredientes de primeira, tantos cozinheiros qualificados, por que o prato é quase sempre intragável?

[28/9] Deixemos Marte em paz, isto é, sem nós.

[28/9] Genial a organização do Roda Viva de hoje. Merece aplausos. Colocaram ao lado do Bicudo uma “militante” tão destemperada que, por contraste, faz com que ele pareça menos ressentido e golpista do que realmente é. Estão de parabéns. Hélio é um poço de serenidade ao lado da Janaína. Quase me enganaram.

[30/9] Quando chegar a vez do último sair ainda vai ter luz para apagar?

[2/10] Coitado do Cunha. Cinco milhões de dólares bloqueados na Suíça, bem agora que o dólar está quatro reais. Vingança do câmbio?

[3/10] De tanta insistência da minha tl, entrei no link para a “crítica” pretenso-demolidora dos livros selecionados para a semifinal de um concurso. Primeiro, não entendo por que gente tão radical se deixa pautar por concursos literários, por que têm tanto prazer em atacar selecionados para concursos, festivais etc., por que aparecem sempre nesses momentos. Segundo, desconfio sempre de leituras tão assertivas quanto ao que está selecionado, principalmente quando são assertivas também em indicar o que deveria ter sido selecionado e, inadmissivelmente (segundo seus critérios), não foi. Terceiro, por que repercute tanto, apoiada ou refutada, a violência do crítico? Júris são júris, representam uma entre as possíveis leituras que os livros todos merecem – não são a última, não são a única, tentam ser a melhor dentro do que podem fazer. Ingenuidade minha? Não, digo pela minha experiência. É claro que pode haver picaretagem aí, como em todo canto, mas isso exige demonstração, não uma acusação genérica a partir do que eu considero ser a (falta de) qualidade dos selecionados. Posso dizer que li os livros todos comentados ali, gosto mais de uns que de outros, vejo “problemas” aqui e ali, mas jamais vou entender que tais problemas justificariam o nível de condenação a que o crítico chega. Selecionar é sempre selecionar segundo critérios e, quando se trata de poesia, critérios são dificílimos, por exemplo, os critérios do referido crítico não são os meus e por aí vai. Temos que passar dessa fase. É deprimente demais que o momento em que a crítica literária (tratemos assim) mais nos chame atenção seja justamente o momento em que ela mais se afasta daquilo que poderia justificar sua existência – ser uma leitura mais completa e profunda que as dos simples apaixonados, sejam eles entusiastas ou detratores.

[5/10] Para nossa sorte, entre os bandidos, não deve chegar a 50% o índice daqueles que pensam que “vítima boa é vítima morta”. Alguém tem que ser sensato.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1690176-metade-do-pais-acha-que-bandido-bom-e-bandido-morto-aponta-pesquisa.shtml?mobile

[6/10] “Eu sou de um tempo em que a gente xingava políticos em hospitais e velórios” – espero contar isso para meus netos. E eles estranharem como já fomos bárbaros.

[7/10] À MESA. Inquietas, na mesa ao lado, três gerações da família comem alface, tomate, cebola e xingam Dilma. Mastigam arroz, crise, vinagrete e inflação. Cada garfada no filé carrega alho, farofa e ninguém-aguenta-mais. A mais novinha só come fritas. E a mesma boca que lhe pergunta se está “go-to-so” é a que chama Dilma de vaca. As bocas todas sorriem, mordem, grunhem. (O garçom, de passagem pela mesa, manda um tá-feia-a-coisa. Concordo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s