Do fb pra cá (dezembro 2017)

[1] VAGÃO

 

mais alguém (com sua voz

rouca nos esgana) alguém mais

 

é qualidade na validade

leva três prestígio dois reais

é o fone samsung pra acabar

testa na hora só cinco reais

mais alguém alguém mais

 

só delícia é o poeme da ferrero

a novidade é o couro sintético

pode tacar fogo na carteirinha

dois reais é a unidade baixou

se você não levar o guarda leva

 

mais alguém (a mão invisível

do mercado) alguém mais

 

[2] MARIDO

 

num pode tê dinheiro

que fica virado no diabo

 

[3] como é que vou

dar de comer à tristeza

com tanto carinho?

 

[4] Ó, passei o domingo de aniversário preparando a ressaca da segunda (e prudentemente longe dos aparelhos eletrônicos), mas vou ler as mensagens todas. Muito obrigado mesmo pela amizade, pelo carinho, enfim, pelos combustíveis de que precisamos para seguir na luta. Beijabraços!

 

[5] Produtivismo. Um dos vetores da destruição da universidade no Brasil, em especial das ciências que já foram humanas. Espécie de inimigo íntimo, porque destrói talentos, inteligências, vocações e paixões numa velocidade impressionante. Somem-se aí a precarização estrutural do ensino público e a concentração acelerada no campo privado. Sinuca de bico.

 

[6] Dessas coisas incríveis que acontecem com os poemas. “Somália” foi escrito de supetão, num domingo à noite, e publicado aqui com uma imensa sequência de números, apontando uma a uma as mortes ocorridas em Mogadíscio naquele dia (e no dia seguinte outras tantas mortes foram confirmadas): contra nossa indiferença.

Na manhã seguinte, Luzia o transformou numa pequena plaquete-dobradura. À tarde, ele estava já circulando também na Modo De Usar & Co. e no whatsapp dos amigos, quando chegou até a Alice, que o incluiu na antologia “50 poemas de revolta”, lançada nesta semana pela Cia. das Letras.

E hoje recebi mais uma notícia incrível a seu respeito: “Somália” foi lido a várias vozes numa cervejaria em Florianópolis, no programa de rádio “Quinta Maldita”, comandado pelo Demétrio Panarotto. As vozes se sobrepondo, os ruídos ao fundo, uma barulheira linda para dar força ao poema. Gostei demais! O programa tem pouco mais de uma hora e vale a pena ouvir tudo; meu poema começa aos 48m30s.

Muito obrigado, Demétrio e todas as outras vozes de Desterro.

https://www.mixcloud.com/desterrocultural/quinta-maldita-13-di-versificar-ao-vivo/

 

[6] Agora foi na UFMG: a Polícia Federal levou, em condução coercitiva, os atuais reitor e vice-reitora, além de professores ligados às gestões anteriores, sob acusação de desvios nas obras do Museu da Anistia Política. Provado ou não qualquer desvio, o estardalhaço já atinge seus objetivos, como sempre. E simbolicamente manchando a reputação de um museu dedicado à luta pela democracia e, claro, da universidade pública. Já virou padrão: o espetáculo da perseguição policial antecipando desmanches, desmontes, desmandos… Toda denúncia, mais do que apontar que há problemas na universidade pública (e pode haver, claro), vem sempre tentando nos convencer que o problema é a universidade ser pública. Nós bem sabemos a quem isso interessa… e a luta para salvá-la, agora que seus inimigos estão no poder, nunca foi tão difícil. Venho repetindo mentalmente há alguns dias: as eleições de 2018 estão tão longe! Tão longe! “Por que meus amigos estão brigando por isso?”. Enquanto 2014 ainda se arrasta, como o marco de uma ruptura com as conquistas e promessas da Constituição de 1988. Não existe meio golpe.

 

[9] Terça, 12/12, a partir das 19h, teremos o último VOZES VERSOS de 2017. Faz exatamente um ano que Heitor e eu começamos a organizar essas leituras na Galeria Metrópole.

Nos 3 primeiros encontros, ainda na Setzer, participaram os poetas Fabio Weintraub, Jeanne Callegari, Júlia De Carvalho Hansen e Reuben Da Rocha; Iago Passos, Julia de Souza e Ruy Proença; Dalila Teles Veras, Renan Nuernberger e Lilian Aquino. De lá pra cá, depois da mudança para a Tapera Taperá, recebemos Annita Costa Malufe, Fabiano Calixto e Rita Barros; Cide Piquet, Júlia Studart e Manoel Ricardo de Lima; Alberto Bresciani, Ana Estaregui e Marceli Becker. Dá muito orgulho desse time, a que se juntam agora Marcos Siscar, Micheliny Verunschk e Thiago Ponce de Moraes.

E a lista de poetas que gostaríamos de trazer é imensa, porque cada encontro tem sido a confirmação de que precisamos de algo simples assim: ouvir a voz dos poetas, ouvir o que a poesia tem conseguido dizer em tempos tão duros. Ouvir.

Esperamos que em 2018 possamos multiplicar ainda mais essas vozes e esses versos, com a acolhida da Tapera Taperá e a parceria incrível da Editora Quelônio, que chegou com suas lindas plaquetes para que os versos encontrem outras vozes e outros ouvidos por aí.

Terça é dia de encher a casa: para comemorar nosso primeiro ano e dar força para o que virá. É só chegar.

 

[11] VOCÊ NÃO DEVIA ESTAR AQUI. Uma das coisas mais legais das redes sociais é ler textos que falam sobre como deveríamos ter uma vida longe das redes sociais. São os meus prediletos, ombro a ombro com as piadas sem sentido e as grandes explicações do Brasil e do sentido da vida. Mas a espécie de lição de moral embutida na crítica ao que os computadores fizeram conosco, sem dúvida, é das coisas que mais me interessam. O nível de contradição em que nos coloca chega a ser, digamos, tão engraçado e constrangedor quanto piadas sem sentido, o Brasil e o sentido da vida. Na semana passada mesmo circulou bastante aqui uma entrevista falando que “o celular é o novo cigarro” (palavras da socióloga Amber Case, que li na tela do celular). Eu – que não fumo, vocês já sabem – gostei do efeito dessa frase, ainda que veja aí um elogio que os celulares não fazem por merecer… Em resumo, o que nos dizem esses textos é que não deveríamos, nem mesmo, lê-los. “Você não devia estar aqui, agora, lendo isso”: é a máxima dos textões contra o universo em que os textões se disseminaram. Um livro sobre a importância da leitura? Até faz sentido. Um livro sobre os perigos de ficar demais na internet? Impertinente, mas faz algum sentido. Um post sobre os males dos posts? Aí já é sacanagem, principalmente quando o texto é bom e não apenas acusa a internet, mas também consegue nos lembrar de tudo que perdemos quando estamos com os olhos vidrados nas telas multicoloridas do smartphone e do notebook. Já cheguei a ler alguns desses textos escondido embaixo da mesa e outros tantos me fizeram remoer a vontade de enviar para os amigos. Chamá-los para ler quando acredito que viveriam melhor longe dos aparelhinhos eletrônicos? Sacanagem (como, provavelmente, devo estar fazendo agora…). E dezembro talvez seja o início da pior época para fazer isso com os amigos. Agora, por exemplo, entramos na época das férias. Segundo o Instituto DataTarso, nesta época há um aumento de 80% na circulação de fotos de praias e montanhas no facebook (o Instituto DataTarso não tem Instagram). É uma época sofrida para trabalhar, mas ainda mais sofrida para ficar à toa nas redes sociais. As distorções do algoritmo fazem parecer que todo mundo está tomando drinques no Caribe ou subindo o Everest. Você está ali, mofando, e vem uma enxurrada de “vida” na sua tela. Parece um comercial de previdência privada. Para minha desgraça pessoal, moro bem perto de uma loja gigante de equipamentos esportivos. Mesmo durante o ano, um dos meus esportes prediletos é andar pelos seus corredores assoviando “Ouro de tolo”. Aqueles caiaques lindos, barracas gigantes e roupas para equitação formam o melhor cenário para cantar “eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Junte a isso a euforia do Natal, o trânsito enlouquecedor e o cansaço do ano pesando sobre as costas, não é raro ter vontade de sair dali com um kit de montanhismo completo ou uma bicicleta preparada para cruzar a América Latina. Vontade, apenas. Então logo volto para o apartamento e troco de faixa o disco do Raul Seixas. Se essas lojas aceitassem o celular usado como forma de pagamento, seria o casamento perfeito. Enquanto não aceitam, ficamos assim, à mercê do cara que percebeu que “curtir a vida” podia ser transformado em “curtir as fotos da vida”. Esse cara, sim, era um grande sacana. Eu só quero o bem de vocês.

 

[12] Tem gente que já decretou o fim do ano, mas Michel Temer, para dar o exemplo de que a nação precisa, continua trabalhando: está sangrando os cofres públicos em mais alguns bilhões para fazer passar a “reforma” da Previdência, além de fazer acordos com o empresariado e deputados para que votem ainda em 2017. Um presidente que sabe ser inesquecível.

 

[12] Seria fácil encaixar na prateleira dos dramas um filme sobre um jovem de 21 anos que, de uma hora para outra, descobre que vai perder a visão dentro de poucos meses. Mais fácil ainda se você tiver acesso amplo ao tal jovem e às complicações de sua nova rotina. Mas Mariana Sousa não passou perto do caminho mais fácil no curta-documentário que apresentou como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo na PUC/SP, hoje à tarde.

A metáfora que mais me ocorreu durante aqueles 13 intensos minutos foi a de uma metamorfose. Mariana tinha tudo para ficar presa à história (que já seria muito bonita) da amizade entre Nana (que é como Nícolas a chama) e Ni (que é como ela o chama), mas embarcou no desafio de filmar uma transformação, trazendo pra tela apenas o mínimo necessário de passado e de futuro para que a metamorfose fosse vivida com toda intensidade pela sua plateia.

Na história de Nícolas não há lado de fora. E Mariana soube converter isso numa decisão estética, porque todas as tensões que se sucedem desde o diagnóstico reaparecem como tensões durante as cenas rápidas e embaçadas.

O filme começa com a imagem do céu e a voz de Nícolas explicando que tudo de repente perdeu a nitidez, que os contornos entre as cores passaram a ser a sua maneira de distinguir tudo aquilo que antes era puro detalhe diante dos olhos agudos de um estudante de cinema. Tudo foi perdendo a forma conhecida, não só o que antes era visto, mas também tudo que era vivido. E essa foi a grande sacada de Mariana: se nada mais tem a forma conhecida diante dos olhos, se nada mais na vida tem a mesma forma, não esperem desse filme a forma já conhecida dos filmes sobre doenças (daí também a perfeição do título escolhido!). Nada impede que seja feito um filme explicando a doença ou ajudando a viver depois dela, mas Mariana não foi por aí: fez um filme-abraço, um filme de alguém que queria apenas estar por perto (e com a câmera ligada) do Nícolas durante os redemoinhos que enfrenta há cerca de um ano e meio. Pode não ser a decisão mais fácil, mas certamente é a mais admirável e afetiva.

A força que conseguiu atingir com essa metamorfose na tela é impressionante. Nós todos ali choramos um pouco, mas saímos renovados também. Longe de ser triste, o filme de Mariana Sousa é uma festa para quem sabe que a vida não se dobra a projetos.

No fim da seção, depois das tentativas da banca de lidar com aquele abraço vivo e multiforme, Nícolas disse: “em dezembro passado eu dirigia”. Neste dezembro, no entanto, a começar pela sua amiga Mariana, não vai faltar quem queira estar ao seu lado nos caminhos que decidir seguir.

 

[13] VOZES VERSOS, 7 encontros e 22 poetas depois, foi uma grande festa! Ideal para encerrar um ano de tantas leituras, tantas conversas, tantas parcerias generosas (algum pernil & drinques, que nem só de vozes e versos vivemos!). Muito obrigado ao Heitor, parceiro de maluquice, e todo mundo que viabiliza esses encontros: Antonio e a equipe da Tapera Taperá; aos amigos Bruno e Silvia, pelo luxo chamado Editora Quelônio! Muito obrigado aos poetas todos que passaram por lá e, claro, ao público, que a cada encontro foi maior, mais vibrante, mais variado (inclusive com ilustres visitas interestaduais!). Que 2018 seja assim, abraçando mais gente ainda nessa coisa maluca que é fabricar alegria, inteligência e sensibilidade neste mundo. Beijabraços!

 

[13] Se quem tem os poderes de juiz pode adiantar o julgamento pra influenciar nas eleições, será que quem tem os poderes de eleitor (que, nesse joguinho da democracia, dizem que são os poderes todos) não poderia adiantar a eleição para atropelar qualquer julgamento que não seja o do povo?

 

[13] Ó, por ocasião do lançamento da antologia “50 poemas de revolta”, que já está à venda por aí, escrevi um pequeno texto sobre poesia e política para o blog da Companhia das Letras. Passem por lá, passeiem pela antologia.

http://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/Poeticas-do-politico-politicas-da-poesia

 

[14]  “Somália”:

http://cultura.estadao.com.br/blogs/bibliotecavertical/3-poemas-protesto-para-o-brasil-de-ontem-e-hoje/

 

[14] DUAS NOTAS E UMA TALVEZ PROMESSA

 

Para quem anda tentando pensar as diversas faces da relação entre poesia e política, saíram há pouco dois livros que não nos deixam cair no equívoco de que essa é, digamos, uma conversa indireta: “Poesias de luta na América Latina” (org. e trad. Jeff Vasques) e “Cantos à nossa posição: a poesia de Roque Dalton” (org. e trad. Jeff Vasques e Lucas Bronzatto) são um soco no estômago, porque reúnem a poesia escrita no calor da luta, no meio da militância, da guerrilha, das ameaças mais reais possíveis à integridade física de quem assina os versos. Não sou de me espantar com minha ignorância (porque sou fiel a ela!), mas, ao folhear esses livros, fiquei besta diante da quantidade de poetas de que sequer tinha ouvido falar. Poetas da Costa Rica, do Panamá, do Equador… mas também do país em que vivo e dos países de que temos mais notícias no continente. O trabalho de Jeff e Lucas coloca em cima da mesa um banquete que, muitas vezes, o debate sobre poesia rejeita. E não poderia haver momento mais propício, em que toda a América Latina se convulsiona com lutas e transformações parecidas com aquelas que esses poetas enfrentaram, para colocar essa pólvora toda em nosso caminho. Se quiserem os livros, entrem em contato com eles.

 

*

 

“O poema/ vem enquanto faço a barba/ ou lavo a louça/ ou afio a faca/ para o preparo do animal abatido”. Quando vi o nome de Daniel Francoy entre os vencedores do Jabuti deste ano não conhecia seus poemas, mas vi que o livro – “Identidade” – era da Editora Urutau, que só tem lançado coisas boas, e pensei: “deve merecer estar logo atrás de Simone Brantes e Luci Collin e à frente de tantos outros grandes livros que concorreram”. E era bem por aí mesmo. Nascido em 1979 em Ribeirão Preto, onde vive, Francoy escreveu um livro muito forte, muito bonito. Ainda não sei dizer por que acho isso, mas por enquanto me contento em dizer que gostei muito de seus poemas. Tem lá um tom mais elevado num ou noutro verso, mas tem também a rua, muita rua nos poemas. Tem o atrito entre esse cara que lê os grandes poetas e, de repente, se vê no meio da rua: Kaváfis na cabeça e os pés na lama. Acho que é disso que gostei.

 

*

 

(Ao fazer as notas acima, olhando outros tantos livros que estão aqui me chamando, pensei em prometer para 2018 escrever mais sistematicamente sobre os livros de poesia que têm saído. Digo: dar notícia desses livros todos, da parte dessa avalanche de livros que chegam por aqui, principalmente os de editoras pequenas, edições de autor etc. A ideia é simples: usar mais o blog, anotando impressões ligeiras sobre o contato com esses livros, sem a responsabilidade da crítica nem da resenha, mas ajudando de alguma forma a evitar que tudo isso se amontoe como uma outra forma de silêncio ao meu/nosso redor. Não sei se a vida vai deixar fazer, mas me parece uma tarefa urgente e importante. Assim como acontece nas nossas mesas e estantes, a sucessão veloz de livros tem um efeito terrível: o livro novo que chega ao mundo torna mais penosa e até improvável a leitura do anterior, porque coloca um peso ainda maior sobre as costas do leitor, que pode ser heroico, mas é finito. Nesse ambiente, até ficamos sabendo que saiu algo bom aqui ou ali, mas logo a informação é atropelada por outra e outra e outra. Deve haver algo que jogue luz sobre a singularidade de cada esforço poético/editorial desses. Não vai ser, é claro, apenas a minha modesta contribuição que dará conta disso, mas somando esforços aqui e ali a gente pode evitar que tantos autores e editores vejam com desgosto seu trabalho ir para o esquecimento. E tem muita gente fazendo coisas que merecem mesmo nossa atenção. Enfim: talvez eu prometa, talvez eu cumpra. Mas quem sabe algum ou alguns amigos assumam a tarefa por mim e/ou comigo… hehehe!)

 

[25] Demorei quase 5 anos para ver o filme sobre Hannah Arendt, mas acho que vi num bom momento. A fusão entre rigor intelectual e vigor político, a obstinação de repórter, a relação com os editores da New Yorker, os atritos com seu círculo mais próximo de amigos, as múltiplas perseguições, a acusação de antissemitismo… parei o filme algumas vezes para ler partes dos seus livros, talvez com mais admiração do que antes. Arendt se formou e escreveu em tempos sombrios. O filme mostra que, em sua vida, tempos sombrios não foram apenas os da Europa, fugindo do nazismo. E é incrível como a perseguição a Arendt depois da publicação dos artigos sobre o julgamento de Eichmann – vinda de vizinhos, amigos, colegas de universidade, leitores (e não-leitores) da revista, autoridades de Israel etc. – lembra nossos tempos e suas sombras pesadas. E lembra também o peso das tarefas que intelectuais têm à frente em tempos assim. No mínimo, a Arendt do filme e, claro, dos livros segue como um grande exemplo.

 

[27] o grande projeto 2018 : tirar o violão do saco : fazer o bichinho cantar : tá ali, parece um latifúndio improdutivo : cheio de sons e quieto : pura potência sem ato : pra botar umas notas no ar : pra fazer o som dançar em volta das outras ideias : e de ideia nenhuma

https://www.youtube.com/watch?v=9OlOUoHxbU0

 

[27] A Estante Virtual já havia acabado com um dos prazeres de ir ao sebo: o lema dos ratos de sebo sempre foi “o livro certo no lugar errado”. E isso porque era ali, garimpando na poeira mais improvável, que você encontrava livros incríveis por preços irrisórios. Desde que a Estante Virtual chegou, a coisa mais comum era o sebo virtual fixar seus preços pela média cada vez mais assustadora do mercado, um puxando o outro para cima, e, de outro lado, o sebo ainda físico (com ou sem conta da Estante Virtual) não colocar preços nos livros e fazer a cotação ali, na cara do leitor, consultando a internet e meio que adivinhando o tipo de sacrifício a que o pobre coitado do leitor está disposto (lembrando um velho sebo em São Paulo, que tinha o acervo mais completo e as práticas mais cruéis: o preço era definido de acordo com a fissura que o cliente demonstrava diante dos olhos espertos do vendedor). Agora iremos para outra fase, em que a sorte do leitor dependerá do quanto essas empresas gigantes (Cultura e Amazon) estiverem dispostas a derrubar o preço para concorrer entre si. Quem será estrangulada, obviamente, é toda a rede de que os livros dependem, a começar pelo autor e terminar no leitor, passando por editores, tradutores, revisores, gráficas etc. Tudo indica que a mão invisível do mercado vai deixar manchas nos livros.

 

[28] Feliz aqui revendo o que ajudei a colocar no papel, com tantos amigos envolvidos, como um rastro bom do ano que termina. 2018 pede mais. E já vem vindo.

livros

 

[28] TEMP(L)O

 

longe

de ser

o monge

que

admiro

 

perto

de saber

o certo

:

respiro

 

[29] “Carpe diem” na Escamandro:

https://escamandro.wordpress.com/2017/12/29/carpe-diem-28-versoes-2-por-matheus-mavericco/

 

[30] Mané me manda um áudio de Júlia cantando e eu pergunto quem fez aquela coisa tão bonita. “Rodrigo Campos, ouça esse menino”. Obediente, corro pra ouvir. E descubro que já o ouvia em Criolo, Emicida, Elza Soares… e eu vim aqui só pra repetir pra vocês o conselho de Mané: ouçam esse menino. Reouçam.

 

[30] Se eu ganhar a Mega da Virada, vou presentear 100 amigos. Metade com esteiras ergométricas, metade com bicicletas ergométricas. Torçam por mim.

 

[31] SALUT

 

brindar sem beber

dez anos sem temer

 

beber sem brindar

dez anos sem gilmar

 

ou melhor

 

SALUT

 

brindar sem beber

dez anos de temer

 

beber sem brindar

dez anos de gilmar

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