Do fb pra cá

[31/1] Quando você toma a decisão, de um dia para o outro, de mudar algo que você costuma fazer (comer, beber, gastar, ser etc.), por acaso considera que tudo o que você faz (come, bebe, gasta, é etc.) não se construiu em você de um dia para o outro? Pedras talhadas a ondas e mais ondas dependem de pancadas e mais pancadas para talhar em si outras formas

 

[1/2] (O noticiário deprime, sim,

mas apesar de, apesar de,

apesar de, apesar de tudo,

tem uns bons camaradas

fazendo coisas bem bonitas

das suas vidas! E aí talvez

esteja a senda a seguir.)

 

[1/2] Vocês têm acompanhado a coluna “O cuidado da poesia”, que o Alberto Pucheu coordena no site da revista Cult? Está cada dia mais incrível o conjunto de reflexões reunidas lá. Tem o próprio Pucheu, tem o gigante Leonardo Fróes, tem Bruno Machado sobre Annita Costa Malufe; tem Vicente Franz Cecim, Guilherme Heurich, Roberto Corrêa dos Santos; tem Susana Scramim escrevendo sobre Angélica Freitas, Paula Glenadel, Lu Menezes, Josely Vianna Baptista, Claudia Roquette-Pinto e Ana Martins Marques; tem Flavia Trocoli sobre Simone Brantes, Piero Eyben sobre Age de Carvalho, Betty Mindlin sobre Josely Vianna Baptista, Simone Brantes sobre Caio Meira, Claudio Oliveira sobre Renato Rezende, Leonardo Gandolfi sobre Horácio Costa, Heleine Fernandes de Souza sobre Marília Garcia, Maurício Gutierrez sobre Leonardo Gandolfi; tem Victor Heringer, Edimilson De Almeida Pereira, Tatiana Pequeno, Marcelo Diniz, Danilo Paiva Ramos, Ricardo Aleixo. Passem por lá!

http://revistacult.uol.com.br/home/category/alberto-pucheu/

 

[1/2] Parte dos servidores do Estado no RJ está há meses sem receber seus salários regularmente. Quando se revoltam, a “grande” imprensa trata de pintar os trabalhadores como inimigos. Lembramos uma dura lição: temos que ser mesmo inimigos de tudo que conspire, em qualquer dos poderes públicos e privados, para a naturalização desse estado de coisas, que, infelizmente, é apenas a antessala caótica de uma derrubada ainda mais ampla de direitos, serviços, universidades etc.

Todo apoio à luta dos servidores.

 

[2/2] Essa imprensa porca e seu público espúrio têm tanta pressa de noticiar a morte de Marisa Letícia que trocam os pés imundos pelas mãos sujas e, de modo contundente, noticiam, isso sim, que “nossa” imprensa e a sociedade que a engole a seco sofreram uma irreversível morte cerebral.

Já sabíamos que eles não ligam para a verdade, para qualquer verdade, porque se transformaram num ramo menor da publicidade barata e da propaganda política mais rasteira, mas sua irresponsabilidade, gigante, ainda cresce. Tanto ódio cego assusta.

Quem se presta a isso, lamento, não tem cura.

 

[2/2] Um nó na cabeça e no coração. Sempre fui o cara que gastava tempo tentando convencer os amigos de que o melhor lugar para nós era aqui mesmo, não “apesar dos problemas do país”, mas “por causa” deles, para ajudar a resolvê-los, para fazer frente a todos que insistem em reproduzir e aprofundar nossos problemas. Mas, de uns tempos pra cá, é cada coisa que acontece neste país que, se não chego a defender que meus amigos sigam para outros países, ao menos não tenho ânimo para demovê-los da vontade de ir embora – ainda que nem sempre seja pelas mesmas razões que se movem. As notícias que chegam dos professores que vão sendo demolidos junto com as universidades a que tanto se dedicam, o ruído da máquina de destruir sonhos que se tornou a vida pública no país, todo esse grunhido que o ódio espalha até na porta de hospitais, o caldo disso engasga até o mais otimista dos pessimistas. De outro lado, no entanto, a gente levanta a cabeça do noticiário brasileiro e olha para o que o mundo vai se transformando e vai ficando cada vez mais apertado o coração cheio de amigos que estão espalhados por aí, em alguma medida expostos a outras tantas formas de ódio que nosso tempo tem sido pródigo em alimentar. Onde é a saída?

 

[2/2] “Aécio definiu conluio em licitação em Minas”… estava refletindo sobre o estilo da manchete que a Folha deu hoje sobre mais uma delação que envolve Aécio Neves. Alguém usa a expressão “definir conluio” para falar que um governador exigiu propina dos empreiteiros? Sei lá, fico achando que doeu no peito do redator ter que falar abertamente “Aécio exigiu propina de empreiteiras” e ele foi buscar esse “definiu conluio em licitação”… alguém que passe distraído pela manchete pode até sair dizendo que “esse Aécio é bom mesmo, definiu conluio em licitação. Não é qualquer um que define conluio, ainda mais em licitação. Cabra bom!”. Na próxima, é bem provável que digam “Servidoria logra encontrar numerário não-declarado em conta de adversário de Dilma em banco sediado na Schweizerische Eidgenossenschaft”. Bobagem da minha parte?

 

[2/2] Vim de escolas públicas desde os 6 anos de idade. Do “pré” ao doutorado. Meus amigos mais próximos também. E sempre me chamou atenção que, nesse longo percurso, nunca tenha feito amizade com alguém que virou ou é médico. Ninguém. Não tenho um telefone de médico gravado no meu celular. Até onde sei, meus familiares também não têm. Hoje em dia, tenho alguns amigos fazendo curso de medicina (em boa parte viabilizados por políticas desenvolvidas pelos governos Lula e Dilma). Enfim, digo tudo isso para destacar: o lugar social que a maioria dos médicos ocupa é vergonhosamente elitista e, por isso, tão gritantemente insensível ao que chamamos de vida neste triste país.

 

[5/2] É difícil explicar, mas em algumas manifestações públicas – de luta, revolta, protesto ou, como a de ontem em SBC, de respeito e solidariedade – a gente sente que as pessoas estão no seu lugar mais natural, totalmente à vontade ali no meio da rua reencontrando velhos amigos, puxando papo com desconhecidos e vendo de perto algumas pessoas famosas. Tinha tristeza lá, claro, mas tinha muito mais vontade de homenagear, agradecer e comprometer-se com o futuro das mesmas lutas. As ruas, as calçadas, os botecos, a padaria, tudo se enchendo com a naturalidade de pessoas que parecem nunca ter saído dali. No meio daquele fluxo, tudo que você quer é que aquelas pessoas não voltem para casa. Que chamem outras pessoas. Que transformem outras ruas e bairros também em lugares de encontro, partilha, sorriso, luta e defesa de uma vida melhor para todos. Que assim seja.

 

[6/2] Eyjafjallajökull

 

só os mais atentos

ao som do fogo antes da chama

sabem que amanhã pode ser

o dia em que aviões terão medo

de passar perto de seu grito

e voar sobre sua cabeça

quente, quente

 

[6/2] Tem luta que é para a vida toda. Tem outras que, de cara, sabemos que são perda de tempo. Para quem quer tanto a morte de Lula, não adianta pedir que não comemore a morte de Marisa. Para quem quer tanto a morte de Lula, não adianta explicar o sentido e a conveniência do discurso que ele fez no velório. A resposta a uns e outros coloca-se de forma bem concreta: a morte que querem ainda não veio e, enquanto não vier, muitos outros discursos roucos incomodarão seus ouvidos, tanto quanto aquecerão os corações de quem segue na luta.

 

[6/2] Se se confirmar, a nomeação de Alexandre de Moraes para o STF pode nos causar qualquer sensação, menos a de surpresa. Ou alguém ainda acha que Temer e seu bando têm pudores que os impeçam de levar a cabo todo o projeto de desmonte constitucional e impunidade de que o golpe era apenas o primeiro ato? Ademais, Alexandre de Moraes será a nomeação mais descaradamente partidária que assistimos no STF das últimas décadas, ainda que outras tenham chamado muito mais atenção das torcidas partidárias, ainda que outras tenham se revelado mais partidárias do que pareciam. E tem algo ainda pior: a marca que Alexandre de Moraes pode deixar no STF vai bem além de salvar um ou outro dos seus parceiros. Certamente, teremos nele a certeza de posicionamentos abertamente contrários à proteção dos direitos fundamentais e, de quebra, expostos sempre com a truculência que marca sua atuação e discurso, ainda mais porque, cabeça por cabeça, não temos atualmente um STF em que suas posições reacionárias precisem ficar na manga… Ele encontrará bons parceiros (5, 6, talvez 7) para desfazer a Constituição. Perto disso, uma manobrinha aqui, outra ali para salvar Temer, Serra, Aécio e outros será um ruído besta no meio do bombardeio.

 

[6/2] Alexandre de Moraes no STF: pior que isso

(a) SÓ se o Temer indicasse a si próprio para o STF

(b) NEM se o Temer indicasse a si próprio para o STF

 

[6/2] Como o Temer se preocupa muito com nossa opinião e perde o sono quando é xingado nas redes sociais, acaba de indicar seu ministro para a vaga deixada por Teori no STF. Da mesma forma, o Senado, que morre de medo de hashtags negativas, deve aplaudi-lo durante o que deveria ser uma sabatina. E nós vamos à festa?

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