Do fb pra cá: junho

[1/6] MUITO GRAVE: investigação sobre fraudes em perícias trabalhistas para beneficiar grandes empresas nas ações judiciais.

http://www.prsp.mpf.mp.br/sala-de-imprensa/noticias_prsp/31-05-16-operacao-hipocritas-mpf-revela-fraudes-em-pericias-medicas-em-campinas-e-sao-paulo

 

[1/6] Ocupações, manifestações e marchas como as de hoje em SP, apesar da repressão violenta (ainda que esta não seja exatamente imprevisível…), dão um ânimo incrível para as lutas todas que temos pela frente. É claro que governos inimigos (e ilegítimos!) são um combustível mais eficiente, mas essa ocupação, em amplo sentido, de todas as esferas de decisão, tem que ser permanente, mesmo em governos mais favoráveis às transformações de que dependemos. Se alguma herança boa o noticiário atual pode nos deixar, creio que é apenas o compromisso de não deixar que ele se repita impune e eternamente. Quando dizemos que “um outro mundo é possível”, esquecemos que do lado de lá também há quem o diga, mas pretendendo um mundo ainda pior, em que poucos vivam bem e os outros desapareçam. São justamente aqueles poucos que têm tudo a temer quando muitos decidem dar as caras e exigir o que é seu.

 

[1/6] “O homem da caverna do Vale da Utopia”: uma imagem linda, agora com uma notícia boa, para quem é ameaçado porque não há “uma hipótese legal” para sua forma de viver.

http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/noticia/2016/06/suspensa-a-liminar-que-determinava-a-saida-do-vilmar-godinho-da-caverna-5823562.html

 

[3/6] Um poema traduzido por Joan Navarro:

 

“HABITO UN COS”

seria millor, ho sé, dir que l’ànima s’escampa

oceânica

sense pes, sense frens, sense fi, llavor

 

però el que hi ha, sota la matèria i la seva fatiga,

és aquesta espècie d’aranya

famèlica i maquinal

cabdellada en la seva pròpia teranyina

 

“HABITO UM CORPO”

seria melhor, sei, dizer que a alma se espalha

oceânica

sem peso, sem freios, sem fim, semente

 

mas o que há, sob a matéria e sua fadiga,

é esta espécie de aranha

faminta e maquinal

enovelada em sua própria teia

 

Tarso de Melo, “Poemas 1999-2014”, Dobra Editorial, 2014.

 

[3/6] Possidonio (1931-2016) fica.

Nosso amigo Antonio Possidonio Sampaio faleceu na manhã de hoje. Para nosso conforto, a despedida se deu depois de duas ou três semanas difíceis ao fim de uma vida longa, boa, feliz e intensa. Foram 84 anos dedicados a ideias e ações que tornassem melhor a vida de todos. E, sem dúvida, o modelo dessa vida melhor poderia ser a vida do próprio Possidonio. Ficamos aqui, tristes e gratos, lendo seus livros e fazendo o que ele mais gostava: cultivando o futuro.

 

[4/6] COMPANHEIRO

 

água parada, sabíamos, não era sua vida

mais cedo ou mais tarde iremos, você iria

 

tantos anos, quase todo dia,

gostávamos tanto de falar

quanto de um não dizer que mais dizia

 

e assim estávamos sempre conversando

cada um lendo suas coisas

escrevendo suas coisas

mas num assunto sempre mesmo

ao nosso modo, fundo, mudos

 

e hoje, um hoje tão longo

passei o dia a dois metros da última conversa

certo de que ela não terminará

a milhas da coragem do último abraço

o corpo frio que não lhe cabe

o corpo frio que não nos cala

 

foda, amigo, foda

foi olhar da porta da sala

em que você sempre estava

as fotos das crias, das lutas, do que importa

e ver que até a cadeira chorava

 

e alguém, talvez um eu que juntos fizemos,

folheava um a um os seus livros

procurando o leitor que lhes falta

 

[6/6] Estava lendo ____________ e me questionei: diante disso tudo, não seria melhor deixar de perder tempo com _____________ e se dedicar de verdade a _____________, pra depois não dizer que _____________?

 

[6/6] Bela entrevista com Maria Filomena Molder: «Quem se dedica à filosofia está na disposição muito precoce de considerar que a vida é um enigma. Não estou a dizer que outros seres humanos não estejam nessa disposição, pois a filosofia desenvolve qualquer coisa que existe em todos os seres humanos. Se calhar, a certa altura, percebe-se que o enigma não pode ser decifrado.»

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-06-06-Maria-Filomena-Molder-So-comecamos-depois-de-continuar

 

[6/6] Cruzamos agora aquela curiosa época do ano em que vários carros têm grandes adesivos informando “sou amigo do fulano” ou “sicrano: neste eu confio”. É campanha fora de época, por isso não há indicação de cargos, números ou partidos. E eu fico sempre com a impressão de que um futuro político quer nos dizer como lidará com a lei quando esta proibir algo do seu interesse.

 

[7/6] MENINO A MENOS. Tem que morrer. Tem que prender. Tem que matar. Tem que esfolar. Tem que sumir com o corpo. Tem que desaparecer. É o que pede, em coro, o homem com medo. “Faremos casas de medo,/ duros tijolos de medo,/ medrosos caules, repuxos,/ ruas só de medo e calma”, disse Drummond. Nascemos, crescemos (crescemos?), multiplicamos homens com medo. Homens com medo e ódio. Com ódio, porque com medo. Muito ódio, muito medo. Os homens temem e odeiam em bloco. Unem-se pelo medo, multiplicam, juntos, seu ódio. Bairros inteiros odeiam, cidades inteiras odeiam, países, continentes querem ver sangue. Pensam as máquinas do ódio, fazem os cercos do medo, aplaudem o sucesso de suas armas. Por medo, com ódio, o Brasil é um país que transformou uma parcela gigantesca de sua população – a maioria dela – em refugiada dentro de seu próprio país. Por medo, com ódio. E não são os refugiados de que falam a lei, as constituições, os tratados. São refugiados cruelmente reais, mais reais do que toleramos, afogando-se nos mares que agitamos. Para eles, não há, não haverá, não pode haver acolhimento. Abaixo de certa linha da grana, a partir de certa cor da pele, acima de determinado topete – estar vivo é suportar o carimbo do inimigo público, do intruso, do pé-na-cova. E assim somos, a cada dia, um menino a menos.

 

[9/6] Parece que o menino estava armado. Há indícios de que ela usava drogas. Um tiro foi disparado contra os policiais? Você gostava de sexo grupal? Nas delegacias, nos jornais, na mesa ao lado, investigar é acusar a vítima. É desmontar a vítima. Ele mereceu, ela mereceu, eles sempre merecem, até quando não merecem. É o mérito que têm, é a meritocracia que lhes cabe. É a parte que lhes cabe nesse latifúndio, uma cova grande para carne pouca.

 

[10/6] (Pra quem gosta de boxe, não há surpresa em aprender a admirar um lutador pela forma como ele age quando é atacado, inclusive pelas inúmeras porradas que ele aguenta.)

 

[10/6] Já compraram a Cult deste mês? O dossiê é sobre poesia contemporânea brasileira. Tive a alegria de ver um poema meu lá, comentado pelo Alberto Pucheu, que coordenou o dossiê. Mas o mais importante é que, nas 26 páginas dedicadas a apresentar algumas das vozes poéticas da nossa época, Pucheu conseguiu também reunir um time de jovens críticos que nos dá a boa esperança de que a poesia que tem saído por aqui (grande em quantidade e qualidade) terá na crítica literária interlocutores capazes de dançar as novas danças a que esses poetas convidam. Maravilha!

 

[10/6] O frio congela o cérebro, então não consigo decidir o que é mais estranho: que a esposa do Cunha tenha gasto 34 milhões sem saber de onde o dinheiro vinha ou que Cunha tenha visto 34 milhões saindo de suas contas sem perguntar pra onde o dinheiro ia?

 

[12/6] No dia em que alguém mata 50 pessoas por serem gays, não temos direito de descansar. No dia em que alguém, por ódio, ataca pessoas que sequer conhece, temos que começar a reconstruir tudo que perdemos e proteger tudo que corremos o risco de perder. Temos o dever de ler, com cuidado, o perfil do assassino, não apenas para saber o porquê do seu ato, mas principalmente para desvendar o quanto dele pode estar ao nosso redor e o que temos feito ou deixado de fazer que alimenta esse tipo de ódio e permite que chegue ao extremo da eliminação física. Infelizmente, esse cara não era uma exceção, não era um completo estranho, e o que ele representa não foi embora do mundo com sua morte. Se quisermos que vá, temos muito trabalho pela frente.

 

[13/6] (O discurso só-certezas da ignorância bruta e o capricho do pensamento perfeito em suas categorias limpinhas não são, em verdade, dois caminhos que levam ao mesmo lugar?)

 

[13/6] Estão no ar os vídeos do debate ocorrido na semana passada na Unicamp, a partir dos livros “A legalização da classe operária” e “Para a crítica do direito”. Confiram lá.

https://www.youtube.com/watch?v=XkiD_0S_990&feature=youtu.be

 

[14/6] Estudante de direito é o ser que, com cara de ontem, come porção de fritas e toma fanta uva na manhã gelada da padoca, mas, quando vira autoridade, repreende alguém por discrepar da “conduta média”. Vai entender…

 

[14/6] Bem podem acontecer, num governo, coisas fora do controle do governante, mas esta desculpa só vai valer até o momento em que o governante tome ciência do que ocorreu. Se, ainda assim, mantiver e justificar o que ocorreu, é sua, sim, a responsabilidade. O prefeito Fernando Haddad, portanto, se não agir urgentemente contra isso, é responsável pela crueldade que a GCM está fazendo contra as pessoas que dormem nas ruas de SP. A gente já não anda com muitos motivos para se empolgar com governante algum, mesmo com aqueles que, aqui e ali, tomam medidas que apontam para uma cidade melhor. Contudo, diante de uma medida assassina como essa, o que há de acerto na gestão nada representa. Não bastasse existir gente sem casa na cidade mais rica do país, é inadmissível que um prefeito – que se apresenta à esquerda do anterior e da maior parte daqueles com que disputará a próxima eleição – tome os poucos pertences que podem garantir a sobrevivência na madrugada congelante. Simplesmente inadmissível.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,com-frio-recorde-morador-de-rua-tem-colchoes-e-papeloes-retirados-por-gcm,10000057014

 

[14/6] Nos 30 anos da morte de Jorge Luis Borges, republico aqui um de seus poemas que costuma ser o meu predileto entre tantos prediletos:

 

OS JUSTOS

 

Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire.

O que agradece que na terra exista música.

O que descobre com prazer uma etimologia.

Dois empregados que em um café do Sur jogam um silencioso xadrez.

O ceramista que premedita uma cor e uma forma.

O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.

Uma mulher e um homem que leem os tercetos finais de certo canto.

O que afaga um animal adormecido.

O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.

O que agradece que na terra exista Stevenson.

O que prefere que os outros estejam certos.

Essas pessoas, que se desconhecem, estão salvando o mundo.

(“A cifra”, 1981, trad. Josely Vianna Baptista)

 

[14/6] (Não ando gastando muito tempo com futebol, muito menos com essa coisa tão distante do futebol que é a seleção brasileira, mas Dunga e Gilmar Rinaldi vão fazer falta: poucas coisas são tão patéticas quanto as justificativas deles para os vexames da seleção. E parece mesmo que Tite vai assumir aquela bomba, cercado de cartolas que não podem usar o passaporte. Azar do Tite. O Corinthians deve apanhar um pouco até se reorganizar, mas não é uma tragédia e, se for, paciência: temos coisas mais importantes pra resolver neste planeta, não?)

 

[14/6] 516 anos. E os índios que estão nas terras que interessam aos brancos são mortos aos montes: sem registro. 516 anos. E os negros que enfrentam os limites definidos pelos brancos são mortos: como culpados. 516 anos. E as mulheres que não acatam (e mesmo quando acatam!) as ordens dos homens são mortas: como suspeitas. 516 anos. E os pobres que não se dobram à máquina que reproduz a riqueza dos ricos são mortos: como inimigos. 516 anos. E os trabalhadores que querem respeito aos direitos que ainda têm são mortos: como uma afronta. 516 anos. E os «diferentes» que não se escondem (e mesmo quando se escondem!) são mortos: como um mal. 516 anos. E crianças que brincam com os brinquedos alheios são mortas: como um aviso de que 516 anos foram pouco. Eles querem mai

 

[15/6] SP ZERO GRAU ZERO

Cobertores, colchões, barracas, jornal, papelão

: há um corpo a respirar – ainda – entre eles.

Favelização, desfavelização, refavelização.

Enquanto o prefeito pensa o todo e o futuro,

as partes caem sem amanhã, a curtíssimo prazo.

É assim que tem que ser? Sempre?

 

[17/6] Da suspensão de atividades necessárias à implementação e defesa dos direitos humanos à supressão real desses direitos é um passo. O nome disso é, sem rodeios, Estado de exceção.

Alguma dúvida?

 

[17/6] ENCRUZILHADA

Já vimos muito isso em livros, filmes e jornais. É um clássico: uma quadrilha se reúne para roubar um banco, dá tudo certo no assalto e, na hora de dividir a bolada, vão surgindo outros bandidos, inclusive entre aqueles que deveriam prender os ladrões, e todos vão se matando até que o dinheiro não fica com nenhum deles ou fica com o mais improvável deles.

No golpe atual a coisa tem sido assim. Parece que, até arrancar Dilma na cadeira, todos, inclusive instituições e imprensa, estavam unidos por um mesmo objetivo, por uma mesma tara, por um mesmo cofre a saquear. Nessa marcha ficavam em segundo plano as divergências internas e os interesses conflitantes dos golpistas. Ninguém parecia ser capaz de apontar sua arma para quem cavava o túnel ao seu lado, mas agora aponta. E atira.

Foi só suspender Dilma, com a impressão de que o restante da missão seria facílimo, a união entre os golpistas se desfez e a harmonia que prometiam não veio. Pelo contrário: é bala pra todo lado. Como no roubo a banco, ninguém quer ser preso e muito menos devolver sua parte da grana. E assim o Brasil segue com um noticiário cada vez mais estonteante.

Se há um maestro a reger os golpistas (o que acho improvável), é muito difícil identificá-lo. As armas estão apontadas para a cabeça de algumas das figuras que, há um mês, pareciam estar blindadas.

Estamos numa encruzilhada: ou essas denúncias todas contra a cúpula do golpe chegam até onde devem chegar ou teremos a maior ressaca de nossa vida política. Lembram que os grampos falavam em “grande pacto nacional” e até em anistia?!?

Pois bem, se a ideia era deixar Michel Temer tranquilo à frente de um governo de ratazaninhas distraindo o povo enquanto as ratazanonas derrubavam seus problemas com o Judiciário, parece que não deu muito certo. Tem caído um ministro atrás do outro e as denúncias contra os “líderes” vão ganhando corpo. Com algum otimismo, podemos dizer que a coisa saiu do controle dos golpistas.

Vai passar muita água sob a ponte entre o #foratemer e o #voltadilma: água revolta, obscura, imprevisível. Resta saber se será forte o bastante para levar todo o lixo que ninguém mais consegue esconder e fede a céu aberto.

Tenho minhas dúvidas. E são muitas.

 

[17/6] Eu sei que a concorrência se dá em profundíssimo nível, mas no ministério do Temer minhas (contra)condecorações seriam de Alexandre de Moraes e José Serra, coincidentemente dois tucanos paulistas. É, mais uma vez, São Paulo oferecendo para o país seus heróis da truculência. Se há gente ali disposta a desmanchar a frágil estrutura sócio-econômica do país em favor dos poucos de sempre e outros tantos (ou os mesmos) tentando salvar a própria pele, Moraes e Serra representam o complemento de violência interna e submissão externa necessárias para o ~sucesso~ desse projeto de demolição. Em resumo de alerta: não adianta um “Fora Temer” que não seja um “leve esses canalhas com você”.

 

[17/6]

Progresso e
Órdem

 

[21/6] Um trecho da “Teoria do Medalhão”, de Machado de Assis, o aniversariante do dia, chateado já em 1881 com o que rolava na tela do seu celular, trollando um novato em redes sociais:

«– Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina, e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de idéias, ainda assim pode não passar de uma traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das botas novas. Eis aí um sintoma eloqüente, eis aí uma esperança. No entanto, podendo acontecer que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas idéias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As idéias são de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as sofreemos, elas irrompem e precipitam-se. […] A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos, almofadinhas, coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o atrevimento e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores dela mediante ações heróicas ou custosas é um sestro próprio desse ilustre lunático. O verdadeiro medalhão tem outra política. Longe de inventar um ‘Tratado científico da criação dos carneiros’, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos. Uma notícia traz outra; cinco, dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos do mundo. Comissões ou deputações para felicitar um agraciado, um benemérito, um forasteiro, têm singulares merecimentos, e assim as irmandades e associações diversas, sejam mitológicas, cinegéticas ou coreográficas. Os sucessos de certa ordem, embora de pouca monta, podem ser trazidos a lume, contanto que ponham em relevo a tua pessoa. Explico-me. Se caíres de um carro, sem outro dano, além do susto, é útil mandá-lo dizer aos quatro ventos, não pelo fato em si, que é insignificante, mas pelo efeito de recordar um nome caro às afeições gerais. Percebeste?»

 

[22/6] COMO VOCÊ ESTÁ SE SENTINDO? No que você está pensando? Já viu, cara, aquele vídeo? Já aplaudiu aquele projeto? Já comentou as grandes coisas dos últimos dias? E as pequenas? Já riu de todos os memes? E perseguiu as dicas de livros, textos, vídeos, discos, eventos? E as fotos bacanas? E as vaquinhas que valem a pena? E os aniversários, os tantos aniversários cumprimentáveis? Você perdeu tudo, cara, tudo. E os protestos sérios? E as denúncias urgentes? E as piadas esclarecedoras? E as conquistas dos amigos? E suas derrotas? E o clamor dos desconhecidos? As amizades, cara, as amizades!? Já curtiu as páginas curtíveis? Já compartilhou todo o compartilhável? E os crimes, cara, quantos!? E as receitas, as promoções, as promessas? Já entrou nos grupos que podem ser bons? Já saiu daqueles em que não queria ter (sido) entrado? Como assim, cara, como assim?

 

[24/6] A vida de muitos dependendo do fim de todas as fronteiras, a grana de poucos erguendo barreiras ainda mais altas: acho que já ouvi um Barbudo falar disso lá no séc. XIX…

 

[24/6] Você, meu amigo, que foi dormir ontem achando que era trampo demais resistir e lutar contra o golpe aqui no Brasil, mas acordou hoje sendo lembrado de que a luta é global, contra uma tendência de desmanche bem mais ampla – sei bem como é, tâmo junto.

 

[27/6] É de uma tristeza imensa essa notícia do menino de 11 anos pedindo socorro no facebook contra as agressões que a mãe sofre por querer se separar do seu pai. Pra não perder o pouco sono, prefiro ver aí, no menino, uma geração que pode ser melhor que as anteriores – porque, no mínimo, está disposta a denunciar e romper quaisquer laços para enfrentar esse tipo de violência. Tomara, tomara.

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