Do fb pra cá: julho

[2/7] NO INTERIOR DO PENSAMENTO

O ano passado nos deu grandes livros de poemas. Se eu tivesse que escolher um, no entanto, é bem provável que ficasse com “Trilha”, do Leonardo Fróes, pela Azougue Editorial. Então, num sábado bonito, entrando em férias, nada melhor que começar o dia lendo a rara matéria da Folha sobre Leonardo Fróes e, de longe, assistindo à mesa dele na Flip com seu editor, o poeta Sergio Cohn. Ainda mais porque boa parte da semana que se encerra dediquei a andar por outras trilhas abertas pelo Leonardo Fróes – é delas que quero falar.

Explico: lá no site da Chão da Feira me deparei com um texto do poeta sobre os diários do “trapista rebelde” Thomas Merton. Já leram? Coisa fina.

http://chaodafeira.com/…/os-diarios-e-os-combates-de-um-tr…/
Você já deve ter visto o nome de Merton por aí, ao ler sobre catolicismo ou budismo ou contracultura ou poesia beat ou um monte de outras coisas.
http://www.correiocidadania.com.br/index.php…
No meio disso tudo, fiquei curioso para saber mais da história da última conferência que proferiu, seja porque o título era “Marxismo e perspectivas monásticas”, seja porque ele morreu num acidente besta em seu quarto ali, momentos depois desse vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=0m4sLu3iakQ
Religião não é meu forte, mas um poeta como Fróes consegue nos levar para onde não imaginamos e uma figura riquíssima como Merton também, talvez mais. Mandei então umas linhas para o Pucheu lá no Vale do Socavão, falamos um pouco de assunto, pensei muito nuns versos seus que me perseguem (“É bem verdade que continuo/ – ainda – fazendo livros,/ mas, hoje, minha arte,/ minha vida, é habitar um lugar […]”) e voltei ao filme incrível que Pucheu, Cohn e Gabriela Capper fizeram sobre/com Leonardo Fróes.

https://www.youtube.com/watch?v=5CJYNO96txA
Religião não é meu forte, já disse, poemas talvez sejam minha religião, mas sei que a curiosidade que uma figura como Merton desperta em mim está ligada ao fato de sua face mais evidente – para mim – ser a de alguém que, apesar do que nada se parece com isso na sua religião, leu e escreveu e escreveu e leu com uma disposição incrível para chocar-se, a cada nova curva, consigo próprio. E sei que aquela minha curiosidade só se justifica se eu mesmo estiver disposto a me chocar com o que sou hoje, aqui, assim, em cada linha que leio. Achei diversos textos de Merton e parte de seus infinitos diários (em parte traduzidos por Fróes): há bem mais que as certezas típicas da religião ali, pelo contrário, há muito mais de mergulho na dúvida, na contradição, nas bordas em que alguém (um religioso como Merton, um editor profissional como Fróes, um professor de Filosofia como Pucheu) se reinventa.

E é aí que se desvendam para mim os sentidos mais fortes de Merton e Fróes e Pucheu, e as casas que construíram cada um em seu canto, Getsemani e Secretário e Socavão, e a forma como a poesia de Fróes e Pucheu (não li a poesia de Merton) são o retrato desses seres que se diluem na experiência de que saem ainda maiores, mais livres, mais incríveis. Como mestres de algo que é maior que toda arte, toda ciência, toda religião: por enquanto, chamamos isso de viver. E vivemos?

 

[9/7] (onde deveria estar, onde sempre se achou que estivesse, onde seria justo estar, onde parecia óbvio que estaria, onde faz uma falta tremenda, onde os inimigos a procuram, onde os amantes imaginam que a prenderam, onde os indiferentes pensam que estaria, onde os professores fingem que está, onde os críticos não ligam que esteja, onde os cantores a perderam, onde os poetas não fazem ideia – é sempre no avesso desses sítios improváveis que algo a ser chamado de poesia comparece?)

 

[9/7] «Nunca la aceleración casi mecánica de las rutinas vitales ha sido tan fuerte como hoy. Y hay que tener tiempo para buscar tiempo. Y otra cosa: no hay que tener miedo al silencio. El miedo de los niños al silencio me da miedo. Solo el silencio nos enseña a encontrar en nosotros lo esencial.» (George Steiner)

 

[10/7] O poeta Dirceu Villa, que não está no fb, tem feito um belo trabalho em seu blog O Demônio Amarelo, falando de poesia, de política, dessas coisas que nos consomem. Passeiem por lá – e podem começar pelo texto recente sobre Leonardo Fróes:

http://odemonioamarelo.blogspot.com.br/2016/07/leonardo-froes-na-flip.html

 

[13/7] E se toda manhã fosse assim: na saída de casa, um livro do Carlos Felipe Moisés e um do Paulo Andrade (a tese cuidadosa sobre a poesia de Sebastião Uchoa Leite, que saiu pra casar com a edição de sua “Poesia Completa”); quando chego no escritório, descubro que a Maninha está com os volumes novos da coleção do Max Martins (desta vez, com prefácios preciosos de Maria Esther Maciel e Eduardo Sterzi) e que o Alberto Pucheu publicou um artigo falando de política, filosofia e poesia em que comenta uns garranchos meus? Que tal, hein, astros?

Aqui está o artigo do Pucheu: http://revistas.pucsp.br/index.php/fronteiraz/article/view/27144/20188

 

[13/7] Estou lendo “Walkscapes”, do Francesco Careri, e ando bem impressionado com a forma do livro: nada me parece melhor para um livro de reflexão sobre “andar à toa” (“andare a zonzo”) do que incorporar esse andar à toa – por entre imagens, obras, ideias – à sua própria forma de reflexão. Fui levado a ele por um post do Iuri, corri atrás do livro, depois descobri que o autor esteve na Flip dias atrás e que os jornais até haviam noticiado. Pelo jeito, minha atenção com as notícias também anda “a zonzo”… E é bom que assim seja.

Aqui dá pra ler o prefácio brasileiro do livro do Careri:

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/12.141/4884

 

[14/7] Se você leu algo do Marx ou mesmo do Piketty ou anda de olhos bem abertos para o que está acontecendo no Brasil, já sabe que o dinheiro só gosta de fazer o movimento vertical ascendente, ou melhor, toda estrutura jurídica, política, econômica do capital funciona para que o dinheiro suba e se acumule lá no alto, um olimpo em que poucos semideuses cruéis decidem o destino de todos nós. E essa decisão não costuma ser generosa, pelo contrário. Repare nos movimentos do governo golpista – ou, antes, mesmo no golpeado… – e verá que tudo se arranja rapidinho para garantir a migração da riqueza para as poucas mãos de sempre.

Pois bem, estamos aqui – e será difícil sair.

No meio disso, de livros, uma comidinha qualquer e uma bebidinha mais ou menos, na companhia de gente bacana, é que se vive melhor. Nos últimos meses, no entanto, um movimento tem ocorrido tão velozmente aqui em volta que assusta mais do que de costume. Digo: o círculo do consumo dessas joias se fecha cada vez mais por aqui na mão de gigantes: a Amazon bate quase sempre, com vantagem, o preço dos concorrentes, mesmo dos grandes; o mercado editorial, mesmo com a presença heroica e deslumbrante de pequenas editoras, amarga a sombra de conglomerados internacionais; a cada bairro você encontra uma loja da Swift que, pelo que dizem, bate muitos da concorrência; se não for na loja, um caminhãozinho chega até você; a loja virtual do Pão de Açúcar bate os preços do próprio Pão de Açúcar e entrega em horas na sua casa; o Sam´s Club, quando quer, vende importados mais baratos que todos os demais.

Você pode muito bem dar um jeito de viver sem nada disso, mas pagar mais caro nas lojas pequenas da concorrência para não apoiar os gigantes não é, por óbvio, o caminho mais feliz. Citei os gigantes internacionais, mas nos bairros mais diversos o movimento de concentração é bem parecido – por exemplo, farmácias, postos de combustível e até a cara patrocinada dos botecos de todos os tipos, sem contar a presença cirúrgica das agências de 3 ou 4 bancos imensos…

Não é por nada, não, mas se alguém aí tiver o spoiler dessa série e quiser responder, eu agradeço: termina bem?

 

[15/7] Eu nem sabia, então, dos corpos espalhados em Nice. E lá pelas tantas falamos de “Amuleto” e não imaginávamos que o mundo rachava um pouco mais à nossa volta e aquela mesa era o lugar em que, sem saber, resistíamos, como a personagem de Bolaño em sua leitura de poesia no banheiro. E nossa conversa, como sempre, cai para dentro de uns versos do Drummond ou do Mano Brown, mesmo quando passa por Bashô, Kopenawa, Ferlinghetti, Simone Weil, Violette Leduc, João Antonio, abraços de serpentes, o pão e a pedra, enraizamento. E nem lembrávamos que hoje seria aniversário de nascimento de Walter Benjamin (1892-1940) e de morte de Roberto Bolaño (1953-2003), mas ontem conversávamos – amigos, animados – sobre a coisa incrível que é “Os detetives selvagens”, que foi escrito por Bolaño, mas que bem poderia ter sido vivido por Benjamin: vida de tantas agruras, pensamento de tanta poesia. E que eles bem poderiam ter sido amigos e dividido boas conversas sobre as tantas coisas que os aproximam e tentar entender porque da poesia foram explodir na filosofia, na prosa, na nossa cabeça. E se a mesa, a nossa, tivesse durado mais, eu que gosto de lançar hipóteses absurdas e incomprováveis talvez chegasse a dizer – ou disse? – que Cervantes, que escreveu um dos livros mais incríveis de todos os tempos e línguas, já em nosso tempo ficaria satisfeito em assinar “Os detetives selvagens”. Mas isso não vem ao caso. Ou vem.

 

[15/7] Diante da dura lição diária de que qualquer aposta no campo da política partidária, por menor e “menos pior” que seja, tem sido fonte certa de decepção, o que se segue à questão “o que fazer?” é cada vez mais diferente das respostas que gostaríamos de ouvir, não?

 

[18/7] (Quando você toma conhecimento das jogadas a que se dedicam os que ocupam o andar de cima de nossas instituições e aqueles mais acima ainda, encontra outras razões para admiração e respeito por todos que, no andar de baixo, fazem as coisas funcionarem, dentro do possível, apesar de tantos pesares, na sua estreita margem de manobra. Normalmente, entre eles estão bons parceiros de resistência contra uma situação que, certamente, seria bem pior se dependesse apenas de quem, lá no alto, vê apenas poder & dinheiro em todas as coisas que nos importam para além de poder & dinheiro. O mundo tem lados. E fogo-amigo é presente pro inimigo.)

 

[19/7] A Escola sem Partido é parente da Educação Pública sem Orçamento, da Previdência sem Solidariedade, do Trabalho sem Direitos, do Hospital sem Gratuidade, da Estrada “Sem Parar”, do Banco sem Regras, do Lucro sem Imposto, da Moradia sem Morador, da Rua sem Pedestre, do Povo sem Renda, sem Casa, sem Saída… A família SEM é grande e faminta.

 

[19/7] Rubens Figueiredo: «nas circunstâncias presentes, receber muita atenção pode não ser nada bom». É verdade. Mas que, por essas contradições da vida, bem que ele devia estar entre as figuras que mais ouvimos, lemos, consideramos, divulgamos, ah isso devia. Por tudo o que diz, claro, mas também por tudo que não diz (metade das questões aqui são antes refutadas que respondidas!). Como um mestre faz.

http://rascunho.com.br/frio-como-gelo/

 

[22/7] E se eu disser pra vocês que nem sei mais o que dizer (fazer) sobre tudo isso aí, aqui, acolá que merecia que alguém – talvez eu – dissesse (fizesse) algo?

 

[22/7] CADERNETAS

Um dia, enfim, você percebe:
as que ficaram em branco
eram as que mais tinham a dizer.

 

[22/7] Tudo isso que a gente espera que venha depois da revolução mais plena é bem parecido com o que a gente vive quando se junta sem freios com os amigos, não?

 

[24/7] Lembremos: o que sobra diz muito sobre o que falta. Que o destino da cidade (e da economia e da mídia etc.) ainda seja decidido dentro de palácios diz muito sobre nosso fardo persistente, crescente. Vale muito a pena ler com calma as duas partes da reportagem.

http://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/07/1794827-mansoes-de-sao-paulo-ocupam-area-de-dois-parques-ibirapuera.shtml

 

[24/7] EL COS DE LA POLS, algo como “O corpo da poeira”, é o nome do presente que acabo de receber do Josep Domènech Ponsatí, que traduziu 6 poemas meus para o catalão e montou uma bela plaquete. Vou dar um jeito de imprimir algumas e enviar como um abraço pelo correio para os amigos, mas, desde já, compartilho aqui uma das traduções, seguida do original, feitas pelo Josep, que tão atentamente cuida dessa ponte entre português e catalão, de lá pra cá, de cá pra lá. Só posso mesmo agradecer.

 

ESCRIPTURES

 

ja ho saps, entre les flors

no hi ha cap turment

no hi ha dolor, no hi ha pèrdua

no hi ha gaire res a témer

espines només són espines

un pètal més, un de menys

i tot segueix així, jardí

que s’engoleix a si mateix

ni l’altra flor, aquesta que

baixa ara a la terra, punt final

en la frase aliena, és més

que un tipus de dolor

cobrint-se de pedra

i oblit

 

ESCRITAS

 

você sabe, entre as flores

não há qualquer tormento

não há dor, não há perda

não há muito o que temer

espinho é só espinho

uma pétala a mais, outra a menos

e tudo segue assim, jardim

engolindo a si mesmo

nem a flor outra, esta que

desce agora à terra, ponto final

na frase alheia, é mais

que uma espécie de dor

a cobrir-se de pedra

e esquecimento

 

[25/7] Num momento em que mídia, governo e empresariado batem pesado para convencer a todos de que a “saída da crise” é o desmanche dos direitos sociais, é obrigatório ler os argumentos e dados desse precioso texto do Prof. Jorge Luiz Souto Maior:

“Com efeito, segundo notícia veiculada pelo site da Revista Exame, em 08/04/2016, o ano de 2015 embora tenha sido um ano amargo para muitas empresas no Brasil, várias outras, “na contramão da crise”, registraram ganhos recordes no período. A reportagem lista as 25 empresas com os maiores lucros de 2015 e aponta o Banco Itaú como a empresa que teve o maior lucro anual já visto no Brasil, de R$23,35 bilhões de reais. Em segundo lugar vem o Bradesco com lucro de R$17,18 bilhões, e, em terceiro, o Banco do Brasil com R$14,39 bilhões. Na sequência vêm: AmBev, R$12,42 bilhões; Santander, R$6,99 bilhões; BTG Pactual, R$5,62 bilhões; JBS, R$4,64 bilhões; BB Seguridade, R$4,20 bilhões; Cielo, R$3,51 bilhões; Telefônica Vivo, R$3,42 bilhões; Braskem, R$3,14 bilhões; BRF, R$3,11 bilhões; Cemig, R$2,49 bilhões; BM&FBovespa, R$2,20 bilhões; TIM, R$2,07 bilhões; Ultrapar, R$1,50 bilhão; Tractebel, R$1,50 bilhão; Kroton, R$1,39 bilhão; EDP Brasil, R$1,26 bilhão; CSN, R$1,25 bilhão (que havia registrado prejuízo de R$ 105,21 milhões em 2014); Copel, R$1,19 bilhão; WEG, R$1,15 bilhão; Porto Seguro, R$1,00 bilhão; Taesa, R$909,42 milhões; e CCR, R$ 874,36 milhões.”

http://www.jorgesoutomaior.com/blog/a-encruzilhada-reveladora-do-golpe

 

[25/7] SUPLICY. Ontem circulou aqui uma matéria muito esclarecedora sobre as mansões de São Paulo, casas que chegam a custar 97 milhões, e hoje o ex-senador Eduardo Suplicy (PT/SP) foi detido enquanto se opunha ao uso de força numa reintegração de posse em terreno ocupado por cerca de 350 famílias na zona oeste da cidade. Não se pode omitir que a reintegração é realizada pelo Judiciário, com auxílio da Polícia Militar, mas foi requerida pela Prefeitura municipal, que tem à frente, neste momento, o mesmo partido de Suplicy. Isso só reforça ainda mais a necessidade de refletirmos sobre os limites do modelo de sociedade em que estamos imersos: não é uma figura besta de linguagem dizer que a cidade é um campo de batalha entre interesses fundamentalmente antagônicos. E cidade, aí, está longe de ser uma abstração. Toda a estrutura jurídica e política da cidade está marcada por esse mesmo antagonismo, o que quer dizer que, mesmo que Suplicy viesse/venha a ser prefeito, é bem provável que o Judiciário e a PM, cumprindo o tipo de proteção pesada que nossa legislação dá à acumulação da propriedade privada, sairiam carregando o então prefeito da mesma forma esdrúxula como se fez hoje, ou até mesmo o carregariam metaforicamente para fora do cargo. A cidade tem donos, poucos, e a prefeitura é um ponto privilegiado desse campo de batalha: o fato de que seja ocupada ora por alguém mais próximo de um dos lados, ora por alguém mais próximo do outro, não muda substancialmente a realidade de que, nos moldes atuais, quem ocupe a cadeira de prefeito está em grande parte amarrado a reproduzir um modelo de cidade excludente, ainda que, neste caso específico, o fundamento seja um laudo que comprova o risco de deslizamento no terreno. Tudo isso faz parte do que carinhosa e acriticamente chamamos de “respeito à lei”. Portanto, o grande peso do que aconteceu hoje com Suplicy – um conflito que, num primeiro plano, é com a PM, mas que é, também, com os limites de sua própria atuação institucional – é nos fazer pensar em saídas que estejam para além do campo já conhecido da “institucionalização dos conflitos”, dentro do qual o resultado é sempre o mesmo, isto é, em favor de quem o delimitou. Não foi por acaso que Suplicy, com seu estilo já até folclórico de agir para além dos protocolos e rococós da política profissional, foi detido hoje quando, com seu gesto, indicava que o povo tem que bloquear o uso do poder que, no papel da Constituição, dizem que é seu, quando o tal poder seja usado para esmagar suas condições mínimas de vida. Seria absurdo, creio, esperar qualquer deferência especial da PM com Suplicy e o que ele representa. Não foi por acaso. Foi um recado: não estamos todos do mesmo lado.

 

[26/7] a franja da encosta cor de laranja capim rosa chá o mel desses olhos luz mel de cor ímpar o ouro inda não bem verde da serra a prata do trem a lua e a estrela anel de turquesa os átomos todos dançam madruga reluz neblina crianças cor de romã entram no vagão o oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da manhã e a seda azul do papel que envolve a maçã as casas tão verde e rosa que vão passando ao me ver passar os dois lados da janela e aquela num tom de azul quase inexistente azul que não há azul que é pura memória de algum lugar teu cabelo preto explícito objeto castanhos lábios ou pra ser exato lábios cor de açaí e aqui trem das cores sábios projetos tocar na central e o céu de um azul celeste celestial

https://www.youtube.com/watch?v=kS1zGVi3Uxs

 

[26/7] «People are the most important things in the world for me. I don’t at all mean that in a humanistic sense. It’s just that they are the most insistent and most demanding and most complex presences offered to me.» Robert Creeley, nessas conversas antigas que parecem ainda mais plenas a cada revisita.

http://www.theparisreview.org/interviews/4241/the-art-of-poetry-no-10-robert-creeley#.V5gbpvOl06I.facebook

 

[29/7] em tempos de temer, trump & outros terrores, sejamos índios:

[…] quem me dera ao menos uma vez explicar o que ninguém consegue entender que o que aconteceu ainda está por vir e o futuro não é mais como era antigamente quem me dera ao menos uma vez provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante e fala demais por não ter nada a dizer quem me dera ao menos uma vez que o mais simples fosse visto como o mais importante mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente […]

https://www.youtube.com/watch?v=nM_gEzvhsM0

 

[30/7] Duas certezas sobre Deus: se foi ele que fez o mundo, deve estar se perguntando “foi pra isso?”. E Milton Nascimento deve ser sua razão para manter essa coisa mais ou menos funcionando. Aproveitem.

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