Do fb pra cá (fevereiro 2018)

[1] Já está nas ruas a Grampo Canoa #4, em que tive a alegria de publicar um depoimento sobre uma das minhas paixões: Racionais. Para comprar, procurem a Luna Parque Edições. Para a trilha sonora, sugiro: https://youtu.be/6SBXjwBBkYs. Sobe o som.

racionais

[2] CONCERTO PARA VOZ E VIOLÊNCIA

sem trabalho [não proteste] sem teto [não ocupe] sem terra [não lute] sem educação [não reclame] sem comida [não toque] sem saúde [não grite] sem voz [nem pense] deixe o trabalho [para os meus] deixe o teto [para meu luxo] deixe a terra [para meu golfe] deixe a educação [para meu lustro] deixe a comida [para que me farte] deixe a saúde [para minha prole] deixe a voz [para que te cale]

concerto

[2] EU MORO E VOCÊS PAGAM? O juiz que dizem que salvará o Brasil recebe acima do teto constitucional (de acordo com a lei, claro, porque quem diz o que está de acordo com a lei é alguém que também recebe acima do teto constitucional). O juiz que dizem que salvará o Brasil recebe auxílio para morar em sua própria casa (de acordo com a lei, claro, porque quem diz o que está de acordo com a lei é alguém que também recebe auxílio para morar em sua própria casa). O juiz que dizem que salvará o Brasil disse que “O auxílio-moradia é pago indistintamente a todos os magistrados e, embora discutível, compensa a falta de reajuste dos vencimentos desde 1º de janeiro de 2015 e que, pela lei, deveriam ser anualmente reajustados”, porque o juiz que dizem que salvará o Brasil não vê problema em admitir que recebe dinheiro público para finalidade diferente daquela a que se destina por lei (porque quem pode fazê-lo devolver é alguém que também teria que devolver). O juiz que dizem que salvará o Brasil não se constrange de receber um auxílio “discutível”, mas ai de quem não é da sua turma e é acusado de algo “discutível”. Com heróis assim, vai ser difícil o Brasil se salvar.

 

[5] Tive coragem de entrar no site do Governo Federal para ver as propagandas (sim, não passam de propagandas) sobre a “reforma” da Previdência. Toda a estética é uma afronta ao debate sério sobre o tema e, mais que tudo, a confirmação de que não sobra nada mais do que mistificação nas mãos de Temer para convencer a população de que sua “reforma” vai proteger os mais pobres e atingir os privilégios de “políticos” e “altos funcionários públicos”, termos usados sempre com bastante abstração para não sabermos nunca do que se trata efetivamente (do contrário, poderia fazer com que nos questionássemos a respeito da relação entre a tal “reforma” e as notícias atuais sobre os privilégios dos magistrados, por exemplo…). Sob o slogan “contra os privilégios e a favor da igualdade”, os rostos fotografados alternam-se entre expressões de esperança (o queixo levemente erguido e os olhos perdidos no horizonte) e de extrema preocupação (rugas em destaque e uma luz meio tristonha), encenando uma população que apoia a “reforma” e, assim, teria em Temer uma espécie de herói contra as injustiças da Previdência… Lamentável, no mínimo, ver toda essa desfaçatez de um governo que, bem sabemos, trabalha pesado para que não tenhamos pela frente nada parecido com um Estado capaz de honrar seus compromissos sociais, quanto menos garantir uma previdência social sólida. Juntando essas peças publicitárias e a campanha de Temer nos programas de televisão, só nos resta concluir que seus aliados estão cobrando caro para votar a favor da “reforma”: “convence o povão aí, faz bastante propaganda, daí a gente vê se a poeira baixa e vota isso logo”. A conversa entre eles deve ser assim. E a nossa?

Confiram lá: http://brasil.gov.br/reformadaprevidencia

 

[7] Quatro poemas no Literatura.br:

http://www.literaturabr.com/2018/02/07/poesia-de-tarso-de-melo/

 

[8] Ó aí, gente: curso que darei no CPF/SESC entre 8/3 e 5/4. Cinco encontros, às quintas, das 15h às 18h, para pensar um pouco sobre as políticas da/na poesia contemporânea: ler poemas, ler sobre os poemas, ler sobre o que os poemas leem. Vai ser divertido. Apareçam e, claro, ajudem a divulgar. Obrigado.

http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/poeticas-do-politico-politicas-da-poesia

 

[9] Já faz alguns anos que a Luzia Maninha fotografa uma janela (ou duas?) de um prédio perto de sua casa. E cada vez mais parece que essas imagens querem contar alguma história. Quase sem personagens, uns poucos objetos preenchem essa moldura de vida. Ou algo parecido com isso. O mais vivo dos museus. Enfim, roubei as fotos e vou tentando contar a história que elas sugerem. Vamos ver no que dá.

janelas

[15] Recado do Paulo Caetano: “Para quem se interessa pelas relações entre Literatura e Direito, poesia brasileira contemporânea, e pelo caso do Rafael Braga, vou deixar no 1º comentário o link de um ensaio recém saído do forno que escrevi com Clarissa Verçosa sobre ‘Toda sentença é um antipoema’, de Tarso de Melo. O texto fará parte de um livro organizado por Andityas Moura (Direito-UFMG). Agradeço a Vivian Vallory pela revisão. Quem não conseguir baixar sinalize que envio in box.”

https://ufmg.academia.edu/PauloCaetano/Drafts

 

[18] «Isaac Bábel disse» – é o que leio nesse livro interessantíssimo de James Wood, “A coisa mais próxima da vida” – «que ele poderia escrever a história de uma mulher se visse o conteúdo de sua bolsa». Gosto de pensar que isso é verdade, gosto de pensar que vale também para as bolsas (e bolsos) de homens. Que história sua bolsa conta?

 

[19] O general responsável pela intervenção militar no Rio de Janeiro declarou que é necessário dar aos militares “garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”. Some-se a isso a informação sobre mandados genéricos, coletivos e prévios a qualquer investigação. Quando começamos a chamar de GOLPE a derrubada da presidenta eleita, o debate parecia dizer respeito ao que acontecia naquele momento: se o processo era legítimo ou apenas um artifício. Mas era claro que ia bem além disso: não se tratava apenas de “dar o golpe”, mas do “que fazer com o golpe”, dos objetivos que justificavam tomar o poder de modo tão escancaradamente antidemocrático. E, quanto a isso, também não resta mais dúvida: o golpe veio para tomar direitos sociais, livrar a cara de alguns políticos, deformar o Estado e seus compromissos constitucionais e, de quebra, retomar e/ou aprofundar as medidas de exceção que nunca deixaram de nos caracterizar, mesmo durante esses 30 anos de Constituição, mas que andavam, digamos, um pouco envergonhadas. Com a declaração do general, a vergonha acabou.

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