No centro da roda viva, Lula

lula boulos

Muito importante ver Guilherme Boulos no centro da roda. Não só dessa Roda Viva infelizmente tão apequenada na hora de escolher os entrevistadores, mas das rodas de debate sobre como deve ser um Brasil mais justo, em todos os campos.
Já estamos acostumados a ver as ideias mais relevantes da esquerda colocadas para fora do debate político nas arenas da direita. Falar em superação do capitalismo e defender o socialismo são posturas que nunca couberam nos esquadros da “grande” imprensa.
E, também por isso, até mesmo as figuras que se destacam à esquerda são levadas a um debate que, normalmente, é circunscrito às pautas e possibilidades mais ou menos admissíveis no centro e até na direita. O raio da discordância é pré-determinado.
Boulos, no entanto, sabe dessas ciladas e, por isso, teve tanta desenvoltura ontem. Não se deixou prender nos limites do debate que interessa aos entrevistadores. E a gente sabe: o discurso que tem feito sucesso à(s) direita(s) não tem a menor condição de se contrapor ao de quem pensa as questões do país a partir da e contra a desigualdade social.
Enquanto falamos de Boulos aqui, a notícia do lado de lá é o encontro entre uma atriz de quinta categoria e o procurador jejuno do powerpoint… Mesmo a cartilha anticorrupção, que arrastaram até aqui, não é mais capaz de esconder seu uso parcial contra o PT. Salvo nos casos mais patológicos de antipetismo e paixão destrutiva por Lula, já há bastante silêncio no apoio à Lava Jato.
Diante disso, não podemos deixar de desqualificar esse debate “constragido” pela direita (em que até opiniões criminosas são admitidas!) e, de outra parte, qualificar cada vez mais à esquerda a pauta que importa para a maioria dos brasileiros. Boulos vai ser fundamental nesse processo, mas o nó a desatar ainda é o destino do presidente Lula.
Se o golpe conseguir tirá-lo completamente da disputa, não temos porque acreditar que uma candidatura até mesmo mais radical, como a do Boulos, vai ser tolerada. O golpe, no caso de Boulos, vai se antecipar às urnas (já coloque nessa conta os ataques à luta por moradia que temos assistido), como era com Lula nas suas primeiras candidaturas, quando seu discurso também eriçava os cabelos de outras rodas de entrevista.
Boulos nos anima, claro, mas ainda é cedo para tirar Lula do baralho, por mais complicada que seja a situação atual. Boulos mesmo disse: “Lula está vivo e é candidato”, porque até mesmo suas chances passam por aquela cela em Curitiba. Se Lula não estiver livre, é pouco provável que alguém na esquerda esteja. No mínimo, em termos eleitorais.

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