Do fb pra cá

[12/1] Aproveito essa prova do alto nível do “jornalismo” brasileiro para dizer que gostei muito do recente disco da banda desse pobre senhor, “símbolo de uma nova era do trabalho”, que, junto a outro notório inaposentável, Keith Richards, continua trabalhando enquanto vocês só pensam em se aposentar. Shame on you!

 

[12/1] Essa história do Mick Jagger não se aposentar mexeu comigo… pensar que o coitado, desde muito jovem, sempre trabalhou em horários impróprios, fins de semana, locais insalubres, fumaças variadas, ruído excessivo, remuneração variável, contato com público, pressão por resultado, deslocamentos, alimentação fora de casa, privação do convívio familiar. Por isso que ele vive dizendo que não consegue ficar satisfeito. Entendo.

 

[16/1] E o prazer de saber que, ao publicar essa notícia aqui, gero um trânsito de informações que enriquece um pouco mais 2 ou 3 desses senhores da lista? Nada como se sentir participando assim de um momento tão bonito da história da riqueza…

http://economia.uol.com.br/noticias/efe/2017/01/15/oito-pessoas-tem-mesma-riqueza-que-50-mais-pobres-denuncia-oxfam.htm

 

[16/1] No meu perfil, tem uma galera que acha que essas fortunas vieram do “esforço e talento individuais”. E que tamanho acúmulo de riqueza não tem nada a ver com política. Pelo contrário, acham que esses “gênios empreendedores” são vítimas da política… vai entender…

 

[17/1] Preso por desobediência: nada mais digno nesses tempos. Força, Boulos.

 

[17/1] Pipocando aqui fotos de uns rapazes deitando na avenida pra parar os carros. Sem temores, à luz do sol, “perto do Metrô Ana Rosa”, diz a legenda, ou seja, naquela que é a região – digamos – mais bem equipada da cidade. Estou encafifado: será que não se trata apenas de uma ação teatral promovida pelo Doria para espalhar arte e, assim, embelezar a cidade? Ou seria já a campanha do Geraldo pra ganhar as eleições presidenciais de lavada, na mesma proporção de sua reeleição? Deve dar certo.

 

[18/1] MERLÍ. Para quem zapeia por aí procurando o que assistir enquanto o carnaval não chega, passem por uma série catalã chamada “Merlí” (dica da Maria Fernanda, grato!). A receita é simples: um professor de filosofia cercado de adolescentes. Cada episódio tem algum diálogo com um autor ou escola de filosofia, mais como provocação à reflexão do que explicação teórica, apenas para dar vazão aos conflitos todos que se sobrepõem na série: entre o professor e a coordenação, entre os alunos e seus pais, entre alunos e alunos, entre os professores e os alunos, quase tudo dedicado a expor os choques inevitáveis entre – digamos – padrões sociais e paixões pessoais. Dramas, brigas, paqueras, romances, traições, enfim, os mesmos ingredientes das boas e más histórias, mas aqui eles me pareceram muito bem arranjados. Alguém dirá que não passa de uma espécie de “Malhação” com pitadas de filosofia – que seja. Com disposição, no entanto, o professor Merlí pode lhe garantir algumas horas de diversão e boas ideias pra ruminar. De quebra, uma vontade enorme de tomar Estrella Damm comendo fuet…

(Na Netflix já tem a primeira temporada, com 13 episódios, mas lá fora já passou a segunda, com outros 13, que dá pra assistir no site com legendas em catalão… ô língua boa de ouvir!)

 

[19/1] John Douro é gênio: está trocando uma cidade com muros coloridos e desenhados por uma cidade com muros cinzas gritando contra si.

 

[19/1] Uma pulga atrás da orelha chamada Brasil: os homens cujos interesses poderiam ser atingidos pelas decisões do Ministro seriam capazes de (mandar) matar? E aqueles, em especial, que podem influenciar na nova nomeação no STF e, assim, mudar o rumo dos processos de que estão na mira?

 

[20/1] Nooooooooosssssssssaaaaaa!!!

Eis o lema da bandeira nacional.

 

[20/1] Fixe seu pensamento no que realmente é importante. Perceba que a felicidade alheia é a base da sua. Hoje, por exemplo, o MERCADO acordou feliz e otimista com Trump, mortes, quebras. Sorria.

 

[21/1] Se seu coração está apertado porque Trump está trampando (argh!) na Casa Branca, o dia é bom pra pegar uma pipoca, um guaraná e juntar os amigos pra assistir “O invasor americano”. Tem o jeitão do Michael Moore, entre a autocrítica do imperialismo e a esperança orgulhosa nos Estados Unidos, mas abre várias janelas para aquilo que de melhor a inteligência pode construir: generosidade, por exemplo.

 

[23/1] Por que ministros nunca morrem soltando pipa na laje do bairro onde nasceram? Por que filhos de governadores nunca se acidentam no campinho da vila? Por que candidatos a presidente não perdem seus compromissos porque o carro velho deixou na mão? Estamos tão acostumados com essa proximidade entre as altas autoridades e a alta grana, entre quem vive na melhor fatia do serviço público e a turma do suprassumo do luxo, que nem grifamos mais essas credenciais quando aparecem em acidentes como o de Teori Zavascki, o do filho de Alckmin, o de Eduardo Campos. É claro que as autoridades podem ser “amigas” e conviver com quem elas bem entenderem, mas é estranho que passem seu tempo livre – almoços, jantares, viagens… – e troquem gentilezas caras (como emprestar aviões, helicópteros, fazendas) justamente com aqueles que podem se favorecer de arranjos com o Estado. Precisamos falar sobre isso…

 

[24/1] “Os derrotados são aqueles que deixam de lutar”. Volto sempre a esse pequeno depoimento do presidente Mujica, porque ele tem o poder de um grande poema, daqueles que, a cada reencontro, soam ainda maiores, mais profundos, mais completos. Para mim, em especial, as palavras desse humano José parecem enfeixar uma infinidade de ideias que gravitam na cabeça a partir das leituras e vivências mais variadas. Em suma: tá tudo aqui. Em dez minutos incomensuráveis.

 

[24/1] Espero que D. Marisa se recupere logo e bem, como todas as outras pessoas que sofrem neste momento. Mas soube que há “gente” por aí comemorando o AVC, em parte pelo sofrimento que lhe desejam, mas muito mais pelo sofrimento que desejam ao presidente Lula. A estes dedico a foto e peço que aproveitem para desfazer amizade comigo. Não é por ela, não é pelo Lula. É porque não acredito que tenha algo a compartilhar com quem vive nesse grau de embrutecimento.

 

[25/1] «Isso explica a crescente posição anti-humanista que agora anda de mãos dadas com um desprezo geral pela democracia. Chamar esta fase da nossa história de fascista poderia ser enganoso, a menos que por fascismo estejamos nos referindo à normalização de um estado social da guerra. Tal estado seria em si mesmo um paradoxo, pois, em todo caso, a guerra leva à dissolução do social. No entanto, sob as condições do capitalismo neoliberal, a política se converterá em uma guerra mal sublimada. Esta será uma guerra de classe que nega sua própria natureza: uma guerra contra os pobres, uma guerra racial contra as minorias, uma guerra de gênero contra as mulheres, uma guerra religiosa contra os muçulmanos, uma guerra contra os deficientes.»

http://www.ihu.unisinos.br/564255-achille-mbembe-a-era-do-humanismo-esta-terminando

 

[26/1] Um poema traduzido por Joan Navarro:

 

quanto vale a cidade lá fora,

o silêncio dessas colunas que espantam

a praça, quanto vale cada deus,

cada santo colado nessas paredes,

cada banco desses em que a tarde

se acalma, em que se ouve

alguém respirar, em que pensar

é possível, quanto vale essa parte

da máquina que parece descansar,

quanto vale esse relógio

que não se incomoda com as horas,

esse sino a lembrar que – da porta

para fora, do outro lado desses vitrais

que tanto valem – o tempo

é dinheiro e dispara

 

Tarso de Melo, in “TranSPassar”, diversos autores, antologia organizada por Carlos Felipe Moisés e Victor Del Franco, SESI-SP editora, 2016.

 

| quant val la ciutat allí fora, / el silenci d’aquestes columnes que espanten / la plaça, quant val cada déu, / cada sant enganxat en aquestes parets, / cada banc d’aquests on la tarda / s’asserena, on se sent / algú respirar, on pensar / és possible, quant val aquesta part / de la màquina que sembla descansar, / quant val aquest rellotge / que no s’incomoda amb les hores, / aquesta campana recordant que –de la porta / cap enfora, de l’altre costat d’aquests vitralls / que tant valen– el temps / és diner i dispara

 

[27/1] (demolir os muros que há em você | reduzir a velocidade das suas vias internas | colorir os caminhos da vida que resta | sabotar o poder da mídia na sua própria cabeça | inventar uma nova política a cada gesto | e que ela, de tão nova e de tanto não caber no mundo velho, seja a mola do salto de que dependemos)

 

[28/1] (Pensando em montar uma gangue. Esquema simples: cada um pega seus exemplares da Ilíada e da Odisseia, as traduções mais diversas, a gente combina numa praça, lê e debate durante uma ou duas horas, depois volta pra casa registrando os versos mais bonitos de Homero nos lugares mais improváveis. Até o dia em que todos percebam que nunca escapamos daqueles poemas.)

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