Do fb pra cá (agosto 2017)

[1] Alguns dados sobre o deputado federal que tatuou o nome de Temer no ombro: Wladimir Costa (SD/PA) está em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados; ele recebeu 141.213 votos na última eleição; foi condenado pelo TRE por omitir R$ 410.000,00 de suas contas; já há alguns anos ele é campeão de faltas na Câmara: em 2015, por exemplo, faltou a 105 das 125 sessões. A tatuagem foi apresentada ao mundo num evento para entrega de caminhões de lixo. Lixo.

 

[1] Sonhei que a mãe do Rafael Braga era branca e desembargadora e ela voava até o presídio com um mandado mágico para libertá-lo.

 

[1] Como vocês se sentem quando percebem que os tuítes da Janaína para o Trump atacar a Venezuela têm mais chances de ser atendidos do que todos os nossos #ForaTemer?

 

[2] Um país que resiste, em tão pouco tempo, a várias sessões de discursos desses deputados é um país forte. Ou morto.

 

[3] CONTRAGOLPES

 

O ataque à educação pública e de qualidade parece ser mesmo um dos eixos fundamentais do golpe. Não poderia ser diferente, porque a produção de conhecimento é justamente o contrário daquilo de que se alimentam as práticas descaradas daqueles que tomaram o poder no país e farão de tudo para se manter, proteger seus interesses e sair ilesos de quaisquer acusações.

Destaco, nesse sentido, as notícias recentes sobre o colapso da UERJ (meses de salário atrasado e suspensão do ano letivo!) e a falta de verbas para pagamento de bolsas do CNPq, ao lado de notícias não menos preocupantes como a perseguição ideológica do Ministério Público a grupos de pesquisa acadêmica na UFMG.

No caso da UERJ, ao deixar de pagar salários e garantir o mínimo funcionamento da universidade, é claro o intuito de rebaixar completamente as condições de existência e, assim, resistência dos trabalhadores, levados à condição de “massa informe de homens famintos e arrasados, sem probabilidade de salvação”, como dizia o velho Marx que eles tanto detestam.

Temos que lutar contra isso. Temos que ajudar a resistir e reverter esse quadro, da forma que estiver ao nosso alcance. Quem ainda não foi (completamente) atingido pelo golpe não deve esperar que sua vida seja destruída para se levantar e lutar também. É justamente na solidariedade a quem já está sendo massacrado que podemos dar nossa melhor contribuição. E é pra já.

 

[4] A Ceifadeira gosta de bons discos, bons filmes, grandes artistas, já sabemos. Mas não acompanha o noticiário da política e dos negócios?

 

[4] A Corsário Satã acaba de lançar uma joia para os leitores de poesia: “Suite de pièces que l´on peut jouer seul”, antologia de poesia do português Manuel de Freitas. Com orelha de Fabio Weintraub e posfácio de Rosa Maria Martelo, o livro reúne uma mostra muito consistente da obra de Manuel de Freitas, que é ainda bastante jovem (nasceu em 1972), mas publicou em quantidade e qualidade impressionantes nessas duas décadas. A poesia portuguesa contemporânea, infelizmente, ainda é muito pouco publicada por aqui; que a chegada dessa antologia abra portas para outros tantos poetas que passeiam pela nossa língua do lado de lá do Atlântico. Para comprar, entrem em contato com Fabiano Calixto e Natália Agra, responsáveis por essa maravilha!

 

[6] A equação é simples: estrangular as carreiras até que ninguém resista à “demissão voluntária”, enquanto as funções vão sendo entregues a empresas de terceirização. Se isso é o que acontece com os trabalhadores, não é muito diferente o que deve acontecer com a própria Caixa: o banco vai ser estrangulado e sua participação no mercado (claro, a que for lucrativa) será assumida pelos bancos privados. Quem quer apostar?

 

[7] O VOO DO OVO

 

[8] Rafael Braga não é filho de desembargadora.

Rafael Braga não é diretor da Samarco.

Rafael Braga não é filho do Eike Batista.

Rafael Braga não é sócio da JBS.

Rafael Braga não é parça do Neymar.

Rafael Braga não é ator da novela das 8.

Rafael Braga não é uma grande ameaça.

Rafael Braga não é deputado federal.

Rafael Braga não é do comando do tráfico.

Rafael Braga não é branco nem rico.

 

Rafael Braga vai continuar preso.

 

[8] Dias ouvindo Luiz Melodia, dias lembrando de Rafael Braga: jovem-síntese do que é nosso país. Impossível não embaralhar as fichas. Impossível não imaginar que alguém com o talento de Luiz Melodia, vivo sob a pele preta, bem poderia ter estado na hora errada no lugar errado e jamais ouviríamos sua voz, seu violão, suas palavras. Impossível não imaginar que Rafael Braga talvez esconda, sob a pele preta e os anos todos de abandono que culminaram na sua transformação em estatística do sistema penal, um talento tão grande quanto o de Melodia: para a arte, para a tecnologia, para o que bem entendesse se a ele fosse dado bem entender. Impossível não remoer tudo isso com o mesmo ódio, a mesma tristeza. É muito frágil o fio que separa um jovem negro da periferia do RJ (e de todo Brasil) de ser tratado como Rafael Braga ou como gente. É muito frágil o fio que separa um jovem negro de nos encantar com seu talento ou ser triturado pelo sistema. É muito frágil o sossego de quem vive no país que permite a tão poucos contrariarem as estatísticas.

 

[10] Uma “reforma” pensada para deixar os grandes partidos e figurões da política maiores e mais fortes ainda: é isso que vai vir do Congresso. Uma “reforma” feita às pressas pelos representantes mais deslegitimados que já tivemos, contra tudo que tantas pessoas se dedicam a estudar e passando longe de ouvir a população sobre o que entende que deve ser feito. Ou seja, uma “reforma” feita de mesma maneira que as outras “reformas” que herdaremos de Temer. Engoli-la-emos.

 

[10] “A lapso” por Jardel Dias Cavalcanti: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4422&titulo=Luz_sob_ossos_e_sucata%3A_a_poesia_de_Tarso_de_Melo

 

[11] Se avançarem esses ataques ao Chico Buarque, vou aproveitar pra denunciar todas as letras que ele roubou de mim e nunca deu crédito. Farsante.

 

[15] Lembram aquela história de uma delação bombástica do Eduardo Cunha? Então, tudo indica que tem, mas acabou.

 

[17] Nessas épocas (mais que outras) em que a leitura (nem toda, claro) é uma das poucas fontes de inteligência e alegria, ler essa matéria me fez criar (na cabeça, por enquanto) uma infinidade de clubes de leitura: Clube de Leitura de Poesia (um Oriental, outro Contemporânea, mais outro De Países Em Guerra…), Clube de Leituras Antifascistas, Clube de Leitura dos Romances Eternamente Adiados, Clube de Leitura das Pessoas-que-dizem-que-amam-ler-mas-não-têm-tempo, Clube de Leitura das Pessoas-que-eu-acho-que-deveriam-ter-lido-este-ou-aquele-livro, Clube de Leitura das Pessoas-que-liam-antes-do-Netflix… Quem sabe uma hora dessas…

 

[18] MAÇÃS. Os juízes que estão preocupados com homenagens e ajudas a Lula, passando por cima da autonomia universitária e de todo e qualquer direito que se coloque no caminho da paixão persecutória que alimentam contra o Presidente (tão forte, infelizmente, quanto a paixão popular que ele desperta), são juízes no mesmo país em que nos acostumamos a ouvir falar em salários que são duas, três, dez vezes acima do teto constitucional para juízes, promotores e outros poucos privilegiados do serviço público. São juízes na mesma instituição em que, sem procurar muito, encontramos diversas acusações de corrupção cometida por juízes. São juízes no mesmo Brasil em que é dificílimo explicar para uma criança porque o juiz que se apropriou de um Porsche e um piano ou o outro que cobrava propina semanal de um empresário, além de joias, ternos, festas etc., terá que parar de trabalhar, mas continuará recebendo normalmente sua excelentíssima grana. São juízes no mesmo território em que o presidente de um Tribunal admite na tevê que alguns auxílios são pagos para compensar o pagamento de impostos e driblar a proibição de aumentar salário, permitindo, assim, que os juízes comprem seus ternos novos. São juízes do mesmo Poder Judiciário em que Gilmar Mendes julga e concede liberdade a seu compadre acusado de distribuir milhões de propina, entre outros crimes. São juízes do mesmo momento em que Alexandre de Moraes julgará ações sobre atos de corrupção de Michel Temer. Já passou da hora de perguntar a sério: até onde se sustentará o discurso da “maçã podre” para justificar a conduta de tantos membros do Poder Judiciário e, assim, manter tudo exatamente como está nos palácios cheios de gravatas, mármore, prata, tapetes vermelhos e quadros de gosto duvidoso?

 

[18] MEDO. De Charlottesville a Barcelona, de Washington a Pyongyang, de Paris ao Rio de Janeiro, de Brasília a Aleppo, de Chibok a Pau D’Arco, de Cabul a Westminster, do Kremlin a Osasco, enquanto engolimos as decisões que os poderosos tomam contra nós, recolhemos os corpos e limpamos as poças de sangue, temos sido educados para o medo, como diz o poeta de que tanto falamos ontem, pouco antes de perguntar: “Por que morrer em conjunto? E se todos nós vivêssemos?” Talvez estas sejam as perguntas fundamentais. O noticiário nos adestra pelo medo, para nos escondermos insones sob o manto mais e mais denso do medo. Trump e seus pares e seus sócios e seus falsos inimigos no mundo todo não querem o fim do medo, do ódio, do terror, de nada disso. Eles nos querem cristalizados pelo medo. É isso o que esperam de nós. E assim estamos.

 

[18] Dica do Chico pra sexta (incluam-no, claro, em larga dose):

«contra fel, moléstia, crime, use Dorival Caymmi, vá de Jackson do Pandeiro || fume Ari, cheire Vinícius, beba Nelson Cavaquinho | para um coração mesquinho, contra a solidão agreste, Luiz Gonzaga é tiro certo, Pixinguinha é inconteste, tome Noel, Cartola, Orestes, Caetano e João Gilberto»

 

[19] Livro novo que Sofia Mariutti e eu tiramos dos infinitos cadernos do Renato Russo: já em pré-venda.

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/biografias/musica/o-livro-das-listas-46666957

 

[20] Gilmar Mendes mandou soltar seu compadre. Tinha outro mandado de prisão no meio do caminho. Gilmar mandou soltar de novo e estendeu o habeas corpus a outros 4 acusados. No despacho, saiu batendo em todo mundo. Sobre o entendimento do seu próprio Tribunal na matéria: a súmula 691 é um “valhacouto de covardes”. Sobre seus pares: “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”. Sobre o Ministério Público Federal, que disse que ele era suspeito para julgar o caso: um juiz “não pode [se] curvar e ceder a grupos de trêfegos e barulhentos procuradores”. Sobre o povo brasileiro: um juiz não pode se “curvar ao clamor popular”. Para fechar, declarou: “A liberdade é a regra no processo penal” (Rafael Braga, que tal?). Eu tenho medo de Gilmar.

 

[20] “Íntimo desabrigo” por Alexandre Pilati:

https://www.alexandrepilati.com/single-post/2017/08/20/Palavra-de-abrigo-de-briga

 

[20] Bob Dylan é malandro. Ganhou o Nobel de Literatura, ficou quieto uns dias, depois mandou o discurso aceitando e agradecendo. Fez uma declaração de amor à literatura. Falou apaixonadamente de “Moby Dick”, de “Nada de novo no front” e da “Odisseia”. Para quem ainda estava perguntando como suas letras justificariam um prêmio literário, ele dá um beijinho no ombro enquanto cita as peças de Shakespeare. Aqui vai o link para ler seu discurso e ouvi-lo na voz do próprio Dylan. Joia rara.

https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/2016/dylan-lecture.html

 

[22] Não foi esse concurso de Miss Brasil que abriu a tampa da lixeira racista no Brasil, bem sabemos. O concurso se deu, na verdade, em meio a um momento perigoso de reação, que é cada vez mais evidente e violenta, dos grupos privilegiados de sempre contra os avanços que, com todas as dificuldades, as minorias têm conseguido neste país e, mais além, no mundo. Por enquanto, a KKK brasileira aparece na forma dos “kkk” da internet, em todos os sentidos: é composta por gente que se vê em condições de ser “supremacista” (eu diria: super-racista), mas que nunca precisou dizer isso tão abertamente (pelo simples fato de que tudo no país era organizado para favorecê-los sem muitos atritos) e agora partiu para essa militância “em defesa dos brancos que estão sendo discriminados”, que se dedica em grande medida a fazer comentários estúpidos e piadinhas racistas na internet. Isso é grave: em cada “kkk” racista das redes sociais há o embrião de uma KKK, quero dizer, do aumento e da organização de um discurso e de práticas racistas neste país que tanto deve aos negros. Já sabíamos que reverter os efeitos da formação escravista deste país não seria uma luta simples nem rápida, mas ainda assim é muito triste ver circular ataques como o que publico aqui, entre tantos outros. O cheiro do esgoto é terrível.

 

[23] VOCÊ PODE

 

Comprei um livro para pensar como Leonardo da Vinci. E uma revista que ensina a tocar guitarra como Eric Clapton. Deixei para a semana que vem o que ensina a cozinhar para visitas com paladar exigente e o que equilibra sua casa. Livros para pintar me acalmam. Livros edificantes me edificam. Livros sobre dança bagunçam a estante. Fique rico, seja eficiente, viva 100 anos e ouça os discos e veja os filmes e conheça os destinos sem os quais não se pode morrer. Morrer, aliás, morremos antes dos livros. Sei hoje algumas verdades: os livros também mentem. A mim. E aos montes.

 

[23] Está acontecendo uma coisa muito curiosa na poesia brasileira atual. Há uma infinidade de livros saindo, por editoras de diversos tamanhos e autoedições de diversos tipos (estou em meio ao julgamento de um grande prêmio e a variedade editorial chama atenção). Um fenômeno de quantidade, sem dúvida, mas também de qualidade. Escavando um pouco, você se depara com livros muito bons, com buscas estéticas que atingem uma densidade incrível ao seguir as trilhas que levam para longe do chão (bem ou mal) batido pelos seus pares. Poetas que abrem picadas particularíssimas na mata densa de poéticas (e políticas) do nosso tempo. Facão afiado e sangue nos olhos. A meu ver, a poesia brasileira tem respondido com um vigor incrível ao desastroso tempo em que é escrita. Os livros novos de Edimilson de Almeida Pereira, “qvasi”, e de Prisca Agustoni, “Animal extremo”, por exemplo, eu colocaria no alto da pilha dos que têm a maturidade rara de guardar em suas páginas não apenas um “bom conjunto de poemas”. Há neles bem mais que isso: há a exploração/exposição poética de um universo político/ético/geográfico/cultural, que se constitui na aceitação dos riscos do mergulho e na consequente incorporação dos acidentes todos da experiência. Para que não reste dúvida da singularidade deste momento: escolhi como exemplo dois livros que, não por acaso, foram escritos sob o mesmo teto físico, literalmente, mas que contêm buscas que me parecem absolutamente radicais e discerníveis na forma como aderem “solitariamente” a seus universos. Poderia dar muitos outros exemplos de livros que têm me impactado dessa forma, mas não sei explicar melhor isso… para nossa sorte, também há críticos por aí de olhos abertos para todas essas tensões. Aguardemos lendo.

 

[24] Temer, querido:

posso comprar

a Casa da Moeda

fiado? Depois

imprimo tudo,

pago em espécie

e com juros, juro.

 

[24] Lembram daquelas panelas? Pois bem, hoje o país é uma panela só: a extinção da proteção aos trabalhadores, o sucateamento dos serviços públicos, a entrega da fatia lucrativa do Estado ao capital estrangeiro, o desmanche das universidades públicas etc., não poderiam ser devidamente cozinhados e servidos sem a contraparte ideológica, como a campanha pesada na mídia para a “salvação pelo empreendedorismo”, em que todos trocarão suas CTPS´s por maquininhas coloridas de crédito & débito (vejam o vídeo aqui ou o Globo Repórter anunciado para amanhã), e repressiva, como o discurso abertamente segregacionista do novo comandante da Rota, com a sugestão nada delicada de um “Rota na rua” (repaginado, mas nem tanto) e a comparação de seus soldados a esportistas radicais que buscam… adrenalina, claro, na periferia. Só não nos contam, com o mesmo desembaraço, é que dessa panela sai também uma precarização veloz das condições sociais, que em pouco tempo levará bem mais gente do que se imagina ao status de “desagradável para o sistema”. Novos tempos… tempos em que os bancos vão definir cada vez mais o que seremos na vida. Aliás, se há alguma instituição que não confunde os tipos sociais, sem dúvida, é o banco: banqueiros não confundem o cliente que será o tiozão que curte a previdência privada na praia, aquele que entrega sua alma na forma de juros enquanto aguentar, o outro que coloca dinamites nos caixas eletrônicos e o garoto encapuzado que joga sua revolta no vidro da agência. Bancos não confundem nem perdoam. Nós deveríamos aprender com eles — contra eles.

 

[24] Donizete Galvão na Vallejo & Co.

http://www.vallejoandcompany.com/homenaje-a-donizete-galvao-15-poemas/

 

[25] Chico

 

ca(ma

dru)ra

va(ga

da)nas

 

[25] Sexta. Fim de expediente. Vontade de colocar “Caravanas” bem alto, pegar uma cerveja e o violão pra tocar as músicas novas do Chico junto com ele. Mas não sei tocar violão. Vou me contentar com os outros itens.

 

[26] O que chamávamos de “futuro” cai ao chão como um tronco morto. Daqui, do fundo da mina, ainda vemos uma ou outra pedrinha reluzente, mas nossas mãos não podem tocá-las, nem podemos ver onde começou nosso passado. Nossa paixão destrutiva pelo passado. Nunca acabou nossa corrida do ouro. Nunca deixamos de ser – da selva aos prédios da Paulista, do Planalto Central ao fundo do mar e aos morros – uma imensa Serra Pelada. Todo dia é dia de cavar, dia de revirar a lama, fundir-se à lama. Dia de contar com a sorte, dia de sonhar em sair vivo. Alguém vai contar nossa história, em inglês, e teremos sido apenas “gold”, “wood”, “food”, “blood”: desde sempre. Teremos alimentado a locomotiva com nosso desprezo, até sumir no retrovisor. Com todo vapor ao colapso.

 

[26] Sempre aparece alguém para dizer que os povos que sofreram com guerras, catástrofes, fome, truculência etc. se tornam mais fortes e desenvolvidos. Ouço e fico pensando que maravilha vai ser o Brasil daqui a algumas décadas. Claro, para aqueles que sobreviverem.

 

[27] Então Moro vai virar réu da Lava Jato? Esquemas nos bastidores com advogados, caixa 2, favores judiciais? É… as voltas do mundo… certamente não dará em nada (Moro e sua mulher presos?), mas é interessante notar que as acusações têm a mesma consistência daquelas que ele e sua turma costumam usar para gerar manchetes e sentenças.

 

[28] Vocês veem maldade em tudo. Já estão dizendo que tem algo a ver entre o decreto de Temer que extinguiu a reserva na Amazônia e o fato de Marina Jucá ser dona de uma mineradora bem naquele pedacinho do mundo. Só porque ela é filha de Romero Jucá, ministro-parça de Temer? Que exagero.

 

[28] Amigos, acaba de sair, no site da Revista CULT, uma homenagem que fiz ao poeta Carlos Felipe Moisés, falando de sua reflexão sobre poesia, com um prefácio para a reedição de um de seus principais livros, “Poesia & Utopia”.

https://revistacult.uol.com.br/home/carlos-felipe-moises-um-prefacio-um-aplauso-um-abraco/

 

[29] Desocupado de Sebo: devia ser profissão. Experiência: lombada, orelha, folhear. Traje: esporte triste. Remuneração: média.

 

[31] Hoje faz um ano que Temer assumiu a presidência, afirmando que “a incerteza chegou ao fim”, porque seu governo iria “unir o país e colocar os interesses nacionais acima dos interesses de grupos”. Faz um ano que Temer disse que “o governo é como a sua família: se estiver endividada, precisa diminuir despesas para pagar as dívidas”, então era hora de cortar as despesas do governo e “modernizar” os serviços públicos, a previdência, a legislação trabalhista etc. Além disso, prometeu ampliar os programas sociais e concluir as obras federais que estavam paradas. Estávamos em 31 de agosto de 2016 quando esse homão da porra assumiu o poder e disse: «O Brasil é um país extraordinário. Possuímos recursos naturais em abundância. Um agronegócio exuberante, que não conhece crises. Trabalhamos muito. Somos pessoas dispostas a acordar cedo e dormir tarde em busca do nosso sonho. Temos espírito empreendedor, dos microempresários aos grandes industriais. […] Meu único interesse, e que encaro como questão de honra, é entregar ao meu sucessor um país reconciliado, pacificado e em ritmo de crescimento. Um país que dê orgulho aos seus cidadãos. Reitero, portanto, meu compromisso de dialogar democraticamente com todos os setores da sociedade brasileira. Respeitarei a independência entre Executivo, Legislativo e o Judiciário.» Pois bem, tirem suas próprias conclusões.

 

[31] Com histórico de violência sexual, o cara ejaculou numa mulher no ônibus, MP e juiz entenderam que não houve nada que justifique a prisão. Se ele fizer BEM MENOS QUE ISSO dentro de um fórum, vão dar um jeito de justificar a prisão. Aliás, se ele tentar entrar no fórum de bermuda ou boné, vai se dar mal. Assim caminha o direito.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s