Voz de trovão

«Tenho fome de me tornar em tudo que não sou».

 

Reuben da Rocha lembrou hoje dessa ótima entrevista que Adolfo Montejo Navas fez com Waly Salomão (1943-2003), para a “Cult”, em 2001, e que está na íntegra na “Errática”.

Aqui: http://www.erratica.com.br/opus/12/

Lembro com muita alegria e admiração quando comprei um exemplar de “Gigolô de bibelôs” (1983), já em meados dos anos 1990, mas lembro também que só fui aprender a ler sua poesia tempos depois, quando assisti a algumas leituras que fez em São Paulo nos lançamentos de “Algaravias” (1996), “Lábia” (1998) e “Mel do melhor” (2001). Waly teve sua poesia reunida recentemente (“Poesia total”, pela Cia. das Letras, 2014) e eu caminhei por suas páginas, meses atrás, com a mesma surpresa de sempre e podia ouvir, a cada palavra, a voz de um grande poeta. Aliás, aprendi com ele algo que impacta muito na minha forma de ler poesia desde então: nem sempre estamos no tom certo para pegar por inteiro um poema, temos que dar/buscar o tempo do poema. Pode levar anos. Só peguei o tom da poesia de Waly ao ouvir sua leitura com voz de trovão, palavras em avalanche, um ser que se abre. Se descartasse sua poesia antes desse reencontro, o azar teria sido todo meu. E não quero cometer esse erro com nenhum poeta.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s