Assinatura Vozes Versos

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As leituras de poesia Vozes Versos começaram há pouco mais de um ano, em dezembro de 2016, inicialmente com poucas pessoas reunidas na loja Setzer e, de lá pra cá, com um público cada vez maior na livraria Tapera Taperá, ambas na Galeria Metrópole, no Centro de São Paulo. Foram 8 encontros neste período, consolidando um formato simples: autores apresentando seus poemas e traduções e conversando com o público sem qualquer formalidade.

Do quinto encontro em diante surgiu a parceria com a Editora Quelônio, uma pequena editora artesanal, que imprime os livros em linotipia e inventa projetos gráficos perfeitos para cada texto. Nessa parceria, a Quelônio passou a fazer plaquetes com alguns poemas dos convidados do Vozes Versos a cada mês, distribuindo 40 plaquetes para o público acompanhar e levar algo da leitura para casa. Rapidamente, as plaquetes se tornaram um evento à parte!

Nossa intenção é manter os encontros como têm sido aqui: registrados na mente de quem conseguiu comparecer e também multiplicado nas plaquetes que levam a poesia para onde não podemos sequer imaginar. Infelizmente, no entanto, não temos mais condições de bancar a publicação e distribuição gratuita das plaquetes, e é por isso que estamos lançando uma campanha de assinaturas das plaquetes do Vozes Versos, que funcionará da seguinte forma:

É simples: o assinante paga o valor total de R$ 150,00 e recebe a coleção completa com 15 plaquetes do Vozes Versos. A coleção terá, até o final do ano, um total de 49 autores, incluindo poetas e tradutores.

De imediato, o assinante recebe as 6 plaquetes já lançadas (com poemas de Cide Piquet; Júlia Studart; Manoel Ricardo de Lima; Alberto Bresciani, Ana Estaregui e Marceli Andresa Becker; Thiago Ponce de Moraes, Onça Verunschk e Marcos Siscar; Marília Garcia, Paulo Ferraz e Joana Barossi, traduzindo Nicanor Parra) e uma plaquete especial, que sairá em breve, chamada Primeiras Vozes, reunindo os 13 poetas que participaram dos encontros anteriores à parceria com a Quelônio (Fabio Weintraub, Jeanne Callegari, Julia de Carvalho Hansen, Reuben da Rocha, Iago Passos, Julia de Souza, Ruy Proença, Dalila Teles Veras, Renan Nuernberger, Lilian Aquino, Annita Costa Malufe, Fabiano Calixto e Rita Barros). Daí em diante, o assinante receberá as outras 8 plaquetes correspondentes aos encontros mensais de 2018, com poetas igualmente importantes na cena contemporânea.

Para saber as formas de pagamento e assinar, envie um email para quelonioeditora@gmail.com, com o assunto “Assinatura Vozes Versos”.

Serão vendidas apenas 100 assinaturas. Os assinantes receberão as plaquetes no próprio encontro mensal do Vozes Versos. Para quem não puder comparecer ou estiver fora de SP, as plaquetes serão enviadas pelo correio.

Importante: os encontros continuam sendo gratuitos e abertos ao público em geral. A Tapera Taperá é uma entidade sem fins lucrativos. No Vozes Versos, os organizadores e os convidados não recebem qualquer valor ou ajuda de custo para participar das leituras. As assinaturas dizem respeito apenas às plaquetes, que, para serem mantidas, além das assinaturas, passarão a ser vendidas por R$ 10,00 no dia do evento e, daí em diante, por R$ 15,00, direto com a editora.

Quem já tem as primeiras plaquetes, é claro, terá agora a chance de presentear um outro leitor! Muito obrigado pela atenção! Forte abraço,

 

VOZES VERSOS

Heitor Ferraz Mello

Tarso de Melo

 

EDITORA QUELÔNIO

Bruno Zeni

Silvia Nastari

Real, real

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Publiquei a “foto” e logo disseram que era falsa. Fake, hoax, golpe. Fiquei triste. Há mentiras de que gosto. Mentiras de que dependem nossa felicidade. Como a de uma foto do que somos incapazes de ver. Do que apenas sonhamos. A “foto” me lembrou, estranhamente, a entrevista do Niemeyer em que ele, arquiteto, dizia gostar de chegar de avião sobre o Rio de Janeiro e ficar imaginando como era aquilo tudo antes de chegar qualquer arquiteto, qualquer morador, qualquer pedreiro. A “foto” me fez imaginar como era aquilo tudo antes de chegarem as águas. A “foto” é foto para mim, porque me fez recitar uns versos de Manuel António Pina:

A FERIDA

Real, real porque me abandonaste?
E, no entanto, às vezes bem preciso
de entregar nas tuas mãos o meu espírito
e que, por um momento, baste

que seja feita a tua vontade
para tudo de novo ter sentido,
não digo a vida, mas ao menos o vivido,
nomes e coisas, livre arbítrio, causalidade.

Oh, juntar os pedaços de todos os livros
e desimaginar o mundo, descriá-lo,
amarrado ao mastro mais altivo
do passado! Mas onde encontrar um passado?

Contra o soterramento

Bruna Mitrano listou “65 poetas negras que estão super na ativa”. É uma lista fundamental, uma das listas fundamentais para a poesia que está sendo escrita hoje. Conheço poucas autoras da lista (e já a imprimi aqui para tentar diminuir o fosso da ignorância). Tenho conversado muito com amigos que também têm alguma pretensão de acompanhar mais ou menos de perto o que vem sendo escrito/publicado na nossa época – ou melhor: não apenas a pretensão, mas a responsabilidade, porque muitos atuam como críticos, editores, jurados, organizam eventos etc. – sobre como lidar com a questão da quantidade de poetas e publicações, entre tantas outras questões, uma vez que temos provas diárias de que a qualidade não é problema para nossos poetas. Repito: do pouco que chega até aqui, constato que há muita coisa muito boa sendo feita. E daí vem nossa preocupação, que eu, dramaticamente, tenho chamado de “lutar contra o soterramento”. Para isso, se não quisermos depender apenas da publicidade ou da sorte, temos que pensar em mais esforços coletivos para romper a concentração da nossa visão numa pequena fatia social, racial, sexual, geográfica, econômica etc. Sei que há mais gente preocupada – e já ocupada – com essa batalha, mas a lista da Bruna me fez lembrar que o desafio se torna maior a cada dia. Ninguém é obrigado a conhecer nenhum, muito menos conhecer todos os livros de poesia. E talvez seja o caso de deixar cada poeta e cada livro criarem seus próprios caminhos: ao acaso, à deriva, à própria sorte. Mas quem sente algum constrangimento diante dessa lista (inclusive porque admira bastante as poetas que já leu entre as que nela estão), entre tantas listas possíveis, vai entender do que estou falando, nem que seja para desabonar qualquer afirmação sobre a poesia contemporânea que não leve em consideração o que há por trás de cada um desses nomes.

PS: A lista da Bruna tem Livia Natália, Elizandra Souza, Carina Castro, Ryane Leão, Mel Duarte, Ornelle Marie, Jenyffer Nascimento, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Cátia Regina, Viviane de Paula, Katia Pires Chagas, Maria Inês, Cristiane Sobral, Tainá Rei, Renata Ferreira, Gabriela Farrabrás, Adriana Rolin, Tula Ferreira, Maurinete Lima, Vera Paixão, Francielle C. da Silva, Raquel Menezes, Cidinha da Silva, Lisa Castro, Natasha Felix, Jarid Arraes, Ana Paula Lisboa, MC Martina, Andresa Fernandes, Luz Pretinha Marques, Luz Ribeiro, Tatiana Nascimento dos Santos, Sys Fagundes, Sueide Kintê, Juh DePaula, Elizabeth Manja, Doris Barros, Ingrid Martins, Mariana Felix, Cinthya Santos, Neide Vieira, Viviane Laprovita, Carol Dall Farras, Brenda Lima, Nina Rizzi, Lubi Prates, Ana Carolina Assis, Luciana Queiroz, Cátia Luciana Pereira, Stephanie Borges, Laura Vaz, Laura Castro, LuNa Vitrolira, Thayaneddy Alves, Débora Garcia, Jô Freitas, Jéssica Rodrigues, Nívea Sabino, Roberta Estrela D’Alva, Mariana de Matos, Ingrid Martins, Catharine Moreira, Lenise Regina e Landara Marcele.