Do fb

[27/10] O jornal me informa que entre 2010 e 2012 saíram MAIS DE 130 BILHÕES DE REAIS ilegalmente do Brasil. Não diz quanto saiu antes nem depois, mas a média deve ser parecida. Fico pensando como deve ser difícil ~esconder~ essa grana pra cruzar as fronteiras. E fico com a impressão de que é bastante ridículo acreditar em mudança verdadeira neste país antes do dia em que tenhamos uma lista precisa dos donos, operações e operadores dessa bolada. Doa a quem doer. Seria um bom recomeço da nossa história, com 515 anos de atraso.

[4/11] Começa no espelho, logo cedo, e se repete durante todo o dia – a caça ao idiota. Sem a caça permanente ao idiota e sem incluir o idiota que sorrateiro insiste em brotar em nós, não pode haver fuga do idiota, dos idiotas todos, porque todos eles – os políticos idiotas, os humoristas idiotas, os jornalistas idiotas, os convivas idiotas – contam, mais que contam, dependem de uma alma idiota aberta para sua propagação. Nossa missão urgente é decepcioná-los: porque nossa sobrevivência depende disso, porque a deles depende do contrário disso. Fica a dica.

[9/11] Um mar de lama, uma criança linda, um ato de coragem, outro de covardia, um poema incrível, um comentário-esgoto, um artigo preciso, desculpas esfarrapadas, uma conversa bacana, um caminhão de agressões, um carinho, uma porrada, um ponto pra vida, outro pra morte. Tudo isso diante dos seus olhos ao mesmo tempo. Se você tem mania de tentar entender as coisas – cada uma delas e, mais ainda, as relações entre elas – definitivamente o feicebuque não é o lugar a visitar antes de dormir. De todo modo, boa noite. Todo dia.

[11/11] Temos sido sempre assim. Só aprendemos quando já é tarde demais. Só acreditamos no risco quando ele já passou de ameaça a fato. E só agimos ainda mais tarde, muitas vezes quando não há muito o que fazer. Lendo as notícias terríveis que vão saltando por onde passa a onda de lama que saiu de Mariana e já está a mais de 500 km de lá, pergunto o que é que vamos (se é que vamos) aprender desta vez? E mais: o que é que vamos fazer não apenas agora, mas para evitar a repetição provável disso em outras Marianas do país e do mundo?

[13/11] PELE. “Pai, se eu for muito pra praia e ficar mais preta, vão me maltratar?” – foi o que me disse minha filha de 6 anos depois que tentei lhe explicar o que era a Consciência Negra. Quem já viu a Laura depois de um dia de praia sabe porque ela perguntou isso e também sabe como é difícil sair das encruzilhadas de suas perguntas. Tentei: “não, é bem pior que isso, não é de vez em quando, é o tempo todo, porque tem gente que não quer que os negros façam as mesmas coisas que os brancos, nos mesmos lugares, do mesmo jeito”. Ela ficou em silêncio, com cara de espanto e rejeição, como se estivesse tentando achar algum sentido no que eu disse, no que há por trás do que eu disse. Não achou. E seu silêncio diante do absurdo nos diz tudo.

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