Do fb pra cá (maio)

[2/5] O que acontece quando um deputado não quer mais ver os trabalhadores rurais serem tratados como “coitadinhos”? Nilson Leitão (PSDB/MT) propõe: “A proposta permite que as empresas não paguem mais seus funcionários com salário, mas mediante ‘remuneração de qualquer espécie’ – o que pode ser simplesmente fornecer moradia e alimentação-, aumentem para até 12 horas a jornada diária por ‘motivos de força maior’, substituam o repouso semanal dos funcionários por um período contínuo, com até 18 dias de trabalho seguidos, e a venda integral das férias dos empregados que moram no local de trabalho” (matéria do Valor de hoje).

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Li essa matéria e lembrei que uma das realidades históricas com que se deparou o jovem Carlos Henrique, no início dos anos 1840, e que ajudou a fazer dele o Marx de que tanto se fala mal e bem, foi uma lei da Renânia que tornava crime a velha tradição (eu diria: necessidade) de apanhar lenha nas matas e bosques que passavam a ser propriedade privada então (o texto que Marx escreveu para a Gazeta Renana foi publicado por aqui há pouco, pela Boitempo, no livro “Os despossuídos”). A pena prevista para quem cometesse o crime era, entre outras, a de trabalhar de graça para o dono da terra. E Marx, que não era bobo, percebeu logo como essas duas pontas – a da propriedade privada e a do trabalho – se uniam à força do Estado e do direito para enforcar os pobres de sempre, em favor da burguesia. Marx vai passar as próximas décadas de sua vida estudando, escrevendo, lutando contra o monstro cujas garras vislumbrou naquela lei.

Pois bem, daí em diante, por força de autores como Marx e sobretudo das vítimas que o capital não deixa de fazer, podemos dizer que as relações de trabalho mudaram bastante, mas não para todos os trabalhadores. Tanto é que passamos as últimas décadas vendo ações que encontraram muito trabalho escravo em fazendas, fábricas e até em obras públicas em todo o Brasil. Se esse é um sinal de avanço da proteção ao trabalho, temos o dever de destacar que tais avanços nunca foram fáceis ou deixaram de conviver com ameaças e medidas de retrocesso. A época que vivemos, com terceirizações e “reformas”, é evidentemente uma época de retrocesso. Se bobearmos, pode ser a época de maior retrocesso que já se registrou.

Ontem foi 1º de Maio, Dia do Trabalhador. Hoje, à sombra disso que querem que chamemos de “modernização” das leis trabalhistas por aqui e inclui, agora, não pagar salário em dinheiro (bobo quem acha que isso, se aprovado, fica valendo apenas para o trabalhador rural e nunca será proposto para outros trabalhadores), é um bom dia para perguntar: vai ser necessário que tais medidas cheguem a cada um dos trabalhadores brasileiros para que todos percebam que o mundo tem lados e que quem está do lado mais frágil deve se unir para não ser esmagado?

 

[2/5] Dever da poesia, desde então, Platão,

é dar razão a quem nela vê um perigo.

 

[5/5] Hoje falta um ano para Marx completar 200 anos e ele está mais em forma para as lutas do futuro do que nós. Para nossa sorte.

 

[5/5] Quando peguei o primeiro número da Quatro Cinco Um, algo me dizia que uma resenha escrita pelo Leonardo Fróes seria mais um de seus poemas. E é. Confiram lá.

 

[6/5] Vai chegar o dia em que defender os direitos dos trabalhadores vai ser menos importante do que obrigar motorista de ônibus a usar gravata para aparentar profissionalismo? Ops, já chegou! E eu fico matutando: quem atribui qualquer valor positivo ao uso de gravata lembra que todos os nossos deputados, entre outros tantos picaretas, atuam bem arrumadinhos?

 

[9/5] Sempre saio das aulas com mais vontade de estudar. Este não é o objetivo principal, claro, porque o mais importante é que os alunos saiam dali não apenas sabendo algumas coisas novas, mas com vontade de estudar e saber mais, inclusive para contradizer o que costumo defender com alguma ênfase. Alguns alunos chegam a nos dizer isso, que querem ler mais sobre aqueles temas (no caso de hoje, a natureza dos direitos sociais e sua relação com a crítica da economia política) e pedem indicações de autores, obras etc. (Não estou atualmente em cursos de graduação, mas sempre aparece um bom amigo disposto a me deixar falar para turmas de pós-graduação!) Enfim, não conheço forma melhor de terminar uma aula: o aluno querendo ir além da aula, estudar mais e seguir as trilhas que percebeu entre tudo que foi dito, tudo que, sem isso, ficamos com a impressão de que se perdeu no ar. Em tempos de perseguição a professores em sala de aula, é preocupante sentir, bem perto, o clima de polarização que muitas vezes é um obstáculo a reflexões importantes e mesmo à exposição de alguns aspectos técnicos da matéria. No entanto, quando um aluno, ao final da aula, diz que quer estudar mais, saímos com a certeza de que ainda há ouvidos, mentes e corações abertos por aí. São poucos, talvez, mas valem muito. Eles – os que querem estudar mais e mais – são o terror de quem acha que a última e única palavra é a do professor, porque não vão ser doutrinados nem dentro nem fora da sala de aula. E, pela mesma razão, são também a alegria do professor que quer que suas palavras sejam entendidas como as primeiras de outras tantas conversas urgentes.

 

[10/5] Se um político leva outro para o lugar em que exerce também a função de juiz, a sala de audiência se transforma em apenas mais uma arena da política e os atos judiciais são, assim, evidentes atos políticos, aos quais se deve responder no campo largo da política, que inclui o direito, mas a ele não se resume nem submete. Os processos todos são parte de uma luta política bem maior. Neste caso, sua parte mais caricata, mas não a mais ardilosa.

 

[10/5] Lições de outra Curitiba:

 

EN LA LUCHA DE CLASES

TODAS LAS ARMAS SON BUENAS

PIEDRAS

NOCHES

POEMAS

 

Paulo Leminski

 

[10/5] Duas notas: (1) esse “depoimento como qualquer outro” se transformou numa espécie de Fórum Social Mundial em Curitiba – agradeçamos ao juiztuber, que hoje está de gravata vermelha, para combinar com a cor que tomou a cidade. E (2) Dilma está tão feliz, suave, corada, depois que largou aquele emprego, que quase chego a dizer “azar do Temer”, mas o azar tem sido só nosso.

 

[11/5] (Continuem tentando, garotos, que uma hora dessas ele sai menor do que entrou na arena. Se vocês melhorarem, pode ser que ele caia nessas armadilhas. Mas não foi desta vez.)

 

[11/5] Resumão pra quem não viu as 5 horas de depoimento: o apartamento não valia nada e agora vale menos. Quem julga mandato é eleitor, não juiz. Se achar dinheiro por aí com meu nome, é meu. Se não, pergunta pro dono. Papel sem assinatura, boato e acordo de quem está preso valem menos que powerpoint do MPF. Devolve os ipad dos meninos e bate a tampa do caixão. Fim.

 

[12/5] Ontem apareceu alguém pra me chamar de “comunista de merda”. Fiquei orgulhoso. Pelo conjunto da expressão. Ainda que não saiba bem se o “de merda” é uma ofensa ou uma cobrança (ou as duas coisas): na primeira hipótese, meu acusador pode ser daqueles que acham que todo comunista é de merda, mas, noutra hipótese, bem mais interessante a meu ver, pode ser que ele esteja me cobrando ser um comunista melhor, deixar de ser um “comunista de merda”, enfim, tornar-me um verdadeiro comunista. Gostei da cobrança, ainda que deixar de ser “de merda”, em qualquer setor da vida, não seja tão fácil assim. E vou seguir o conselho: tirar um tempo de folga daqui para fazer uns trabalhos que estão com prazo apertado (e tentar deixar de ser um escritor de merda, também) e, se der, ler o livro 3 d´O Capital, cuja edição novinha o correio acaba de entregar. Algo me diz que a solução para nossos males está nessa turma que sempre disse que vivemos entre a merda e o comunismo: se não gostamos daquela, que ajudemos a construir este. Beijabraços!

*** Um PS triste às 9h57: estava saindo daqui quando soube da morte de Antonio Candido. Um gigante: lia e escrevia e ensinava como pouquíssimos. Morreu aos 98 anos. Um dia, quando devia ter uns 85, ele me disse que gostava muito ainda de ler história, mas que andava lendo mesmo era poesia, “porque poesia a gente lê, decora e vai ruminando”. Acho que foi a expressão que ele usou. Acho que é a melhor homenagem que podemos fazer a ele e aos textos que nos ensinou a amar.

 

[16/5] UMA NOVA NORMALIDADE

A gente é da turma que reclama e ouve as reclamações dos outros, mas eu estava ouvindo rádio, passei por perto da televisão, dei uma folheada no jornal etc., e me pergunto: não parece que vai tudo bem? Temer segue a vida normalmente, o Congresso está passando as leis que jamais imaginaríamos que passariam, Doria está vendendo SP lá em Nova Iorque e recebendo prêmios, Moro e Cardoso debatem judicialização na London School of Economics (e Moro, claro, é o campeão de aplausos), Geraldo faz campanha abertamente pela presidência, os governos estão fortalecendo (embrutecendo) suas polícias, a elite do serviço público vai sair ilesa e até beneficiada dessas reformas todas, as universidades públicas vão morrendo caladas, não se fala mais em greve etc. Será que nós – os críticos, os que ainda falam em justiça social – é que estamos totalmente equivocados e exagerando no ataque a esses homens que tanto falam em trabalho, trabalho, trabalho? A conferir.

Temer aprovou hoje novas condições (de vô pra neto) para as dívidas dos municípios e vai aprovar nos próximos dias um “programa de regularização tributária” para empresas… com isso, e com a imprensa-disposta-a-tudo que temos, o apoio que ele terá entre políticos e empresários (que são quase a mesma coisa) será quase absoluto… e o noticiário seguirá na toada do “fim da recessão”, “retomada do crescimento” etc. Se tirarem Lula do páreo (preso, condenado ou absolutamente desgastado, porque continuam a entrar com inquéritos contra ele etc.), aí sim é que nunca mais ouviremos falar da Constituição Federal e daquela ideia de bem-estar que está nela. Mas, com ele no páreo, também não temos muitas razões para crer na reversão dessa tendência. Nasce, assim, uma nova normalidade, de natureza neoliberal, mas indiscutível, insuspeita, acima de toda crítica. Segundo seus entusiastas, que passam a ser os únicos autorizados a falar, essa “normalidade” pode até precisar de ajustes, mas já é vitoriosa. É o rumo certo, porque é afinal o único rumo. De certo modo, nunca foi tão forte por aqui (e talvez no mundo) o lema “There´s no alternative”. Engoli-lo-emos.

No plano internacional, qual será o papel deste triste país que está se “modernizando”, destruindo direitos e políticas públicas, sob a bandeira da competividade? Quem for um pouco atento e um tantinho sagaz não esperará grande coisa (riqueza, se vier, sem distribuição, nunca é grande coisa), ainda mais à sombra de notícias como a da “nova ordem econômica global” lançada pela China, que nos faz lembrar bem daquela história de novas moscas sobre a mesma – para ser delicado – caca.

Digam vocês quais serão os países e, dentro deles, as parcelas da população que farão o papel pouco glorioso de caca.

 

[17/5] «[…] eu não tenho a meu respeito essa segurança que algumas pessoas têm a respeito da validade e da continuidade da minha obra literária. Não posso ter. Porque ela é uma obra de contingência feita por uma pessoa que teve problemas existenciais, problemas internos de adaptação ao mundo, de comunicação com o próximo, de adaptação a uma nova realidade social.» (Carlos Drummond de Andrade, outubro de 1982)

 

[17/5] Tô começando a achar que foi golpe…

 

[17/5] Defendo aposentadoria integral aos 40 anos de idade para cientistas políticos no Brasil. Profissão perigo, condições insalubres…

 

[17/5] A leitura de ninar, hoje, não pode ser outra: a carta que Temer enviou para a Presidenta Dilma em 7 de dezembro de 2015: “[…] sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo. […] Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim. Gera desconfiança e menosprezo do governo. […] Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais. Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.”

 

[18/5] Sou do tempo em que áudio, inclusive da presidência, vazava quase ao vivo.

 

[18/5] Alguém tem

o último disco

da dupla

Joesley & Wesley

pra emprestar?

 

[18/5] Na foto, abraçado com o prefeito que diz não ser político, está o homem da mala: o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR). Eles estão em Nova Iorque fazendo negócios, que ora eles chamam de política, ora de negócios mesmo, e é por isso que a Polícia Federal não conseguiu encontrar Loures para conversar de pertinho sobre o vídeo em que ele recebe, a mando de Michel Temer, uma mala cheia de dinheiro. Quando eles chegarem de volta, o amigo de Loures talvez não seja mais presidente e o amigo de Dória e presidente de seu partido – Aécio Neves (PSDB/MG) – talvez já esteja preso, mas ainda estarei me perguntando como, diante da evidências de que o empresariado brasileiro está até o pescoço envolvido nos problemas do país, ainda há quem acredite que virá daí, desse mesmo empresariado de que Dória é parte e caricatura, alguma solução. Como?

 

[19/5] Temer entrará para a história. Se não tiver outro motivo, será pelos documentos que tem produzido. Primeiro, a carta de rompe-laços com Dilma. Depois, pelo discurso de posse antes da posse que mandou pelo whatsapp. E, agora, pelo áudio em que conversa com Joesley, da JBS. É um documento histórico. Não me lembro de outra conversa tão esclarecedora da relação entre capital e Estado. A gente imagina essas coisas, mas é muito revelador ver o presidente da República e um dos maiores empresários do país (e do mundo) colocando todas as cartas na mesa. Na calada da noite, diz o capitalista: “Estou pagando pro deputado preso ficar quieto”, ao que responde o chefe do Executivo: “Mantenha isso!” E segue o capitalista listando seus feitos em vários níveis do Estado: tentando trocar o procurador que está investigando suas condutas, “segurando” os juízes, pagando por informações dentro do Ministério Público, pressionando ministros para mudarem as regras, interferindo nas nomeações para os órgãos que podem afetar seus interesses, enfim, moldando o Estado à sua conveniência (empresarial e criminal). E a tudo o presidente assente, com comentários concordantes, mostrando satisfação com o desempenho de seu amigo nas estratégias de defesa contra os órgãos de investigação do próprio Estado! Se tudo isso não for a prova do gangsterismo que marcou todo o processo de tomada de poder por Michel Temer e seus aliados, bem como a prova de quais interesses (empresariais e criminais) estão preocupados em defender, olha, pode fechar a lojinha de ilusões que chamamos de Estado de Direito.

 

[19/5] Conversas de Michel Temer e Aécio Neves com o ministro Gilmar Mendes do STF foram interceptadas. Não gosto de ouvir a voz de Gilmar Mendes, mas dedicaria alguns minutos a ouvir esses áudios… Neles, pelo que diz a imprensa, são feitas negociações políticas do mesmo tipo daquelas gravadas com empresários etc. Numa delas, Aécio (!) pede (!!) a Gilmar (!!!) para pressionar (!!!!) outro deputado (!!!!) na votação da proposta sobre… abuso de autoridade! Se alguém tiver coragem de amarrar essas pontas todas (e Janot às vezes parece ter), Gilmar sobe no mesmo telhado que Temer e Aécio, com os pés igualmente escorregadios. Ou não?

 

[23/5] As imagens da “votação” que fez avançar a deforma antitrabalhista no Senado: mais um elo na corrente de vergonhas que já estamos acostumados a arrastar por aí. Muito, muito deprimente. Politicamente deprimente.

 

[24/5] Quando você vê a grande mídia brasileira indignada contra vazamentos, violação de privacidade etc., é sinal de que chegamos ao fundo do poço. Não porque o fundo do poço seja novidade para nós, mas porque é absoluta novidade essa mídia se indignar com ofensa a direitos. Normalmente, vem dela a violação. Ou o aplauso cúmplice.

 

[24/5] As boas práticas editoriais recomendariam que eu aguardasse momento mais oportuno para divulgar a capa do livro novo. Mas como ele vem chegando assim transparente – a maior parte dos poemas já saiu, de algum modo, aqui e ali -, feito a muitas mãos, a muitos olhos e ouvidos e corações e mentes. E como apareceu aqui essa foto linda do Joao Correia e numa conversa veloz com Luzia Maninha tudo ganhou forma e graça. E como tem outros amigos que têm sido igualmente generosos nesse processo todo: Reynaldo, Dalila, Carolina, Renan. E como eu disse agora há pouco para um amigo que esse talvez seja o meu livro mais “sujo”, mais “errado”, mas que estou bem feliz com isso tudo. E como me empolgo fácil com livros no nascedouro… tudo me diz que agora é hora de mostrar pra vocês a cara que o livro terá e perguntar: não é o caso do autor, besta sempre, ficar mais besta?

 

[24/5] Um presidente que, numa semana, tem suas conversas criminosas expostas, mas diz que não vai renunciar e, noutra semana, convoca as forças armadas para garantir que, enquanto não for retirado do cargo, entregará todas as encomendas (que ele chama de “reformas”) que seus sócios fizeram – é o que temos. Não é possível que aceitemos que nossa realidade passará a ser aquela definida por essas pessoas, nessas condições, desde o processo pelo qual Temer usurpou o poder até esses que parecem ser os atos finais de seu “governo”. Estamos vivendo a situação bizarra de assistir membros do Executivo e do Legislativo (para falar apenas deles) que, enquanto correm da polícia, continuam assinando leis e mudando a Constituição, que ainda assim serão as “nossas” leis e a “nossa” Constituição.

 

[26/5] Claudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, foi absolvida pelo juiz-herói. Há muitas formas de se espantar com essa decisão: a primeira é lembrar que ela já foi submetida, pelos estardalhaços típicos da Lava Jato, a um nível de execração pública que, a rigor, vale como uma condenação. A segunda é que o argumento de que ela foi apenas “negligente” com os gastos – de alguns milhões – incompatíveis com o rendimento do marido deputado é bastante curioso quando sai da boca de um juiz-acusador que vive de ilações, não de provas. E a terceira, creio eu, virá nas próximas semanas, quando pudermos comparar esse entendimento com o das aguardadas sentenças que o mesmo juiz redigirá contra os alvos principais da Lava Jato. Aguardemos. Com tantas ofensas a direitos aqui e ali, no varejo e no atacado, a herança de todo esse estardalhaço tem tudo para ser um traque: um amontoado de delações premiadas, absolvições por falta de provas e condenações que, também por falta de provas (mas não só), os tribunais superiores se verão obrigados a reformar.

 

[26/5] Já sabemos tudo. Como funciona, quanto custa, onde comprar o vibrador bluetooth que faz sucesso nas altas rodas. Joesley, nosso exilado gourmet, recomenda. Precisa mais? E sabemos também que não moramos mais no mesmo país: o país antigo era aquele em que apenas suspeitávamos dos modos, gostos, esquemas e costumes daquela fatia da população que, de tanto se beneficiar, nem “população” parece. Naquele país, tudo levava a crer que as coisas não andavam bem, mas não podíamos afirmar com certeza e, muito menos, confiar na punição dos envolvidos. No nosso novo país, sabemos até o formato daquilo que faz vibrar suas intimidades e também os caminhos nem tão obscuros percorridos pelas moedas sujas todas que acumulam. Grampos, delações, gravações secretas nos contaram uma nova história do Brasil. Um novo Brasil nasceu daí. Escancarado. Mas não se animem: os mesmos de sempre é que continuarão tendo motivos para rir. Ou, se preferirem, suspirar.

 

[28/5] A poesia da vida besta: uma oficina de poesia a partir do cinema recente, que comece por EU, DANIEL BLAKE e termine com UM HOMEM CHAMADO OVE, passando calmamente por PATERSON — eis uma ideia a que se dedicar.

 

[30/5] Bonito isso: Temer nomeou para o Ministério da Justiça seu “amigo fiel” Torquato Jardim, que, cuidando à época do Ministério da Transparência (acho esse nome lindo!), disse que não viu nada demais nas conversas de Temer e Joesley. Espero que o salário de ministro dê para comprar bons óculos. Para que Osmar Serraglio não ficasse desempregado, Temer tentou colocá-lo na pasta da Transparência, mas, como o ex-ministro da Justiça está enrolado noutra operação da Polícia Federal, preferiu voltar a ser deputado federal. Em que cadeira ele vai sentar? Na que estava sendo ocupada por Rocha Loures, o homem da mala de Temer (que fez umas reuniões com o procurador Dallagnol durante aquele processo que eles gostam de chamar de “impeachment”, é isso?). E a novela segue em ritmo acelerado. Aécio, por sua vez, tem praticamente um “núcleo” próprio no Projac da nossa política, com direito a ameaças, malas de dinheiro, drogas, conflitos familiares, “rei do gado” e tudo mais que uma boa novela tem. Daí você olha com atenção para as fotos da posse de Temer: tem um monte de gente ali que mudou de status, desde os que estão correndo da polícia até quem virou ministro do STF. A única legenda possível seria: tá tudo dominado. Mas, estranhamente, não está… o que deu errado no golpe?

 

[30/5] Se o dia hoje tivesse apenas 5 minutos, eu acho que o melhor destino para eles seria ouvir com calma esse áudio. O senador Aécio dá uma bronca no senador Zezé Perrella por falta de solidariedade. O que será que o dono daquele famigerado helicóptero, numa conversa privada, quer dizer com “Eu não faço nada de errado, eu só trafico droga” (aos 3 min.)?

https://soundcloud.com/jornalhojeemdia/zeze-perrella-e-aecio-neves-conversa-telefonica

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