Real, real

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Publiquei a “foto” e logo disseram que era falsa. Fake, hoax, golpe. Fiquei triste. Há mentiras de que gosto. Mentiras de que dependem nossa felicidade. Como a de uma foto do que somos incapazes de ver. Do que apenas sonhamos. A “foto” me lembrou, estranhamente, a entrevista do Niemeyer em que ele, arquiteto, dizia gostar de chegar de avião sobre o Rio de Janeiro e ficar imaginando como era aquilo tudo antes de chegar qualquer arquiteto, qualquer morador, qualquer pedreiro. A “foto” me fez imaginar como era aquilo tudo antes de chegarem as águas. A “foto” é foto para mim, porque me fez recitar uns versos de Manuel António Pina:

A FERIDA

Real, real porque me abandonaste?
E, no entanto, às vezes bem preciso
de entregar nas tuas mãos o meu espírito
e que, por um momento, baste

que seja feita a tua vontade
para tudo de novo ter sentido,
não digo a vida, mas ao menos o vivido,
nomes e coisas, livre arbítrio, causalidade.

Oh, juntar os pedaços de todos os livros
e desimaginar o mundo, descriá-lo,
amarrado ao mastro mais altivo
do passado! Mas onde encontrar um passado?

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