Devagar com o andor

Por essas liminares, podemos acreditar que o STF está disposto a fazer valer um certo conjunto de regras que a oposição tem apoiado Cunha, O Bárbaro, a romper, uma vez que seus principais expoentes não vêm limite para a vontade de reverter, na marra, os resultados das urnas. Com isso, o STF (ou parte dele) não está interferindo no processo político contra a Presidenta – que pode vir a existir e atingir seja lá qual for o resultado -, mas dizendo que o jogo tem regras e que elas são importantes, não apenas para este momento, mas principalmente para o que pode vir a acontecer no país no futuro. À sua maneira, o que os ministros estão dizendo (e tomara que todos sigam assim) é que admitir que Cunha faça gato e sapato dos procedimentos que deveria respeitar pode custar muito mais caro ao país do que as crises atuais. Não precisamos falar dos efeitos colaterais de um golpe nem do fato de estar nas mãos de alguém como Cunha uma decisão de tamanha relevância (não apenas para um governo e alguns partidos, mas para o país), mas nas citadas liminares já se pode ver um alerta inconfundível: o caminho escolhido pela oposição para chegar ao poder não é um daqueles que nossa Constituição legitima. E mesmo quem quer ver Dilma cair deve ter a sensatez de reconhecer que é um preço alto demais fazer cair, com ela, a Constituição, o STF, a legalidade, a vontade popular, tudo isso que, a duras penas, tentamos fomentar por aqui. Em suma: a vitória de Cunha contra Dilma pode ser o seu sonho de consumo, mas ela vai ser bem mais do que a derrota de uma Presidenta. Ou alguém tem dúvida de que o preço do serviço prestado por Cunha envolve a manutenção das condições em que ele se tornou o que hoje é – um gângster?

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/10/13/stf-defere-queixa-de-paulo-teixeira-e-reforca-barreira-a-rito-de-impeachment.htm

Um PS: Publico um pequeno texto sobre a importância jurídica e política das decisões do STF quanto ao rito do impeachment. Saio um pouco e, quando volto, me deparo com comentários que, sem cerimônia, falam em desinformação, burrice e desonestidade. Mar revolto, sinal dos tempos. Não há espaço para ponderações democráticas, que nos últimos meses passaram logo de necessárias a suspeitas e, pior, de suspeitas a criminosas. Sem apelação. Nessa ótica, chamar a Presidenta por qualquer palavra que não seja um palavrão já é prova de um governismo que merece reprimenda. E tudo nos leva a calar ou a gritar também, devolvendo a violência já nem tão sutil daqueles que decidem vir até suas publicações para atacar um alvo que eles mesmos inventam. Mas, enquanto der, vou continuar tentando pensar as coisas com a calma possível – para mim e para aqueles que tenho visto que estão dispostos a entender, pensar e comentar o caos do noticiário com alguma serenidade. Reitero: enquanto der.

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