Ellen Meiksins Wood (1942-2016)

Ellen_Meiksins_Wood

Soube agora, em post do João Alexandre Peschanski, que Ellen Wood morreu ontem. Que triste, que perda enorme. A professora de Ciência Política do Glendon College (da Universidade de York, Toronto, de 1967 a 1996) está longe da fama de um ídolo pop, mas merecia um dia de Bowie, em que a gente ficasse trocando as ideias dela por aqui, assobiando seus “hits” por aí etc. (Pelo jeito, não terá, porque sequer encontro a notícia no google.) Para mim, é nada menos que a autora de alguns dos mais admiráveis ensaios que li na vida. É dela, por exemplo, a ideia de que mais gosto em minha tese de doutorado, mas ela não tem culpa pelos equívocos que certamente cometi a partir daí… Desde que me caíram nas mãos, leio os textos de Ellen Wood de um jeito até estranho, assentindo com a cabeça a cada linha, mas isso também não é culpa dela. Nas encruzilhadas que a elaboração de uma tese costuma ter, a leitura de Ellen Wood abria caminhos que eu jamais teria aberto sozinho. Além disso, Ellen Wood sempre foi, para mim, a prova de que profundidade e seriedade no debate intelectual pode passar bem longe de se confundir com hermetismo, preciosismo, dogmatismo, principalmente para quem não quer perder de vista o que realmente importa nas lutas sociais. Aqui no Brasil, pelo que conheço, foram lançados os seguintes livros: “Em defesa da história” (coletânea organizada com John B. Foster, Zahar, 1999), “A origem do capitalismo” (Zahar, 2001), “Democracia contra capitalismo” (Boitempo, 2003) e, mais recentemente, “Império do capital” (Boitempo, 2014). É possível ler muitos de seus textos, no original, em publicações como “New Left Review” e “Monthly Review”, na internet. Indico com entusiasmo, por todos, a leitura desse livro brilhante que é “Democracia contra capitalismo: a renovação do materialismo histórico”, reunião de ensaios que, de certo modo, iluminam as principais questões a que Ellen Wood dedicou toda sua vida. A clareza com que enfrenta e supera alguns dos impasses teóricos (internamente ao marxismo ou no confronto com outras correntes) para atacar as questões do nosso tempo sempre foi, para mim, um exemplo a ser seguido. Não tenho dúvida de que continuará viva por aqui. Gratidão, Ellen Wood.

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Um comentário sobre “Ellen Meiksins Wood (1942-2016)

  1. Anônimo 14 de janeiro de 2016 / 18:16

    anotado Tarso. Vou procurar ler o mais breve possível. Fiquei curiosa

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