Uma oficina de oficinas

POESIA TEM CONSERTO?

uma conversa sobre “ensinar a ensinar a escrever poesia”

Com Tarso de Melo

Qualquer curso costuma ter, no mínimo, as seguintes características: um objeto delimitado, uma metodologia preestabelecida, objetivos a serem alcançados e uma forma de avaliação. No entanto, quando o objeto do curso é “escrever poesia”, fica muito difícil chamar o curso de curso e ainda mais tentar delimitá-lo, estabelecer uma metodologia, fixar um objetivo válido para todos os “alunos” (se não há “curso”, como falar em “alunos”?) e avaliar o desempenho de cada participante.

Todas essas palavras, que podem fazer todo o sentido num curso de idiomas (por exemplo!), são bastante estranhas quando o assunto é poesia. Ao menos para mim. E é por isso que sempre começo as oficinas fazendo esta confissão aos participantes. Diante dela, eles se dividem: quem veio buscar uma “aula de poesia”, de que resulte a capacidade imediata de escrever poemas, sai da sala e não volta mais; quem veio ouvir e falar sobre poesia (e as outras coisas de que a poesia se faz), como parte de uma busca maior que ninguém consegue controlar (porque é pessoal, intransferível, imprevisível e, não raro, torturante), acaba aproveitando as horas que passamos juntos. E mais cedo ou mais tarde acha seus poemas por aí, bem longe da “sala de aula”.

Desta vez, no entanto, o desafio é de outro grau – uma oficina sobre oficinas de poesia –, mas talvez sofra das mesmas limitações: se ainda não tenho (temos?) resposta pacífica para a questão “é possível ensinar a escrever poesia?”, certamente é ainda mais inquietante a sua versão duplicada: “é possível ensinar a ensinar a escrever poesia?”. Veremos…

É este o desafio a que fui convocado pelo Coletivo Tantas Letras!, composto por aquela turma que nunca se assustou com a sinceridade da confissão acima, que agora me pediu para pensar uma “oficina de oficinas”, a partir da qual os participantes devem criar as suas oficinas de poesia daqui em diante. Não deve ser mais do que uma conversa (sobre nossas experiências de “professor” e “aluno” em outras tantas oficinas), mas das conversas com eles sempre saíram coisas incríveis. Que assim continue.

Livraria Alpharrabio, 13.02.2016, sábado, das 10h às 13h

(Rua Eduardo Monteiro, 151, Santo André/SP – tel. 4438.4358)

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